terça-feira, 20 de abril de 2021
Uma bela história, não interessa se verdadeira ou não.
sábado, 17 de abril de 2021
Abril no Almanaque do Camponez
A aurora principia às 04h, e 17m.O Sol nasce às 07h. e 23m. De 1 a 30, os dias crescem 1h. e 12 minutos.
O signo que domina de 22 deste mês até 21 de Maio é o Taurus e o Planeta Vénus. Promove ventos centrais secos e melancólicos. No crescente, semeia pevides de melão, melancia, cabaça, pepino, alface, milho, feijão, couve-flor, rabanetes, abóboras e tomates; planta em terra fraca e bem adubada, batata doce; enxerta; planta morangueiros, evitando o estrume de besta; sacha e pulveriza os batatais e deita-lhes bastante cinza para teres boa batata; tosquia o gado lanígero.
in Almanaque
do Camponez, Repertório Crítico, Cómico e Prognóstico, 104º ano de
Publicação para 2021, fundado por Manuel Joaquim de Andrade.
sexta-feira, 16 de abril de 2021
"Para os Açores ou para o Inferno"
"Regressada
a paz aos oceanos, Knud sente a necessidade de voltar a velejar para recolher material
para a sua escrita e traça um objetivo: Açores. Finalmente chegara a hora de
visitar as “ilhas abençoadas e temíveis”. Sonda marinheiros que vai encontrando
para saber mais sobre o arquipélago, mas não consegue mais do que histórias
ouvidas e recontadas. Toda a viagem é preparada a partir das informações que
recolhe nas bibliotecas e enciclopédias. Toma notas sobre tudo o que lê:
história, cultura, clima, geografia e geologia. Procura um veleiro e a escolha
recai sobre o Sejleren, mais uma vez um velho pesqueiro sueco de onze metros.
Os planos revelam-se difíceis, o núcleo familiar alargara-se e a guerra
consumira recursos. Os preparativos e os custos da equipagem exigem agilidades
financeiras, mas não terá sido difícil convencer a família Andersen, toda ela
contagiada pela folia do mar e cansada das insanidades e provações da guerra.
Um revés de última hora ameaça a viagem, as autoridades consulares portuguesas
negam os vistos de entrada e, perante a insistência de Knud, ameaçam mesmo com
a detenção ao primeiro desembarque em porto nacional. O escritor não se deixa
abalar, embarca a família no Sejleren juntamente com livros, instrumentos
musicais e jogos. Escreve a primeira entrada no diário de bordo: “Para os
Açores ou para o Inferno! Dia 16 de abril de 1947, 12:00 horas”. Está dado o
mote de partida. Knud tinha então 57 anos e esta seria a sua última grande
viagem oceânica."
in "A Folia do Mar" de Elísio Marques e ilustração de André Chiote, in Revista FALTA nº2.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Retrospectiva de Peter Casper na Galeria Camarupa, Ilha do Faial
Doutor Mara: Uma pergunta para
um milhão de euros: a arte tenta imitar a vida?
Peter Casper: Eu diria que
a arte tenta perceber a vida.
DM: Nós, portugueses, somos os
responsáveis pela invenção do Nónio, a Geringonça, o Pastel de Belém, a Caixa
Multibanco e a Via Verde. O que é que ainda é possível inventar?
PC: Tendo em conta que a
maioria das invenções que o Doutor Mara refere são praticamente contemporâneas,
podemos deduzir que o espírito criativo do português não cessará com tal
fugacidade.
DM: Sei que Peter Casper não
considera a atitude estética uma disposição, mas sim um ato, porquê?
PC: Eu diria que é um acto
que temos à nossa disposição. Uma atitude estética não é necessariamente uma
acção criativa. Poderá ser contemplativa ou reflexiva, e poderá (ou não) vir a
resultar num produto final palpável.
DM: Peter Casper disse um dia:
"a satisfação de desejos e necessidades está sempre presente em quem cria,
escreve, pinta, toca, assim como em quem observa, lê, escuta". Isto
significa que não existe arte desinteressada?
PC: Sim. Em primeira
instância, o processo criativo propõe-nos problemas para os quais devemos
arranjar soluções. Antes de desafiarmos o olhar do público, temos de desafiar o
nosso. Cada vez é mais urgente essa auto-provocação para estarmos mais cientes
do nosso lugar na sociedade.
DM: O que é uma experiência
estética real, concreta e verdadeira, para Peter Casper?
PC: Não há experiência
estética mais concreta e verdadeira do que a pura contemplação da natureza.
DM: Peter Casper, tal como
dizia Segismundo Freud e António Lobo Antunes, a arte é a infância fermentada.
Corrobora?
PC: Concordo. Sou uma
pessoa muito infantil. Gugu Dada.
DM: Depois de observar a sua pintura, parece que há um fascínio particular pelo primeiro gesto, a pulsão
inicial dos criadores, o toque vibrante dos debutantes. É isso que procura, o
gesto primacial ou fundacional?
PC: Sim. Tudo o resto é excedência, como um manto de nevoeiro que se adensa à medida que nos afastamos do nosso objecto de desejo.
quarta-feira, 14 de abril de 2021
Missiva para Janeiro Alves (tendo como pano de fundo um campo de margaridas)
Algures a meio do Atlântico, Abril de 2021
Caro Janeiro Alves,
A última notícia que tive sua, fiquei atónito! Uma pessoa credível contou-me que o meu amigo tinha ido passar o ano a Foz Côa numa autocaravana e que aí tinha permanecido. Fiquei, assim, a saber que dormitou junto das gravuras rupestres, que bebeu água pura e fresca, que perambulou e pintou ao pôr do sol, para além de ter passado as noites acompanhado pelas castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Deve ter sido um banho de cultura adâmica. Imagino, pois, o meu amigo a respirar todo o esplendor da arte ancestral na tentativa de encontrar inspiração para esse vanguardismo primitivo, que agora nos apresenta em retrospectiva na ilha azul.
Curiosamente, roda neste momento no meu gira-discos, um álbum novo - “Voz de Veludo”, da cantora italiana “Áugure”, a adivinhadora, uma homenagem aos que ditavam presságios. A capa tem um V maiúsculo sobre um desenho de uma escala de índole económica. Enquanto o disco vai tocando, fixo-me no seu tema mais romântico e pungente – Apartar – “Estou afastada e solitária/ Não é desespero ou calvário/ Lento voo, fogo fátuo/ Vou daqui rumo ao espaço/”. Penso, por instantes, em todos os momentos vividos, nas dores consumidas e extintas, agora que vamos lentamente abrindo os olhos, espreitando os corpos que se movimentam em redor, perdidos que estivemos nesse labirinto de memórias e afastamento.
Outra novidade é o facto de Miriam ter voltado a viver na cave do solar, pedindo-me muitas vezes para controlar a minha intensidade vocal evidenciada na excitação matinal, sobretudo desde que me retiraram a saudável esbórnia de outrora. Miriam está linda e contou-me, entretanto, querer voltar a passear comigo junto destes campos ornados de margaridas. É bonito, não é?
Com superlativa estima,
terça-feira, 13 de abril de 2021
sábado, 10 de abril de 2021
Da Vida
"Nascemos, crescemos e morremos sozinhos. O amor e a amizade dão-nos a ilusão do contrário."
Orson Welles
quinta-feira, 8 de abril de 2021
quarta-feira, 7 de abril de 2021
PETRA, um filme de Jaime Rosales
domingo, 4 de abril de 2021
FLO & EDDIE
Com
o tempo
Tornámo-nos
bons a ser roubados
Enganados
A
ver cair no chão as nossas coisas
Vê-las
desaparecer entre a caruma
Pega
na tua flor
E
vai mostrá-la ao mundo
Não
esperes receber porra nenhuma
Sebastião Belfort Cerqueira, in "Música Normal", Companhia das Ilhas, 2021.
sábado, 3 de abril de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Viajantes nos Açores
"O
Arquipélago dos Açores constitui actualmente uma das mais prósperas províncias
do reino de Portugal. Um grande número de factores contribui para o crescimento
incessante de uma riqueza generalizada. Um clima ameno, um solo fértil, uma
situação geográfica eminentemente favorável ao desenvolvimento de relações
comerciais, uma população inteligente e laboriosa, uma administração liberal e
benevolente são elementos de prosperidade – uma dependendo da acção do homem,
outros inerentes à própria Região. A estas vantagens juntam-se as maravilhosas
belezas naturais de que os Açores disfrutam."




