Amor é...
Óleo de amendoim
Óleo de milho
Óleo de fígado de bacalhau
Óleo Fula
Óleo de palma
Óleo de soja
Óleo de girassol
Óleo need is love
Primavera
O louva-a-deus
na sua paralisia de pedra verde
Fita no céu
a valsa verde do pirilampo
Noite de insectos
chamando-se entre si num clamor
A terra range
cedendo aos caules que anseiam luz
Tédio
Estou por aqui
a ver passar os navios
Tardes tão longas
as visitas dos tios
Estou por aqui
a olhar p´ró balão
Passa um político
Afinal é o meu cão.
terça-feira, 14 de abril de 2020
"I am Your Man"- A Vida de Leonard Cohen por Sylvie Simmons
Sylvie Simmons escreveu uma biografia sobre Leonard Cohen, intitulada "I am your Man". A jornalista musical traça em seiscentas páginas o retrato interior deste cantautor canadiano. É uma narração ampla e tenaz, sobretudo na quantidade de informação apresentada e detalhes pessoais do biografado, e que nos parece tão bem feita que a sua leitura só faz aumentar o nosso conhecimento e curiosidade à volta do cantor. Cohen foi e será sempre recordado por canções como "Suzanne", "Famous Blue Raincoat", "So Long, Marianne", "I am your Man", sendo que ficará também na História como uma personalidade influente na poesia e na música durante muito, muito tempo.
segunda-feira, 13 de abril de 2020
domingo, 5 de abril de 2020
“Cafarnaum”: O Mundo pelo Olhar de Zein
“Cafarnaum”, que significa caos ou lugar de turbulência, é
um filme árabe de origem libanesa, que venceu o Prémio do Júri do Festival de
Cannes, em 2018. Nadine Labaki escreveu e realizou este filme, tendo, também ela, um pequeno papel enquanto actriz. Este é uma história de uma criança de um bairro pobre de Beirut que decide
processar os pais por ter nascido, melhor, pelo mau viver e maus tratos infligidos
por estes. Não é, por isso, uma história banal ou mesmo espectacular, o facto de ser tão crua e realista é
revelador de que há ali qualquer coisa muito próxima e tocante das personagens ali caracterizadas.
A realizadora filma o seu Zein do início até ao fim do
filme, as suas peripécias e anseios, como se estivesse a escalar o Monte Olimpo. Ela não larga o seu pequeno actor, plano atrás de plano, aproveitando a sua destreza e diálogo fácil junto da câmara. Abas Kiarostami dizia que o seu
cinema pretendia ser uma visão do mundo através do olhar das crianças. Nadine
Labaki parece ter escutado as suas sábias palavras, seguindo este lembrete da melhor
forma possível, ou então reviu muitas vezes filmes como "Pixote", de Hector Babenco, ou ainda "Los Olvidados", de Luís Buñuel. É que "Zein" parece não representar e, por isso, é por demais convincente e autêntico, cativando e prendendo o espectador num turbilhão de emoções, daí que o resultado só poderia ser belo e pungente.
Esta película conta ainda com a banda sonora de Khaled Mouzanar, num registo de enorme arrebatamento e delicadeza e tal, como já foi anteriormente referido, com um "actor" irrepreensível e magnetizante - Zain Al Rafeea. Caso para perguntar: quem pode ficar indiferente este retrato cruel de uma infância perturbadora
e dolorosa? O filme, no entanto, não pode ser visto como um dramalhão, sendo que as cenas passadas no parque de diversões ou no carrossel são pura magia cinematográfica, para além de uma fotografia que nos convida a intuir os cheiros, lugares e vivências ali
representados.
Uma última nota para referir que, aquando da apresentação do filme em Cannes,
o público presente prestou-se a uma ovação de quinze minutos na presença da realizadora, produtor e do seu actor de doze anos, de origem síria, que vivia à altura
em Beirut, mudando-se assim, à semelhança do que acontece no filme, não para a Suécia, mas sim para a
Noruega, onde actualmente já vai à escola. Pura premonição?
sábado, 4 de abril de 2020
PDL: Um Coração Invisível
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| Fotografia Carlos Olyveira |
E, subitamente, não há ninguém nas ruas da urbe
principal de São Miguel. Ponta Delgada está agora deserta, desde que há cinco
anos, com o aparecimento das companhias aéreas de baixo custo, se renovava de forma
intensa e imprevista com tudo aquilo que o turismo podia mudar para melhor:
iniciativa, criatividade e variedade na oferta de propostas, tanto comerciais
como culturais.
À parte as rendas para habitação de longa duração
que dispararam em flecha, algumas mesmo para preços estratosféricos, foi muito
interessante reparar na renovação de muitos edifícios e casas bem como no
florescimento do comércio nas ruas do centro histórico. A cidade de Ponta
Delgada ganhou, assim, uma nova dinâmica e colorido, pautada por um turismo
muito eclético e diversificado. Deste modo, apareceram restaurantes para
diferentes gostos e carteiras, alguns com muito bom gosto, cafés, lojas gourmet, galerias de arte e ainda outros serviços
comerciais que se adaptaram e restauraram a sua montra e leque de oferta.
Por esse motivo era, até há bem pouco tempo, muito entusiasmante
constatar os diferentes linguajares à volta dos cafés e das praças, misturados com o sotaque
local e ainda o ambiente de festa e de modernidade que por aqui se vivia. Por
esta altura do ano, deveríamos estar todos a viver intensamente os dias do “Tremor”, um
festival de música que todos os anos apresenta uma panóplia alargada de artistas
oriundos das mais distintas partes do mundo, com um programa muito sui generis e eclético,
marcado sobretudo por surpresas e descobertas. O dia principal do Tremor realiza-se a um sábado e é digno de registo e muito interessante verificar a dinâmica de que
como a cidade interage com próprio festival, pois os concertos podem ser
realizados, ora num café, igreja, estufa ou mesmo numa loja de roupa.
Ponta Delgada parece agora uma cidade adormecida,
ainda que estes dias iniciais da Primavera com muita luz não deixem a cidade
descansar de tanta beleza e comoção. O seu coração está, por agora, invisível,
porventura aguardando com esperança e paciência que as artérias que lhe davam vida possam de novo fazer circular
o seu melhor sangue.
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Palavras
Laure Prouvost
quarta-feira, 4 de março de 2020
Cá estão as Asas
“E era uma
vida incomparável, uma vida de alegria e entusiasmo em que se desenvolvia
aquele amor como uma flor ébria de seiva. Era uma vida livre, sem restrições
nem limites. Tinham a sensação de uma liberdade física absoluta, como se os
sentidos estivessem libertos de entraves desconhecidos, como se os olhos se
movessem mais livremente nas órbitas e as orelhas ouvissem sons que
habitualmente são imperceptíveis. Era uma vida de seres sobre-humanos. Que
maravilhosa sensação! Voar como os pássaros, em silêncio, no ar submisso; ver,
como deuses, a mudança ininterrupta de cenários; descer as planícies nos vales,
subir ao longo das colinas, andar de cidade em cidade, acompanhar os rios,
desvendar florestas, e tudo isto graças à potência dos músculos, ao funcionamento
correcto dos pulmões, à tenacidade do querer. E isto tudo sem quaisquer
inconvenientes. Gostam do sol que lhes aquece a nuca, mas também gostam da
chuva que os fustiga e do vento que os açoita, porque se sentem formidáveis,
vencedores dos elementos, donos do mundo.”
Maurice Leblanc, in “De
Bicicleta, Antologia de Textos”, Relógio D´Água, 2018.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
sábado, 15 de fevereiro de 2020
"Cine Voyage" de Vítor Rua & Daltonic Brothers no Arquipélago
A noite
prometia uma viagem, um percurso visual e sonoro à volta de imagens que fazem
parte dos sonhos e pesadelos de quem venera fotogramas em movimento. O itinerário
cinematográfico apresentado começou com encontros e desencontros de linhas e
geometrias que possibilitavam alargar fontes criativas bem como permitir derivas da imaginação. Só depois de algum tempo do trajecto gráfico inicial é que
fomos brindados pelas sequências cinemáticas a preto e branco do dealbar do
século vinte, tal como se tratasse de uma alucinação, em modo transe hipnótico. Uma andança entusiasta, ainda que programada, que só ficaria completa com o guitarrista projectado na tela a sugerir um corpo visível aumentado que se desloca no tempo e no espaço após ter sido engolido por tão onírica
expedição.
Da Arte
"Sou por uma arte que faça mais do que sentar o rabo no museu. Sou por uma arte que cresça não sabendo sequer se é arte, uma arte que é dada a hipótese de começar do zero. Sou por uma arte que se envolva com a porcaria do dia a dia e ainda saia por cima. Sou por uma arte que imite o humano, isto é, cómica se necessário, ou violenta, ou seja o que for preciso. Sou por uma arte que adquira a sua forma a partir das linhas da vida, que se torça e se estenda impossivelmente e acumule e cuspa e pingue, e seja doce e estúpida como a própria vida."
Claes Oldenburg in Arte na Cidade, de Mário Caeiro, Temas e Debates, 2018
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
"Os Açores de Madredeus" de Rob Rombout
Hoje estreia, na ilha do Faial, o documentário "Os Açores de Madredeus", com a presença do realizador Rob Rombout. O filme foi realizado há 25 anos em várias ilhas do arquipélago e, será exibido no Teatro Faialense, às 21h00.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
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