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| Fotografia: Tiago Rodrigues |
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Encostas a Face à Melancolia
Encostas a
face à melancolia e nem sequer
ouves o
rouxinol. Ou é a cotovia?
Suportas mal
o ar, dividido
entre a
fidelidade que deves
à terra de
tua mãe e ao quase branco
azul onde a
ave se perde.
A música,
chamemos-lhe assim,
foi sempre a
tua ferida, mas também
foi sobre as
dunas a exaltação.
Não ouças o
rouxinol. Ou a cotovia.
É dentro de
ti
que toda a
música é ave.
Eugénio de Andrade
domingo, 18 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
Herberto Helder
se um
dia destes parar não sei se não morro logo,
disse Emília
David, padeira,
não sei se
fazer um poema não é fazer um pão
um pão que
se tire do forno e se coma quente ainda por entre as linhas,
um dia
destes vejo que não vou parar nunca,
as mãos
súbito cheias:
o mundo é só
fogo e pão cozido,
e o fogo é
que dá ao mundo os fundamentos da forma,
pão comprido
nas terras de França,
pão curto
agora nestes reinos salgados,
se parar não
sei se não caio logo ali redonda no chão frio
como se
caísse fundo em mim mesma,
a mão dentro
do pão para comê-lo
-disse ela.
-disse ela.
Herberto Helder "A Morte sem Mestre", 2014, Porto
Editora (p. 29)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Tempos Modernos no Auditório da BPAJJG
O filme "Tempos Modernos", de Charlie Chaplin, será exibido amanhã, sexta-feira, dia 16 de Janeiro, às 21 horas, na Biblioteca Pública e Arquivo João José da Graça, na cidade da Horta, Ilha do Faial. Trata-se de um ciclo de três filmes, sempre às sextas-feiras, sobre este realizador inglês, nascido em Londres, em 1889, e que se viria a tornar uma referência importante na História do Cinema do século XX. O filme, com o título original de “Modern Times”, foi realizado em 1936 e é uma crítica mordaz e rábula inteligente “à industrialização e às máquinas que passaram a tomar conta da vida e do tempo dos seres humanos à escala planetária”.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Há 30 anos...
Fotografia dos Madredeus na Ilha do Faial
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A onomástica desse período - há trinta anos - é
marcada pela atribuição às raparigas dos nomes de Ana, Carla, Maria, Sandra e
Claúdia e dos rapazes por Ricardo, Pedro, Nuno, João e Bruno. O norte-americano
Tom Waits lançou o álbum de originais “Rain Dogs”.Na televisão o acontecimento é
o Live Aid, organização planetária que apresenta o arrojo de Bob Geldof e a coragem de Bono Vox dos
U2 e que é visto por mais de um bilião de pessoas. Às salas chegam dois filmes que
chocam a opinião pública: Je vous salue, Marie, de Jean-Luc Godard, com Myriem
Roussel e Juliette Binoche e “O Beijo da Mulher-Aranha”, de Hector Babenco, com
William Hurt, Raul Juliá, Sónia Braga, José Lewgoy e Milton Gonçalves. No
cinema em Portugal surge "Um Adeus Português"do realizador João
Botelho, o primeiro filme português de ficção a abordar de forma explícita a
guerra colonial e João César Monteiro realiza “À Flor do Mar”, tendo Teresa
Villaverde como actriz. José Afonso, bastante debilitado, edita um novo LP de
originais intitulado“Galinhas do Mato” com a companhia dos músicos: Júlio
Pereira, Luís Represas, Helena Vieira, Janita Salomé, Né Ladeiras e José Mário
Branco. Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica) e Rodrigo Leão (teclados)
encontram-se para formar um novo grupo musical. Um ano depois gravam "Os Dias da Madredeus" no Convento da Madre Deus, em Xabregas. Até hoje mais nenhum grupo português conseguiu semelhante reconhecimento internacional.
domingo, 11 de janeiro de 2015
O Núcleo da Claridade
"Numa manhã de Março de 2010,
voltei à casa de Queluz, onde Ruy Belo vivera. Aí se encontram actualmente os
versos escritos por sua mão e muitos outros papéis, livros, documentos,
objectos, ou as fotografias em que se encontra retratado. Elementos em que fora
deixada a sua marca indelével. Tencionava voltar a fotografar a casa, na
continuidade de Ruy Belo - Coisas de Silêncio, agora dez anos volvidos sobre a
publicação desse livro. A casa mantém-se nos seus aspectos essenciais, tal como
eu a encontrara dez anos antes, mas tomava agora consciência que não fazia para
mim sentido voltar a fotografar esse espaço. A sua escrita, os seus poemas,
abriam-me outras linhas de pensamento:"
Duarte Belo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Poemas no Silêncio da Gaveta
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
...
o destino
deu-me uma frustração
para cada sonho
e em cada uma dessas frustrações
pôs fermento
com um amor não correspondido
ou um desgosto do género
o Benfica perder o campeonato a dois minutos do fim
ou nos pênaltis
ficar sem receber e sem saber quando ia receber
sofrer com a falta de dinheiro
e comer pão com ovos muitos dias seguidos
coisas desse género
o destino pegou nas árvores que tinha plantado
enquanto criança
e fez delas estacas
pediu à sorte para mas espetar
no coração
mas só havia um buraco no lugar do coração
o meu coração engoliu as árvores que em criança
alguém plantou por mim
e cuspiu um caroço pequenino
com a forma de um buraco sem fundo
o destino disse-me que era boa ideia morrer
e eu acreditei muito nele
como quando antes me disse
que era boa ideia ser escritor
ou jogador de futebol
eu acreditava muito no destino
mesmo depois dele ter começado a mentir
era como o melhor amigo
a mãe, a namorada.
Júlio Ávila
para cada sonho
e em cada uma dessas frustrações
pôs fermento
com um amor não correspondido
ou um desgosto do género
o Benfica perder o campeonato a dois minutos do fim
ou nos pênaltis
ficar sem receber e sem saber quando ia receber
sofrer com a falta de dinheiro
e comer pão com ovos muitos dias seguidos
coisas desse género
o destino pegou nas árvores que tinha plantado
enquanto criança
e fez delas estacas
pediu à sorte para mas espetar
no coração
mas só havia um buraco no lugar do coração
o meu coração engoliu as árvores que em criança
alguém plantou por mim
e cuspiu um caroço pequenino
com a forma de um buraco sem fundo
o destino disse-me que era boa ideia morrer
e eu acreditei muito nele
como quando antes me disse
que era boa ideia ser escritor
ou jogador de futebol
eu acreditava muito no destino
mesmo depois dele ter começado a mentir
era como o melhor amigo
a mãe, a namorada.
Júlio Ávila
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
A Melancolia e o Ano Novo
Na caixa dos correios uma agenda
com palavras e frases à solta e à volta das ilhas e dos ilhéus. Obrigado, Diana
e João! Os Açores, sempre. As Charlas Quotidianas do Doutor Mara logo no início de
Janeiro deste ano no palco da Travessa dos Artistas com o João Malaquias e a Judite
Fernandes. Este ano que finda e outro que agora começa. Depois do cinema belo e
tocante do Joaquim Pinto e Nuno Leonel, é só deixar tocar as canções das
cantoras: Sharon Van Etten, Joana Newson, Márcia e Angela Olsen. Os Beirut vistos em Coura. As noites de poesia com o Malaquias, o Leonardo e tanta gente. Dois poemas
publicados na colectânea do Silêncio da Gaveta. Saudades do Maçariku que partiu
no início do verão, a leitura de todos os livros de Paulo Varela Gomes, ainda as crónicas da
Alexandra Lucas Coelho e os livros de fotografia do Duarte Belo. As ilustrações do Luís Brum e do Pedro Valim. A poesia da
Renata Correia Botelho, Urbano Bettencourt, João Paulo Esteves da Silva, Ana Paula Inácio, Herberto
Helder, Heitor Aghà Silva, Rui Duarte Rodrigues e Marta Chaves. A memória, a humanidade, a natureza
nos filmes de Agnès Varda, Dino Risi, Paulo Abreu, Mario Ruspoli, Miguel Clara Vasconcelos, Alexander Payne e Luís Bicudo. As fotografias do Eduardo Brito e a escultura de Susana Aleixo Lopes. Os pescadores Isauro Rosa e Jáfoneca. A troca epistolar com Janeiro Alves. O Boletim Cultrural Fazendo.As
cidades de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Horta e Lisboa. A Póvoa. Os amigos e amigas que moram no coração. Um futuro
2015 pleno de sábia melancolia.
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