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| Paris, Texas-Wim Wenders |
domingo, 23 de novembro de 2014
Da Sinceridade
“As acções são muito mais sinceras do que as palavras"
Madeleine de Scudéry, novelista francesa.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Do Leitor
"Durante
a minha vida, fiz muitas coisas que não tinha decidido fazer, e não fiz outras
que tinha firmemente decidido fazer. Algo que existe em mim, seja lá o que for,
age; algo que me faz ir ter com uma mulher que já não quero voltar a ver, que
faz ao superior um reparo que me pode custar o emprego, que continua a fumar
embora eu tenha decidido deixar de fumar, e que deixa de fumar quando me
resignei a ser um fumador para o resto dos meus dias. Não quero dizer que o
pensamento e a decisão não tenham alguma influência na ação. Mas a ação não
decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria, e é
tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões. "
Bernhard Schlink, O leitor, pp. 16-17.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
70 anos de Mau Tempo no Canal
Num texto ainda por ler e intitulado "O Homem Açoriano e a Açorianidade", o professor António Machado Pires terá escrito: “A ilha em que nascemos é um eixo do Cosmos, uma pequena-pátria, um mundo de referências matriciais [...], um ponto de regresso ideal, uma Ítaca em que cada um é o Ulisses da sua própria e secreta mitologia”. Este ilustre pensador profere, amanhã, dia 21 de Novembro, pelas 19h30, na Biblioteca Pública João José da Graça, na cidade da Horta, uma conferência sobre os 70 anos da obra “Mau Tempo no Canal”, de Vitorino Nemésio. Será uma honra, uma distinta e enormíssima honra, ouvir tal personalidade eloquente e fascinante falar sobre tão afamada "obra nemesiana".
Um Poema de Renata Correia Botelho
falhámos tudo: entregámos
os livros ao sepulcro
das estantes, ao amor
janelas para cheirar a noite.
já nada nos lembra
que o poema só se forma
no fio da navalha.
Renata Correia Botelho, in Um Circo no Nevoeiro, 2009.
os livros ao sepulcro
das estantes, ao amor
demos um colo de horas
certas, deixámos de abrirjanelas para cheirar a noite.
já nada nos lembra
que o poema só se forma
no fio da navalha.
Renata Correia Botelho, in Um Circo no Nevoeiro, 2009.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Da Poesia
"A palavra, para existir, implica vida, vivência,
convivência. Essa é a palavra do poeta. A poesia só existe quando nasce de um
acontecimento existencial. Se não for assim, não me interessa. Os melhores
poemas são os que nascem da vida. São os poemas que a vida engendra. O poema é
o lugar onde a linguagem se transforma. O poema, para mim, é uma aventura, uma
felicidade, como o amor. Não faço poesia para angariar glória, não penso entrar
para a Academia, nem ficar rico. O meu poema, em geral, nasce do espanto."
Ferreira Gullar, antologia da poesia contemporânea
brasileira, edição Alma Azul.
domingo, 16 de novembro de 2014
Eu gosto da tua cara contra o fundo
Eu gosto da tua cara contra o
fundo
circunstancial, ocupas o espaço por onde a rua
se intromete, as tuas pernas magras no passeio
como as de um fantoche que só mexe os braços.
Ao canto uma árvore fazia sombra pequena
na desconversa. Estavas mais ou menos
a dizer: nenhum futuro neste sofrimento.
O teu melhor ângulo.
Rui Pires Cabral
circunstancial, ocupas o espaço por onde a rua
se intromete, as tuas pernas magras no passeio
como as de um fantoche que só mexe os braços.
Ao canto uma árvore fazia sombra pequena
na desconversa. Estavas mais ou menos
a dizer: nenhum futuro neste sofrimento.
O teu melhor ângulo.
Rui Pires Cabral
sábado, 15 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
A Magnólia
Ágil, estalava a tarde, lá fora
nos passos seguros de quem não tem
temor aos versos. acabara ali
o verão selvagem dos teus olhos,
aquele lugar fundo de água
e de flores onde um cão zeloso
guarda ainda uma biblioteca
e o segredo maior da tempestade.
sem dizer uma palavra,
fui fechando atrás de mim
as alamedas de Manderley,
e saí para comprar uma magnólia.
Renata Correia Botelho, in revista “Telhados de Vidro”, Edições Averno, 2009.
nos passos seguros de quem não tem
temor aos versos. acabara ali
o verão selvagem dos teus olhos,
aquele lugar fundo de água
e de flores onde um cão zeloso
guarda ainda uma biblioteca
e o segredo maior da tempestade.
sem dizer uma palavra,
fui fechando atrás de mim
as alamedas de Manderley,
e saí para comprar uma magnólia.
Renata Correia Botelho, in revista “Telhados de Vidro”, Edições Averno, 2009.
domingo, 9 de novembro de 2014
A Propósito de Estrelas
Não sei se
me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes, in Quem Quer Casar Com a Poetisa?, Quasi Edições, 2001
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes, in Quem Quer Casar Com a Poetisa?, Quasi Edições, 2001
sábado, 8 de novembro de 2014
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Ontem, escrito numa parede da cidade
-Qual é o alcance da tua existência?
-Alguns livros de poemas e 20kg de bagagem.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Nasceu no dia de hoje há 95 anos
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