domingo, 29 de agosto de 2021

Um Verso de Miguel Machete (Bandarra)

 Temos na terra um dizer que é diferente do de fora

O Fim dos Princípios na Antena 1/Açores

            Uma voz segura e irrepreensível. Um tom justo e directo na leitura de poemas e textos diletos. O cuidado na escolha das músicas do jingle e do fecho do programa. A luz e a gravidade na abordagem aos imaginários literários. Um programa dedicado aos autores de livros que merecem ser lidos e escutados. A responsável pelo dito cujo é a Helena Barros. Aqui na Antena 1: https://www.rtp.pt/play/p9024/e563/www.rtp.pt/play/p9024/e563951/o-fim-dos-principios951/o-fim-dos-principios

segunda-feira, 26 de julho de 2021

"Mais uma Rodada" de Thomas Vintemberg

       "Druk" é um filme de Thomas Vintemberg e foi convertido para português com o título de "Mais uma  Rodada" e que, após ter estreado em Abril e uma presença vitoriosa em dezenas de festivais e na secção internacional dos óscares, chegou agora à sala do Teatro Micaelense.
    "Mais uma rodada" parte de um citação de um filósofo norueguês Finn Skårderud,   que sustenta que o nosso corpo necessita de 0,5 de álcool no sangue para funcionar como deve ser. Os quatro professores do filme passam a acreditar nisso, à semelhança de outras figuras históricas, ainda que tentem ludibriar e contornar quotidianos chatos e aborrecidos até que as coisas desatam mesmo a correr mal ou ultrapassam os limites do desejável. Nenhum mal vinha ao mundo se isto não se passasse  na organizada e ultra desenvolvida Dinamarca, país nórdico com altos índices de literacia e civilidade mas em que qualquer  iniciação à vida adulta é feita com a ajuda de quantidades colossais de álcool no sangue, com o hino nacional como pano de fundo. 
      Thomas Vintemberg filma obsessivamente Mads Mikkelsen (já o tinha feito em "Caça", 2013) - o seu olhar intenso e perdido, os seus movimentos delicados e bruscos, os seus gestos mais visíveis e secretos. Ele sabe, no entanto, que é um actor em estado de graça (basta ver a forma como dança no final), e é, pois, de uma segurança e brilhantismo que não se pode ocultar esta presença absolutamente estimulante e cativante. É por isso que "Mais uma Rodada"  faz jus ao título, sobretudo para lembrar que esta obra permanecerá na memória por muitos e muitos anos e, que quem a viu merece, por essa mesma razão, celebrá-la e fazer o respectivo pedido

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Obrigado, Dinis Botelho!

         Hoje foi-se embora um dos mais bonitos seres humanos que conheci em São Miguel: Dinis Botelho. Conheci-o há seis anos, quando aportei novamente por aqui, altura em que o concurso de professores me tinha trocado as voltas. Felizmente, guardei a energia para outras coisas que ainda hoje me orgulho de ter feito com outros tantos cúmplices, inclusive o Dinis. Por isso, publiquei, no Boletim Cultural Fazendo, Março de 2016, o meu primeiro encontro com este mestre das artes gráficas, aproveitando para relatar o seu trabalho tipográfico minucioso e a sua prolixa e fecunda abertura aos meus novos que despontavam interesse numa arte que nos parece muito antiga e que afinal continua  tão bela e actual (a Júlia Garcia que o diga)! Desta feita, sempre que alguém estava de visita a São Miguel, a Tipografia Micaelense era quase sempre a porta de entrada para conhecer o Dinis e o Eduardo no exercício das suas funções. Mais tarde, acompanhei também grupos de alunos que se espantavam com as máquinas, os tipos e a figura daqueles tipógrafos rodeados de letras e de tinta. O Dinis Botelho recebia sempre toda a gente com a modéstia dos mestres, a alegria de quem gosta do que faz e queria transmitir, a quem não sabia, o gosto por aprender. Não sei o que me irá acontecer quando voltar à Tipografia Micaelense sem vê-lo por lá com o cigarro em punho, não sei, mas sei que já tenho muitas saudades de cumprimentar o Dinis tal como gostaria de agradecer-lhe a alegria de muitos dias que fui vivendo por aqui! Obrigado, Dinis! 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

-"E a vida?

-Raros bons momentos intercalados numa grande chatice."

in "Diz-lhe que Estás Ocupado, Conversas com Alexandre O´Neill", edição Tinta da China, Maio, 2021. 

terça-feira, 6 de julho de 2021

Um Poema de Cesare Pavese

 És queimada como o mar,

como um fruto de escolho,

e não dizes uma palavra 

e ninguém te fala.

Tradução de Rui Caeiro, edições do Saguão, Abril de 2021. 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

FALTA#3: À VOLTA DA TIPOGRAFIA

 Quando se terá dado a origem da tipografia? Os factos apontam para uma história longeva carregada de pergaminhos que importa reportar. A FALTA está, assim, carregada de diferentes cambiantes e distintos itinerários rumo à sua compilação e respetivo produto final. Agora é tempo de agregar os vários registos e consentir a sua reunião. Dentro em breve estará pronta para folhear, manusear e pressentir os odores de tinta que foram secando e aglutinando as cores e as múltiplas formas incorporados no seu desenho final. A FALTA está com cara de querer ser vista? Cremos que sim, e junte-se, então, a capa e o miolo e para que o seu corpo ganhe forma e vá à procura dos seus leitores, que encontre o rumo desejado. Os dedos espreitarão a novidade e o sabor da curiosidade a cada página vista e folheada!  

quinta-feira, 10 de junho de 2021

FALTA/FALSO#3: Mattia Zoppellaro

           O FALSO desta FALTA remete de imediato para mentira, engano, trapaça, ficção, logro entre outras tantas "iguarias" de uso doméstico ou mesmo universal. Neste mundo de propagação lesta das Fake News e da inevitabilidade da “Pós Verdade”, são de facto muitas e diversificadas as fracturas expostas de formas contemporâneas de falsidades e fingimentos. Convenhamos, por isso, que estamos, há muito, habituados a ser confundidos, enganados, expostos a cópias, simulacros, daquilo que denominamos por realidade, isto é, somos levados pela corrente deste tempo acelerado, já para não falar de outras mentiras de que tão pouco temos conhecimento. Neste número 3 há uma entrevista ao fotógrafo italiano, Mattia Zoppellaro, que diz a determinado momento: “A razão principal que me leva a fotografar é a curiosidade. Eu não faço fotografias para comunicar, mas para conhecer a realidade.” Será esse o leit motiv desta FALTA, manter o espírito vivo da curiosidade e, se possível, apreender e conhecer a realidade que nos circunda?