"Aquilo que separa as pessoas é o facto de umas terem palavras e outras não as terem."
José Rentes de Carvalho
"Aquilo que separa as pessoas é o facto de umas terem palavras e outras não as terem."
José Rentes de Carvalho
"Por exemplo, eu para me libertar tenho de me acorrentar a um projecto. E perante isso - como sou livre - digo a mim próprio: "Bom, não sei se o farei bem, porque sou estúpido. Deveria ter pesquisado mais". Liberto-me do facto de não ser um campeão. Sou o que sou, não mais do que isso. Sou simplesmente o que sou. E, quando aceitamos nos nossos próprios limites, somos livres. É esta a minha teoria sobre liberdade."
Oliviero Toscani em entrevista a João Pacheco, Revista Expresso, dia 23 de Dezembro de 2021.
Tínhamos
muitas saudades de ver filmes de Nanni Moretti no grande écran: a sua ironia, o seu desplante crítico, a sua
forma prazerosa de fazer cinema e estar na vida. “Três Andares” não
tem nada disso, não há ironia, nem identificação fácil com um único personagem.
É um filme duro, tal como o tempo que nos encontramos a viver. Os seres humanos, ali evidenciados, colocam-nos questões, as vidas dos condóminos não são a preto
e branco e, talvez por isso, saímos dali sem nenhuma certezas sobre o bem e o mal. Baseado
num romance do israelita Eshkol Nevo, o filme “Três Andares” é um outro Moretti
que emerge, muito mais próximo de Thanatos do que de Eros, ainda que haja redenção
no fim de tudo isso.
"It's four in the morning, the
end of December
I'm writing you now just to see
if you're better
New York is cold, but I like
where I'm living
There's music on Clinton Street
all through the evening"
Leonard Cohen in Famous Blue Raincoat.
Estirado na areia, a olhar o azul,
Ainda me treme o
parvalhão do corpo,
Do que houve que fazer
para ganhar o nosso,
Do que houve que esburgar
para limpar o osso,
Do que houve que descer
para alcançar o céu,
Já não digo esse de Vossa
Reverência,
Mas este onde estou, de
azul e areia,
Para onde, aos milhares,
nos abalançamos,
Como quem, às pressas, o
corpo semeia.