andamos neste chão há séculos de meio de mar,
desenhando o nosso rosto sobre o rumor do linho.
aqui o tempo é um sudário do horizonte.
Emanuel Jorge Botelho, in "Os Ossos Dentro da Cinza", edições Averno, 2017.
sábado, 10 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Documentários: A Arte está na Rua!
Hoje estreia nas salas portuguesas dois
documentários que nos propõe uma reflexão sobre a Arte: “Beuys” de Andres Veiel
e “Visages Villages” de Agnès Varda e Jr.
“Beuys” dá-nos a ver a vida e obra do
artista alemão, Joseph Beuys, após três décadas do seu desaparecimento. O
realizador Andres Veiel conseguiu um vasto arquivo de imagens inéditas do
artista que ficaria imortalizado com o seu chapéu de feltro. Joseph Beuys, para
alguns considerado um artista visionário, acreditava que a arte devia chegar a
todos ao mesmo tempo, daí ter plantado sete mil carvalhos com sete mil pedras
espalhadas por Kassel, Alemanha. “A provocação faz com que qualquer coisa ganhe
vida” dizia o artista/activista que fazia questão de manifestar a sua ideia de
arte revolucionária por esta ter origem na criatividade, ao influenciar o
aparecimento da democracia bem como o alargamento do conceito de arte a vários
contextos e camadas sociais.
A partir da ideia de colar retratos em grande escala nas paredes ou mesmo em outros suportes, a realizadora Agnès Varda(88 anos) coassina com o fotógrafo e muralista Jr (33 anos) o documentário “Visages Villages”. A autora de “Os Respigadores e a Respigadora” e o fotógrafo viajaram pelo interior da França em busca dos seus novos protagonistas, retomando o gosto de ambos pelas imagens e pela arte do encontro.
“Beuys” dá-nos a ver a vida e obra do
artista alemão, Joseph Beuys, após três décadas do seu desaparecimento. O
realizador Andres Veiel conseguiu um vasto arquivo de imagens inéditas do
artista que ficaria imortalizado com o seu chapéu de feltro. Joseph Beuys, para
alguns considerado um artista visionário, acreditava que a arte devia chegar a
todos ao mesmo tempo, daí ter plantado sete mil carvalhos com sete mil pedras
espalhadas por Kassel, Alemanha. “A provocação faz com que qualquer coisa ganhe
vida” dizia o artista/activista que fazia questão de manifestar a sua ideia de
arte revolucionária por esta ter origem na criatividade, ao influenciar o
aparecimento da democracia bem como o alargamento do conceito de arte a vários
contextos e camadas sociais.A partir da ideia de colar retratos em grande escala nas paredes ou mesmo em outros suportes, a realizadora Agnès Varda(88 anos) coassina com o fotógrafo e muralista Jr (33 anos) o documentário “Visages Villages”. A autora de “Os Respigadores e a Respigadora” e o fotógrafo viajaram pelo interior da França em busca dos seus novos protagonistas, retomando o gosto de ambos pelas imagens e pela arte do encontro.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Aprendizagens Essenciais
Ter vinte anos é
mágico já que o pesadelo
ainda se anuncia lá
ao longe
não ocorre pôr de
lado qualquer empreitada
surgimos fundidos
na fotografia
de acordo com
descrições e orientações
ligeiramente prescritas
Avançaremos na
idade sem instruções
julgando ter
cumprido minimamente o programa
voluntariosos cumprimos
compromissos
com dúvidas apagadas
em base comum
presos à ténue referência
que retiram
vigor e virtude na correria
atrás do prejuízo.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Conservamos os Veleiros Sem Cuidar do Pano das Velas
![]() |
| Desenho de Petar Šćulac |
E se as formigas voassem, os garajaus falassem e as cagarras fossem infiéis? Seríamos felizes ao entardecer? E se as baleias mastigassem? Sobre uma companhia teatral abate-se uma tragédia: o texto a encenar não está concluído. Um produtor ansioso quer muito pô-lo em cena muito em breve. Um encenador conhecido é aguardado e convidado para montar a peça numa ilha. O autor do texto encontra-se encerrado no seu quarto e bloqueado sem acesso ao mundo. Os actores vão recebendo instruções para ensaiar tal como ténues orientações do texto. Entretanto, enquanto aguardam, vão falando sobre o tempo lá fora, a pesca do bacalhau, o período da Guerra Fria e o fim da história. Este é um projecto que, partindo do drama da incompletude da peça, dramatiza e problematiza uma reflexão em torno do acaso no processo de criação, mas também da reflexão quotidiano, da história e dos contornos políticos. É um projecto que resultará de um trabalho de parceria com os actores voltando a reunir a equipa de Sala de Embarque que irá construir, improvisar e recriar de novo um texto irrepetível.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Situação da Arte - Inquérito junto de Artistas e Intelectuais Portugueses
“-Eu
conheço muito mal a arte. Sou novinho e normal e ando nos estudos. Este ano o
senhor professor está a ensinar-nos o que é a estética. Eu ando a ler um livro
muito bonito feito há muito tempo por um senhor que já morreu chamado Platão.
Isto porque já os antigos se preocupavam com estas coisas. Faço
quadradinhos, o que me dá o direito a ser tratado de artista plástico, e agora
chamam-me intelectual português, e quem sabe se não me estragaram a vida toda
ou se me não estragaram toda a vida. Ou assim. E então artista plástico faço
uns quadros. E os artistas plásticos têm de ser burros, o que é pelo menos a
primeira coisa que as pessoas (certas) estão à espera (ainda) que eles mostrem.
E afinal que digo? Meus senhores, a arte é, isto é, tinha obrigação de ser, o
meu ganha-pão. E aí, a arte é uma coisa séria. Et là je m´énerve. Eu gosto
muito da arte.”
Eduardo Batarda
Shane MacGowan: Parabéns!
Assisto agora
ao vídeo de celebração dos 60 anos de Shane MacGowan, concerto realizado no dia
15 de Janeiro no National Concert Hall, em Dublin, na Irlanda, sobretudo o momento em que Nick Cave canta "Summer
in Siam". Para além do músico australiano estiveram presentes:
Johnny Deep, Bono, Sinead O'Connor,
Lisa O'Neil, Glen Hansard, Imelda May, entre tantos outros. Desta feita,
enquanto se ouvia o tema “Summer in Siam” o aniversariante entrou em palco de cadeira de rodas e de copo de tinto na mão, erguendo o braço e cantando lado a lado como o músico dos Bad Seeds.
O público entrou de imediato em delírio e lembrei-me dum concerto dos "The Pogues" no
Porto, julgo ter sido no Estádio das Antas, nos idos anos noventa (terá sido o
único?) e em que Shane Macgowan entrou em palco, primeiro sozinho, gritou para
a plateia: "Good night Oporto!" De t-shirt preta e empunhando uma
garrafa de vinho do Porto e com uma baqueta na outra mão, mostrou a dentição e
anunciando que algo naquele instante se iria passar…partiu a baqueta com os dentes e correu com aquela garrafa de um lado para o
outro, já com os músicos dos "The Pogues" presentes, incendiando a
multidão que enchia o espaço, que não mais parou, desatando aos saltos e pulos, num
rodopio de folia interminável. Recordo que durante hora e meia aquele pavilhão das
Antas só conheceu a alegria, a boa disposição e uma música inolvidável. Por isso e por muito mais, aqui ficam os agradecimentos e os parabéns mais do que merecidos!
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Monte dos Vendavais
Uma mesa de nêsperas é notada
aos maracujás conto-os para não esquecer
ao beber aquele copo de água translúcida
Sei que a luz é a forma mais segura
de pousar as mãos sobre a escassez
deambular sobre pequenos montes
como quem permanece nos
sítios
sem precisar de palavras para
enaltecer o uso
ou assim prezar a natureza de extremos
à semelhança dos vendavais que nos cercam
e tudo arrasam.quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Prece Geral: um último olhar guiado pelo fotógrafo
Amanhã é dia
para (re) ver as fotografias de “Prece Geral” pela última vez. Daniel Blaufucks
disponibiliza-se para acompanhar os visitantes neste derradeiro olhar pela
exposição patente no Museu de Arte Sacra em Ponta Delgada. Estas chapas expostas são
sobre o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, a ‘Cartuxa de Évora', e
revelam-nos o interior da fé e da dedicação bem como o que resta desse altar de
prece e de reflexão. É de louvar este mergulho no mistério e na oração do
fotógrafo e ainda escutar o que de mais “sagrado” contém cada fotografia.
Um dia depois, Daniel Blaufucks agraciará o território açoriano com nova
exposição, desta feita na Galeria Fonseca e Macedo.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
A Cidade...
![]() |
| O Segredo das Ilhas de João de Melo |
“A cidade acaba por encantar alguns, e pode mesmo reter o olhar do visitante, a um tempo quotidiana e sumptuária, segundo a expectativa de quem a observa. A memória e a subtileza da história incidem sobre ela com o peso específico de uma realidade açoriana de séculos: entre a modéstia e a riqueza de quem nela herdou bens, títulos e nome de família, sendo a nata e a dinastia da sociedade endinheirada, não raro a mais dominadora. Cidade religiosa e dominical, não há em Ponta Delgada pecado que não possa ser confessado, nem um remorso ou arrependimento que fique por redimir. Pessoalmente, não lhe conheço outra ideologia, nem outra religião. No sítio onde o glorioso e revolucionário poeta e filósofo Antero de Quental se suicidou (saindo dali direito ao Inferno!, segundo o que proclama a doutrina do catolicismo, trataram de erguer uma estátua a uma antiga madre prioresa do Mosteiro da Esperança: não se toleram públicas heresias, e muito menos suicídios de poetas, ali apenas a dois passos do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em pleno Campo de São Francisco! Nunca por nunca uma mão, nem por uma mente mais abençoada, nem um eleito com um poucochinho de poder local, se mostrou sensível mandar erguer ali uma memória, templo do suicídio de um dos mais brilhantes e combativos espíritos do povo lusitano – e, sem dúvida, o mais ilustre de os Açorianos, Antero de Quental.”
João
de Melo, in
“Açores – O Segredo das Ilhas”, Publicações Dom Quixote, edição revista e
acrescentada, 2016.
Da Poesia lida
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