terça-feira, 7 de dezembro de 2021
"Curta Açores" na Ribeira Grande
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Foguetório
diz a antena, o écran, talvez o radar
é tempo do sacrifício, ossos contínuos
do ofício, desafios, por fios silenciamos
anda ver arder em Agosto o nosso sol
como um desgosto todo o ano
ninguém ganha uma pátria por acaso
ninguém nasce aqui por engano
ter um país é ter uma casa e não
um acaso de que só agora acordamos
Os teus dedos dão o sinal
há uma mão que o teu cabelo penteia
o país do risco ao meio no mapa
pisa o chão e calcorreia sem limite
é esse o nosso único propósito
depositar esperanças no sol e no vento
correria louca dos santos e dos mártires
desperta em nós floração
Quem viu a semente ser lançada?
pequena lembrança de um gesto
um balão rebenta em cores
cavalo rosa move-se a planar
subirá, subirá, subirá
Há um miolo de festa na boca
coro entrelaçado de gente
cai no chão aquecido embrulhado
urgente despe-se à luz de um tecido
levanta-se o véu sem escarcéu
e teme esta secular resistência
defendendo o corpo a corpo
enérgico o toque do sono
dá toque a reboque e cresce
entrada tardia em cena
riso cândido não é derrota
é o carrossel da animação
há a rapidez ao rodar da estação
entrou o Outono terminou o verão
desce à tristeza vem à melancolia
caro contentamento do adeus, enfim,
vitória ao vento, bóias ao mar,
pintar o quadro romper o círculo
Como foi possível chegarmos aqui?
Trazemos duas tábuas nos braços
chove tanto em Penafiel
laço antigo guarda-chuva caído
janela entreaberta e espreitar
vestidos e cortinados à porta
um raio contínuo de luz que entra
o capacete barroco ilude a queda, a morte,
veloz tirania do tempo presente
impaciente volúpia que rasga
gradação incerta da luta
graciosidade humana da criação
explode em brilho até o foguete cair
Nós?
(texto escrito a 27 de
Setembro de 2012, enquanto assistia ao espectáculo "Arraial" da
companhia Circolando no Mosteiro São Bento da Vitória, com o sonoro apoio dos Dead
Combo)
domingo, 5 de dezembro de 2021
Um Poema de Ana Paula Inácio
A mesa é feia e baixa, a cozinha escura e alta.
E elas? São duas,
mulheres, estranhamente longilíneas.
O tampo limpo. Os copos
secos. A lâmpada mal enroscada.
A roupa a bater nos
vidros.
Batem à porta. Deixa
entrar. É só o vento. Deixa passar.
Amanhã é domingo.
in "Vago Pressentimento Azul por Cima", Setembro, 2020 (Porto, Ilhas).
sábado, 4 de dezembro de 2021
Neste Mar...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
"notas sobre um naufrágio" de David Enia
"Alguém
tentou remar, usando os braços por cima da borda. Alguém saltou para a água,
tentando arrastar o bote a nado.
Um
homem de quarenta anos aconselhou Bemnet a não se lançar ao mar, a não remar
com os os braços, a ficar quieto, a poupar todas as suas energias, a não
gastar forças.
Soou
quase como uma ordem.
Bemnet
decidiu dar-lhe ouvidos.
Alguém
tinha a garganta tão seca que tossiu sangue.
Alguém,
transtornado com sede, bebeu água do mar.
Verificaram-se
as primeiras agonias, seguiram-se os primeiros vómitos, dentro e fora do bote.
Surgiram
os primeiros casos de alucinação e os primeiros desmaios."
Edições Dom Quixote, 2021.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
Van Gogh por Van Gogh de Jorge Sousa Braga
Gostaria
de ter sido um girassol. Um girassol hirto no seu caule, de
longas
folhas verdes desajeitadas e uma enorme corola doirada, se
guindo
cegamente o sol.
Estou
só e a minha cabeça explode em milhões de girassóis.
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
Fim de Semana Musical no Arquipélago
sábado, 27 de novembro de 2021
"Ir Indo" de Joaquim Castro Caldas
a gente aprende
o coração à lareira
que
se fica a ir
e
reacende
até
que um dia
alguém se lembre
in Magoa das Pedras.


