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domingo, 14 de dezembro de 2025

Da Mobilidade

        Quando chegamos a uma cidade e percebemos que há mulheres e crianças a andar de bicicleta, à partida é uma cidade bem estruturada e segura. 

Nuno Labrador, in Expresso, dia 14 de Dezembro de 2025

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Da Memória

"O papel salvou-me sempre.
        Talvez até morra um dia soterrado em arquivos, mas aprendi que os maiores prazeres e as coisas mais fiáveis da vida se dão ao toque. O papel que leio, que manuseio, que tesouro, que guardo, que revisito deu-me memória, inspiração, enquadramento, contraste, futuro. Tenho arquivos sobre temas que amo, mas sobre os quais nunca escrevi (comboios, por exemplo), mas sempre na esperança de um dia vir a fazê-lo. O meu último livro, sobre Amália Rodrigues, não teria sido possível se não tivesse praticado esse "desporto" anos a fio.
     Se fosse padeiro, não guardaria o pão da semana passada. Se fosse médico, não colecionaria receitas. Calhou ser jornalista. Por isso, sou guardador e cuidador de papéis. Para mim, para outros. Os dias que correm estão a pôr-nos a jeito para a falta de memória. E de arquivos. Por este andar, não guardaremos nada para além do dia de ontem. E a memória de ontem é quase uma memória de peixe. No jornalismo, então, é uma doença mortal.”

Miguel Carvalho, Visão. 

domingo, 5 de julho de 2020

...que as Varinas eram as ovarinas de Ovar?

         "Sim, é verdade. As varinas, mulheres que em Lisboa vendiam peixe e se fixaram sobretudo no bairro da Madragoa, e mais tarde em Alfama e Mouraria, são descendentes das gerações de ovarinas vindas do litoral de Aveiro no início do século XIX, essencialmente do concelho de Ovar, para acompanhar os maridos pescadores. Com o tempo caiu a letra que as ligava às raízes e fixava  residência na sua alma. De Ovar trouxeram a atitude viva e desperta que fazia delas uma população inteiramente à parte. E era vê-las, atrevidas e ruidosas com uma canastra de fundo chato, que equilibravam na cabeça com imodesta habilidade."

Ana Rita Ramos, in Jornal Público, sábado, 4 de Julho de 2020