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| Fotografia de Fred Rocha |
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Da Campanha Autárquica
"Manter um inconformismo permanente com os problemas relacionados com a recolha do lixo urbano."
sábado, 16 de setembro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
São Miguel: Uma Doce Melancolia
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| Daqui: www.wook.pt/ |
“A melancolia é uma arte. Vede
quanta beleza existe no próprio e simples dizer das cinco sílabas desta
palavra: me-lan-co-li-a. Agridoce, tão próxima do silêncio interior como das mágoas
do olhar, nos Açores esta palavra é comum a todas as ilhas. E a todas as
pessoas. Mas em nenhuma delas como em São Miguel ela resulta tanto desta forma
de contemplar o encanto da paisagem: de a ver de coma (quando se sai da Ribeira
Grande para o alto da serra, a caminho da Lagoa do Fogo): a gente pára ali, a
meio da encosta, volta-se para trás, e pasma. Deslumbra-se com o que tem à
frente dos olhos. Aquilo que se avista de lá de cima é como um tombadilho
gigantesco, todo verde e quase plano, o qual roda em círculo connosco e envolve
o gesto que aponta para aquém da cidade da Ribeira Grande e de Rabo de Peixe. A
palavra melancolia vê-se também no próprio espanto que em nós estranha e não
explica o verde-azul-amarelo da terra mar, corpo lânguido e feminino da
paisagem, trecho da costa norte fendido ao meio pela Ponta do Cintrão: baixa, e
até maneirinha, à esquerda; alta e muito recortada para as bandas de Porto
Formoso. Os tons esmeralda da pradaria e das matas de incenso e criptoméria
parecem a um tempo colidir e complementar-se entre si; ao longe e em baixo, a
brancura das casas – que se perfilam ao longo das ruazitas desertas, tortuosas,
com as suas barrinhas de basalto em volta de portas e janelas – resplandece acima
dos verdes múltiplos da terra, como numa marcação a giz dessa cor.
A
paisagem que do alto se despenha aos nossos pés, primeiro a prumo ou em declive
acentuado, depois num remanso que se derrama até o azul do mar, prolonga-se
afinal até se espraiar pelos cerrados de milho e tremoço, pelos hortos e
jardins do tabaco e pelos campos de chá. O prazer e o assombro de tanta beleza
excedem o nosso modo de olhar. Passam para além do pasmo e recordação.”
João de Melo, in “Açores – O Segredo das
Ilhas”, Publicações Dom Quixote, edição revista e acrescentada, 2016.
Nada Tenho de Meu de Miguel Gonçalves Mendes
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| Hoje, às 21 horas, na Galeria Arco 8 |
“O realizador português Miguel Gonçalves Mendes e os escritores
brasileiros Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca viajaram até ao Extremo
Oriente para uma troca de experiências com artistas e pensadores de Macau, Hong
Kong, Vietname, Camboja e Tailândia. Desse
contacto, que surgiu depois dos 3 autores terem sido convidados a estar
presentes no "1º Festival Literário de Macau - Rota das Letras",
nasceu a série de 11 episódios “Nada tenho de meu”, descrita pelos seus autores
como “uma mistura de caderno de viagens e ficção".
Daqui:http://www.mgm.org.pt/mgm
terça-feira, 12 de setembro de 2017
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
O Cinema de Miguel Gonçalves Mendes na Galeria Arco 8
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| "Nada Tenho de Meu", dia 13 de Setembro |
“Em Portugal, a normalidade da convivência pura e simples não existe. Persiste uma visão infantil e bipolar, em que coexistem o “nós” perfeito e os “outros”, uma cambada de inúteis e oportunistas. Existe uma total ausência da noção do que é o bem comum. Entretemo-nos em guerras inúteis, destruindo o caminho uns dos outros. Nada se constrói, nada tem continuidade. E o “outro” é um alvo permanente a abater.”
(…)Em Portugal, salvo honrosas
excepções, a crítica não faz crítica, ou fá-la como uma criança de cinco anos:
ama ou odeia. E nesta falta de consistência, confundida com exercício de poder,
o crítico sente-se crítico apenas no momento em que determina a selecção
daquilo que deverá integrar o corpus cultural do país — ou seja, a crítica não
perdoa e só reconhece quem foi criado por si.
Os colegas de profissão, em
geral, desprezam-se e digladiam-se como se não existisse espaço suficiente, sem
perceberem que o mundo é diverso e que, na arte, ninguém ocupa o lugar de
ninguém. Num país de dez milhões de habitantes, onde se produz uma média de
menos de 20 longas-metragens por ano, coabitam duas associações de realizadores
e duas de produtores que rivalizam entre si. É mais do que triste: é
confrangedor. E existem ainda os “brilhantes falhados”, aqueles que desprezam
tudo o que os rodeia porque nunca fizeram nada — e geralmente odeiam o sucesso
do outro por ser esse o espelho da sua própria inacção.”
Miguel Gonçalves
Mendes, in
Público, 9 de Dezembro de 2016
domingo, 10 de setembro de 2017
sábado, 9 de setembro de 2017
Do Gesto
"Outro dos exercícios do escritor é tentar sempre olhar o mundo pelos olhos dos outros, e todos nós somos muito rápidos a julgar. Para mim é intrigante o que está por trás de cada gesto."
David Machado, Revista Expresso.
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