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| Cartaz de Victor Marques |
quinta-feira, 2 de junho de 2016
quarta-feira, 1 de junho de 2016
3ª Sessão na Galeria Miolo
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| Fotografia de Carlos de Olyveira |
Douta Inquietude
Levaste
contigo a locomotiva
douta
inquietação a rasgar
as virtudes
do vento e do azul
as linhas do
céu plangente
cartas por
escrever com destino certo
ruidosos
dias estilhaçados
João da Ponte, Ponta Delgada, 12 de Fevereiro de 2016.
terça-feira, 31 de maio de 2016
João da Ponte: Um Activista Cultural!
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| Clique na imagem para Ler |
“A produção cultural em Lisboa é muito mais
fácil de fazer, em certo sentido. Noutro sentido, tem muito muito menos
interesse porque há muita gente a fazer. Vive-se, eu penso, muito mais de
resultados do que aqui porque a competição é feroz, a concorrência é feroz.
Aqui…quando nós começamos havia muita pouca gente a fazer coisas. Neste
momento, há mais algumas, felizmente. Mas, continuamos a ser poucos e há
espaço. E eu sinto que a pequena coisa que fazemos…, apesar de ser uma pequena
coisa, com pouco impacto, porque não teve nenhum reflexo nos media, por
exemplo. Apesar disso, valeu a pena…”
in “Causas por Amor”, entrevista
a João da Ponte, produtor cultural,
Revista Ilhas, Abril/Maio de 2002.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Porquê, João?
O João da Ponte faleceu, diz-me o
outro João. Dos amigos não apetece desconfiar do que dizem. Eu não quero
acreditar, não consigo. A notícia é triste, demasiado triste. O João é das pessoas que não devia morrer. O João
com quem eu partilhava o fim da tarde no ¾, as noites de poesia na Tascà, com
quem eu debatia cinema, política, teatro, futebol e tantas outras coisas que fazem com que a vida valha a pena. Sim, o João
gostava de discutir sobre tudo o que estava relacionado com a vida. O João
adorava viver. O João não devia morrer. E morreu.
domingo, 29 de maio de 2016
Resposta a Janeiro Alves no Maduríssimo Maio
Apreciei
abundantemente a ligeireza e a desfaçatez da sua carta, amigo Janeiro. Começo,
de facto, a ficar deveras preocupado com a sua falta de maneiras e inexistência
de delicadeza da sua parte. Serão, porventura, esses solilóquios junto da
natureza e da árvore de pinho que o fazem retroceder a essa força vital e
primitiva de outros tempos? Velhos, sim, foram os tempos em que o amigo Janeiro
se dirigia à minha pessoa com respeito e reverência. Um verdadeiro gentleman na
arte de congratular-se pelas bolas para o pinhal que tantas vezes lhe ofertei
em anteriores missivas. O que é que se passa consigo, meu bom amigo? Será a
febre dos fenos e seus respectivos esbirros e espirros?
A
verdade é que eu já desconfiava que o nome de “Janeiro Alves” pudesse estar por
detrás do enredo e consequente desaparecimento de mais uma obra prima de Miriam
Manaia. O que eu não sabia é que por
esse motivo o amigo Janeiro aproveitasse para viajar até à Rússia e apanhasse uma
valente bruega de vodka na bonita estação de Moscovo. Dizem, amigos comuns,
pertencentes à União dos Amigos de Eisenstein, que só faltou trautear Alfredo
Marceneiro e o “Playback”, de Carlos Paião, dado o fervor pátrio em que o nosso
amigo estava imbuído. E, por fim, ainda lamentou a nossa trágica sorte pela
perda das antigas colónias e os filhos e filhas que lá deixamos num manto de saudade
irreparável. Que triste, Janeiro Alves. O meu amigo talvez ainda não saiba, mas
tive uma fase da minha vida em que, também eu, chorava baba e ranho quando me
traziam uma garrafa de “groguinho” da Ilha de Santo Antão.
Deixe-me
dizer-lhe que sim, é verdade. Estou mal, muito mal, amigo Janeiro, pois sofro
de uma patologia para o qual soube há instantes não haver cura mas apenas uma
terapêutica preventiva. Padeço, portanto, de papiromania…um vício ignominioso e
obsessivo por papéis. A enfermidade é tal que me faz engoli-los ou
devorá-los consoante o momento em que os vejo ou encontro. Acordo sobrevoado de
papéis, deito-me com papéis e bebo a pensar ficar rodeado por estes que acabo a
julgar que, também eu, estou mergulhado até ao tutano nos célebres papéis do
Panamá. Nada a fazer, penso. Muito embora, a psiquiatra, a Doutora Alice Campos
Ferreira, me aconselhasse uma terapêutica de substituição: abrir uma conta no
Livro das Caras ou realizar diariamente três quilómetros de caminhadas junto do
mar!
Por último, espero que Janeiro Alves
se encontre bem aí para os lados de Belém. Coma, portanto, um pastel de nata
para diminuir a azia, o que certamente lhe fará bem às próximas missivas a
enviar e ajudará nas competências sociais a desempenhar.
Com um grande
abraço de amizade,
Doutor Mara
quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
Amanhã, na Galeria Miolo, pelas 21 horas
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Depois de uma primeira apresentação em que não coube mais ninguém, chegamos, inclusive, a pensar repetir no próprio dia, iremos voltar à Galeria Miolo na noite de amanhã, quarta-feira, dia 25 de Maio, pelas 21 horas. O João Malaquias vai assim afinando o texto e repetindo de forma sistemática as suas repetidas derivações: “Será que podes controlar o que os outros pensam de ti? Não. Não podes controlar o que os outros pensam de ti. Não podes. Podes é parar de pensar sobre isso, pois podes. À tua frente, um espelho para olhar. Fixas o teu olhar no espelho. Espelho que em latim se diz speculum. Eis o teu reflexo nesta distância que vai de ti aos outros. Devolve-te agora uma imagem que julgas ser autêntica, verdadeira, real. Um espelho inclemente que te diz que vais envelhecendo a cada dia que passa.” Ao Vitor Marques e Mário Roberto, responsáveis pela Galeria/Editora Miolo, e ao público e restantes pessoas que têm acarinhado e apoiado este monólogo, produzido enquanto espectáculo por apenas seis euros, champanhe incluído, o nosso mui obrigado!
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Missiva de Janeiro Alves neste Maio Maduro
Caro Dr. Mara,
À excepção do envio dos
inevitáveis filetes de peixe, todo o conteúdo da última carta que lhe remeti no
dia 1 de Abril não passou de um mero exercício de ficção, em nada
correspondendo à verdade. Espero que tenha apreciado.
Gostaria de lhe dar uma
explicação sobre o quadro subtraído da exposição da nossa amiga Miriam Manaia.
Tratou-se de uma cabala, meu caro. Foi recolhido por um indivíduo que se fez
passar por Janeiro Alves, mas que na realidade fazia parte de uma ala extremista
da Máfia Russa sedeada em Volgogrado. Os meus capatazes puseram-me em contacto
com o cabecilha, com quem encetei complexas negociações. Naquela mesma semana viajei
para a Rússia com o objectivo de resgatar a obra de mãos criminosas, e a missão
foi um sucesso. Não consegui trazer o quadro, mas fiz muitos amigos e
diverti-me bastante por lá. Fui muito bem tratado, e no final ainda fui
presenteado com um conjunto de bonecas russas em porcelana e duas garrafas de
vodka.
Esclarecido este ponto,
queria partilhar consigo o facto de me encontrar agora num período de reflexão,
e de ter regressado à jardinagem. A complexa e fascinante geometria das plantas
fornece-me concisas indicações de conduta, e alegres ilusões de beleza e
proporção. No final, a frescura da erva cortada e dos ramos podados cintila no
ar, e a passarada precipita-se harmoniosamente pelo jardim, comemorando uma
espécie de libertação das trevas. Acredite Dr. Mara que este retiro me tem
fornecido o vigor mental necessário para regressar com toda a pujança ao
implacável relógio suiço que é a cidade onde vivo.
Mas deixemos para trás os
pequenos trechos de quotidiano que salpicam a trajectória disforme da minha
luta, e foquemo-nos em aspectos mais relevantes, e que têm a ver com a sua
individualidade. Dir-lhe-ei desde já que me chateia, já para não dizer que me
aborrece, o facto de saber de si sempre por interposta pessoa. Sei tudo sobre
si, Dr. Mara, pese embora o facto de pouco me contar. Sei que anda muito
ocupado na escrita, que escreve para cinema, para teatro e mais além, para si
ou para alguém, de noite e de dia, à excepção de comer e beber, já não pára de
escrever. Dizem-me que o vêem de vez em quando a passar meio apressado, com a
barba por fazer, e com papéis a esvoaçar dos bolsos do seu casaco. Este seu
invejável fulgor na escrita seria para mim motivo de regozijo em toda a
plenitude do termo, não fosse a preocupante circunstância de o terem visto a
entrar no consultório de um psiquiatra. O que se passa consigo Doutor Mara?
Com a mais profunda amizade,
Janeiro Alves
sábado, 21 de maio de 2016
Mar
Faz-se
chamas com a fúria cava
de uma onda
ou a táctil cobertura
de uma
espuma
Começa em
silêncio, embalando
uma canção
de dentro, chamando
para a
distância a promessa do reverso
afundado do
mundo
Se digo mar
falo do
homens que não passam
de sobras
esquecidas para quem o destino
ilude, com
um mais do que desesperado brilho
o recorte de
um pesadelo
E acabam
com os
corações
pescados ao
largo de Lampedusa.
E não sei –
nem sabem estes versos -,
como deixar
que não seja o mar,
com o mesmo
som sem lamento e sem delírio,
que traga
mais ruína
à memória
com que ainda se escreve Europa
enquanto regressa
e acentua
a diferença
entre tempo e eternidade
e me
encontra à espera da manhã
a sua
superfície em frente,
como se
olhasse através do fim.
Rui Miguel Ribeiro, in “Mar”, livro de
fotografia de Tiago Miranda.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
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