It´s four in the morning, the end of December
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Notícias da Feira Gráfica 2024
![]() |
| Alunos da E.S.Antero de Quental |
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
domingo, 1 de dezembro de 2024
Fim de Semana: Teatro e Cinema na Ilha!
Final de Novembro, fim de
semana, ilha de São Miguel. Dias marcados por temperaturas amenas e algumas nuvens, permitindo-se, por vezes, a alguns
aguaceiros. Nada de muita monta, nada que estrague o tecido capilar. O fim de semana está aí e com ele o tempo livre
para espreitar a programação dita cultural. Há teatro no Ribeiragrandense (que
teatro tão lindo!) e ainda há filme português premiado no Cineteatro Lagoense. Que
surpresa maravilhosa, estas propostas. A data do aparecimento destas duas salas remonta ao
início do século XX, as mais antigas da ilha de São Miguel, porventura, ainda a dar o melhor de si, um século depois. Que força do passado podemos agora presenciar!
Comecemos pela noite de sexta-feira,
o cardápio sugere a peça “A Descoberta das Américas”, solo-monólogo do experientíssimo
actor-formador Júlio Adrião, oriundo da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Uma experiência teatral que ficará na memória durante
os próximos anos, um expoente maior do uso da língua portuguesa em palco. Um verdadeiro encontro entre povos e a força do antigo colonizador e colonizado. São cerca de oitenta minutos, com o actor sozinho em palco, num diálogo com o narrador e com o personagem, fazendo pausas e sons da própria narrativa, com repetições hilariantes, obrigando-se,
assim, a um exercício físico imparável com
toda aquela carga simbólica do português do Brasil e do castelhano que vai usando aqui
e ali. Uma delícia! Espectáculo ganho, parabéns ao Festival POP, pela ousadia e pelo facto de
ter sido na Ribeira Grande, lugar duns poucos que acreditam que as Artes
de Talma pode fazer a diferença e que vaticina o quão faz falta esta arte e do que esta terá de trilhar em todos os lugares da ilha.
E depois, há cinema português com projecção em sala (quem diria?), desta vez num sábado outonal e solarengo, a meio da tarde, ali estava a sala do Cineteatro Lagoense com “Great Yarmouth - Provisional Figures", filme de Marco Martins de 2022. Sessão que contou com apenas quatro pessoas no público, provalvemente com divulgação reduzida ou fraco investimento institucional. Num tempo de mentiras, a ausência de pessoas na assistência serve apenas para adensar e justificar o discurso rancoroso aos que mudam de lugar, aos que arriscam um futuro diferente noutras paragens. De que serve um ciclo dedicado aos migrantes, aos que entram e partem, aqueles que pretendem melhorar as suas vidas noutros sítios que não os locais de origem, se depois, quotidianamente, não celebramos e honramos a sua façanha, se continuamos a não valorizar o seu gesto, se não presenciamos este encontro com a sétima arte? “Great Yarmouth - Provisional Figures" é um libelo cinematrográfico duro, intenso, marcado por uma actriz em estado de graça – Beatriz Batarda. E que força tem esta Beatriz, que vive e revive, porta-bandeira daquela comiunidade em desespero, filmada até à exaustão no seu mosaico de acres e álgicos sentimentos. Filme que nos perturba e assombra sem deixar de ser belo e poético! Que fim de semana artístico pleno de arte e beleza nos palcos e écrans! Um bem haja aos que o tornaram possível!
sábado, 30 de novembro de 2024
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
Outono de Paulo Ramalho
Pensa
que subitamente alguém te dá uma árvore nua
e lhe chama só outono. A seguir terás chuva
e mais chuva, pesar-te os ombros com nuvens
e o vento descarnará os teus cabelos ainda antes
de vindimares o verão. Depois habitares ao pé
desses galhos secos, perdido, alheio e triste
entre as pequenas rugas dos teus dias.
Transpõe as portas do frio outono apenas quando
todas as uvas tiverem amadurecido nos teus lábios.
e lhe chama só outono. A seguir terás chuva
e mais chuva, pesar-te os ombros com nuvens
e o vento descarnará os teus cabelos ainda antes
de vindimares o verão. Depois habitares ao pé
desses galhos secos, perdido, alheio e triste
entre as pequenas rugas dos teus dias.
Transpõe as portas do frio outono apenas quando
todas as uvas tiverem amadurecido nos teus lábios.
terça-feira, 26 de novembro de 2024
domingo, 24 de novembro de 2024
sábado, 23 de novembro de 2024
A Deflexão da Luz nos Teus Olhos
Bebo ainda do azul que tu
és de um modo diário
repartido pelos minutos
quase comensal
como se mergulhasse todas
as tardes no mar
com o teu nome nos pulsos
duas mãos cheias de sol
e o teorema do poema
perfeito
Mas enquanto nado para
longe de ti
o recorte do verso que
comigo fende a água
traz inscritas as rugas
desse sorriso
que penúltimas ondas
ofertam às sílabas
Também nisso estamos
juntos - a deflexão da luz
nos teus olhos é
simétrica do meu cansaço ao nadar
Paulo Ramalho,
in Órbitas Elípticas em Torno do Silêncio, apresentação na Livraria
Letras Lavadas, dia 22 de Novembro de 2024.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
Santo Amaro Sobre o Mar
domingo, 17 de novembro de 2024
Hadsel: Lugares Aonde Ir
Hadsel é um local do norte da
Noruega, pontuado por quatro ilhas que, por esta altura, já tem alguma neve e
faz algum frio. Zachary Condom, vocalista da banda americana Beirut, sentia-se perdido, sem alma, e, depois de
muitas viagens, aeroportos e concertos,
pensou que se fosse ali parar as coisas voltariam a fazer sentido. Um norte
americano nos confins do norte europeu. Uma ilha em forma de branco no Inverno
talvez o ajudasse. E como ele é
criativo, que muito gosta de se lançar em desafios foi, então, que partiu para Hadsel em busca de
um lugar para poder respirar novamente.
Hadsel é, por isso, um álbum de recolhimento, à semelhança de uma doença que se instala e que necessitamos de tempo para o recobro, repouso, retiro. Tempo necessário para que que possamos voltar a estar connosco afastados do mundo e dos outros. É, pois, um álbum de incursão na interioridade e nessa forma particular de insularidade nortenha. E é nisso que “Hadsel” surpreende, por ser de facto um mergulho na vida insular norueguesa, naquela igreja com um órgão de fole, um harmónio que o ajudou a reconciliar-se…com a vida, connosco, com o mundo. A faixa “Island Life” é, evidentemente, o retrato mais puro desse retiro forçado que nos faz mergulhar nessa luz interior, no amor e na dor mais intensa. Esse lugar aonde ir.
Hadsel é, por isso, um álbum de recolhimento, à semelhança de uma doença que se instala e que necessitamos de tempo para o recobro, repouso, retiro. Tempo necessário para que que possamos voltar a estar connosco afastados do mundo e dos outros. É, pois, um álbum de incursão na interioridade e nessa forma particular de insularidade nortenha. E é nisso que “Hadsel” surpreende, por ser de facto um mergulho na vida insular norueguesa, naquela igreja com um órgão de fole, um harmónio que o ajudou a reconciliar-se…com a vida, connosco, com o mundo. A faixa “Island Life” é, evidentemente, o retrato mais puro desse retiro forçado que nos faz mergulhar nessa luz interior, no amor e na dor mais intensa. Esse lugar aonde ir.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









