sábado, 15 de fevereiro de 2020

"Cine Voyage" de Vítor Rua & Daltonic Brothers no Arquipélago


                A noite prometia uma viagem, um percurso visual e sonoro à volta de imagens que fazem parte dos sonhos e pesadelos de quem venera fotogramas em movimento. O itinerário cinematográfico apresentado começou com encontros e desencontros de linhas e geometrias que possibilitavam alargar fontes criativas bem como permitir derivas da imaginação. Só depois de algum tempo do trajecto gráfico inicial é que fomos brindados pelas sequências cinemáticas a preto e branco do dealbar do século vinte, tal como se tratasse de uma alucinação, em modo transe hipnótico. Uma andança entusiasta, ainda que programada, que só ficaria completa com o guitarrista projectado na tela a sugerir um corpo visível aumentado que se desloca no tempo e no espaço após ter sido engolido por tão onírica expedição.

Da Arte

             "Sou por uma arte que faça mais do que sentar o rabo no museu. Sou por uma arte que cresça não sabendo sequer se é arte, uma arte que é dada a hipótese de começar do zero. Sou por uma arte que se envolva com a porcaria do dia a dia e ainda saia por cima. Sou por uma arte que imite o humano, isto é, cómica se necessário, ou violenta, ou seja o que for preciso. Sou por uma arte que adquira a sua forma a partir das linhas da vida, que se torça e se estenda impossivelmente e acumule e cuspa e pingue, e seja doce e estúpida como a própria vida."

Claes Oldenburg in Arte na Cidade, de Mário Caeiro, Temas e Debates, 2018

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

"Os Açores de Madredeus" de Rob Rombout


Hoje estreia, na ilha do Faial, o documentário "Os Açores de Madredeus", com a presença do realizador Rob Rombout. O filme foi realizado há 25 anos em várias ilhas do arquipélago e, será exibido no Teatro Faialense, às 21h00.

Katia Weyher na Galeria Brui

Inauguração dia 20 de Fevereiro 

sábado, 25 de janeiro de 2020

O Mar dos Meus Olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

Sophia de Mello Breyner Andresen