quinta-feira, 18 de maio de 2017
domingo, 14 de maio de 2017
Do Poeta Misterioso
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
“Alexandre O´Neill
permanece, pelo menos para mim, um poeta misterioso. Um grande poeta misterioso
que entrou na língua portuguesa e nela ficou, autorizando-nos a usar como
nossas e de todos os dias as palavras e expressões que ele inventou. (…) Leiam-no
porque têm agora uma oportunidade de o ler numa bela edição da Assírio& Alvim, “Poesias
Completas& Dispersos”, editada por Maria Antónia Oliveira, a biógrafa e
investigadora do poeta. A edição integra os poemas das sucessivas edições na
Imprensa Nacional das Poesias Completas de 1951 a 1986 (algumas coreografadas à
luz de novo conhecimento) e de outro livro de poesia “Anos 70: Poemas Dispersos”,
de 2015, recolha de Maria Antónia Oliveira.”
Clara Ferreira Alves, in Revista do Expresso, 6 de Maio de 2017
Trespassados
"Não vão ser só os portugueses a ficar muito pobres nos próximos dez anos. Até as raças superiores terão de conter despesas e isso pode ser uma vantagem para nós: mais pobres, os do Norte talvez se sintam tentados a trocar Bali ou Rajastão como destino de férias de praia ou "culturais" em favor de locais mais baratos: as praias e o património exótico situado nas traseiras das suas casas.Portugal pode ser um desses destinos caseiros de emergência e, em vez de investimentos em eólicas, ou seja de atirarmos dinheiro ao vento, devíamos dedicar-nos a melhorar as praias, o acesso às praias, os hotéis, os campos de golfe, o património histórico-artístico português...e a disfarçar o melhor possível a devastação da paisagem urbana e rural a que nos dedicamos com afinco há 50 anos."
Paulo Varela Gomes, in Público, 16 de Abril de 2011
sábado, 13 de maio de 2017
sexta-feira, 12 de maio de 2017
A Terra Vista do Mar de Davide Enia
"Tinha cinco
anos. Era a primeira vez que nadava sozinho dentro dele. Eu. Dentro do mar. E
ele. O mar: acolhia-me. Um abraço quente. E carinhoso. Estava tão contente eu.
Tinha cinco anos. E depois. Eu mijei dentro do mar. Com todo o meu ser mijei dentro
dele. Tudo estava tranquilo. À minha volta. Dentro de mim...que já perdi tantas
memórias. Demasiadas. Mas ainda me lembro de quando tinha cinco anos. Eu.
Estava a nadar pela primeira vez sozinho dentro do abraço quente do mar em Agosto. E mijei dentro dele, eu. Enquanto ele, o mar, nunca me pediu nada em
troca, nem perguntou porquê, só o seu murmúrio sedutor e leve, as ondas
delicadas, às vezes suspensas às vezes rebentadas, que murmuravam languidamente
ao meu ouvido de miúdo: mija...mija...mija"
excerto
de "A Terra Vista do Mar", Davide
Enia, tradução de Letízia Russo edição Livrinhos de Teatro dos Artistas Unidos.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Tabacaria Açoreana
É esta a minha rua – decidi
eu, por razão nenhuma.
Um grupo local, já velho, discute
diariamente política nacional.
Indiferente, e não menos assíduo,
o cão branco ladra (ou pede
afagos?)
na varanda por caiar da casa em
frente.
E há tabacos, jornais, revistas,
uma espécie de jardim
onde os fantasmas se riem
da nossa rude e descrente
democracia.
De quando em quando, um vulto
suspeito pede-me lume, light,
algo que já não «bruxuleia firme»
– ou os rigorosos vinte cêntimos
que prefiro recusar, num sorriso
coxo.
O cão recolhe-se. Não se lembra
do tempo em que a Casa das
Palmeiras
trazia fausto e povo rico a esta
rua
que se tornou tão minha.
Mesmo que não regresse.
Manuel de Freitas, Portas do mar, edição do Autor,
2011, com capa e ilustração de Urbano.
terça-feira, 9 de maio de 2017
segunda-feira, 8 de maio de 2017
A Periferia da Periférica
“Neste sentido, é importante investir em
iniciativas que façam a ponte entre quem aqui trabalha e que, no âmbito de uma
residência artística, um workshop, uma formação técnica, ou simples
conferência, partilhe conhecimento com quem está mais longe dos centros, onde
este tipo de experiência é mais regular, está disseminada de forma mais
abrangente e não se encontra reduzida a uma cadência pontual e para uma público
circunscrito, como é o nosso caso.”
Alexandre Pascoal, in Açoriano Oriental, 8 de Maio de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
A Ilha em Imagens
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| Francisco Afonso Chaves Colecção Museu Carlos Machado |
Hoje é sábado e nem sombra dos
volantes pés de Tatiana Grenkova no palco do Teatro Micaelense. Decidimos por
isso esclarecer arrumações, asseio e demais organização de tudo aquilo que nos
está em redor. Uma certeza: amanhã é domingo e, se não for para mapear e nutrir para dentro, isto é, desencantar e desarrumar o abecedário, alimentar memórias e puxar o lustro às palavras pois não terá valido a pena a passagem das horas, ai esse tempo ceifeiro que em nós habita. Aqui mesmo ao lado, há também e, sobretudo, no Núcleo de Santa Bárbara, as fotografias de Francisco Afonso
Chaves para (re) ver. É uma pequena parte das sete mil imagens do eminente naturalista que
adorava fotografar, algum tempo após ter
deixado Lisboa e se ter fixado no arquipélago, residindo aqui a maior parte da sua vida. A exposição dá pelo nome de “A
Imagem Paradoxal” e é uma experiência sensorial e visual riquíssima, essencialmente, quem desconhece ou até mesmo para quem conhece estas paragens.
sábado, 6 de maio de 2017
As Mãos da Pianista
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Diogo Fonseca expõe no Hostel Out of Blue
Diogo Fonseca
inaugurou ontem a sua primeira exposição de fotografia no “Hostel Out of Blue”.
Num corredor contíguo à sala de estar deste alojamento local estão expostas
sete fotografias com o título conjunto “A Viagem”. As imagens exploram a ideia
de périplo no perímetro insular, onde o grão adensa o mistério e a dúvida,
marcados pelas intensidade e a textura das paisagens locais, evidenciando a
pujança e tonalidade de formas e cores. Este trabalho fotográfico
revela cuidado e intencionalidade prévias, visível nos suportes e disposição, sendo prenúncio de bons augúrios para promissoras
propostas futuras. PS-As fotografias da inauguração desta exposição foram realizadas pelo fotógrafo Carlos Olyveira.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
"Amarcord" o filme da vida de Zeca Medeiros
![]() |
| Amarcord será exibido dia 27 de Maio no Teatro Micaelense |
Este filme de
Federico Fellini foi realizado em 1973 e retrata Itália dos anos 30, a vida na cidade
de Rimini e de um adolescente daquela altura. Num misto de ficção e realidade, pois trata-se das
recordações do realizador, Amarcord é um quadro pitoresco e fantasmagórico pré-segunda Guerra Mundial e onde se anuncia já a presença de Il Duce.
Federico Fellini convocou para
este filme a sua galeria de personagens extravagantes, dando assim a conhecer
os tempos da sua juventude e a sua visão da Itália daquele período, contando
para isso com a música evocativa, plena de imagens, de Nino Rota. O realizador explicaria alguns
anos mais tarde, numa conversa com Damian Pettigrew, as razões que o levaram a
realizar tal filme: "O Amarcord é uma reflexão sobre a
incapacidade de observarmos criticamente o nosso passado fascista, um passado
que recusamos, mas do qual nunca nos poderíamos separar: o que faz parte do
passado de cada um de nós forma inalteravelmente uma parte íntima de si
próprio. Por isso o Amarcord é mais um exame do presente do que uma nostalgia.
Na realidade, quando foi estreado o Satyricon, muitos viram o filme como um
comentário sobre o Maio de 68. Creio que filmes como Casanova ou O Navio podem
ser interpretados como reflexos de uma certa actualidade, como o jornal da
noite. (...) Muitas vezes simplifiquei o sentido cabalístico da palavra
amarcord, dizendo que é um termo romagnolo e que significa
"Lembro-me". Mas não é bem verdade. Penso que a ideia original me ocorreu
depois de ter lido qualquer coisa sobre o sueco defensor do aborto Hammercord,
e que a sonoridade do seu nome o ponto de partida. Se se juntarem as palavras
amare (amar), cuore (coração), ricordare (lembrar) e amaro (amargo) obtém-se
Amarcord."
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