Je te laisserai des mots
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
Pré-estória de Urbano Bettencourt
"Em Setembro dois corpos cobertos de búzios e de escamas vieram dar à costa, provavelemente na sequência de um dos muitos ciclones que por essa altura ocorriam a noroeste do arquipélago: direi acaso a surpresa o fascínio as escapadelas furtivas dos adolescentes que vinham de todos os cantos desvendar a anatomia marinha das mulheres trazidas pelo mar? E o velho solitário que habitava de Verão e de Inverno a casa da vinha sobre a costa, e perscutava constantemente o horizonte e o andamennto das nuvens, vaticinando o futuro pelo que sabia do passado, afirmou então que teríamos um ano de fome."
in Antes que o Mar se Retire, Companhia das Ilhas, 2023.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
sábado, 7 de setembro de 2024
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
O Mediterrâneo, o Mediterrâneo...
"A morte do Verão era horrível. A minha mãe encarava o fim do Verão como um facto trágico, sacrílego. Quem se atrevia a matar o Verão? Odiava a chegada do mau tempo. Ela acreditava no sol. Era herética, viveu segundo os ritos do Sol. Tinha uma obsessão com a luz e apanhar sol. O Sol e estar viva foram a mesma coisa para ela. Adorava o Verão. Adorava que anoitecesse tarde, muito tarde. Só aceitava como algo digno de ser tido em conta a presença do Sol; ela não tinha consciência, mas no seu amor pelo sol e pelo Verão havia uma herança milenar, uma herança da cultura mediterrânica. Não conheci nenhum ser tão mediterrânico como a minha mãe. De facto, ela adorava esse mar, e não gostava nada nem do Cantábrico nem do Atlântico. Eu soube que o Mediterrâneo era um mar especial pelo amor que a minha mãe professava por ele.
Estar perto do Mediterrâneo foi o seu paraíso.
O Mediterrâneo foi a sua única pátria."
Manuel Villas, in "Em Tudo Havia Beleza, Ordesa", Alfaguara, 2018
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
Um Poema de Cesar Pavese
Tens rosto de pedra esculpida,
sangue de terra dura,
vieste do mar.
A tudo acolhes e auscultas
e empurras para longe,
como o mar. No coração
tens silêncio, tens palavras
submersas. És sombria.
Para ti a madrugada é silêncio.
sangue de terra dura,
vieste do mar.
A tudo acolhes e auscultas
e empurras para longe,
como o mar. No coração
tens silêncio, tens palavras
submersas. És sombria.
Para ti a madrugada é silêncio.
E és como as vozes
da terra - a pancada
do balde no poço,
a canção do fogo,
a queda de uma maçã,
as palavras resignadas e amargas
na soleira das portas,
o grito da criança - as coisas
que ficam para sempre.
És sombria. Imutável.
És o subterrâneo fechado,
de chão de terra batida,
onde o menino descalço,
uma vez entrou
e de que se recorda sempre.
És o quarto escuro
que se recorda sempre,
como aquele pátio antigo
em que a manhã despontava.
in "Virá a morte e terá os teus olhos", 5 de Novembro de 1945
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
Do Êxito
Ter alguém à nossa espera algures é o único sentido da vida, e o único êxito.
Manuel Villas, in E Em Tudo Havia Beleza, Ordesa, Alfaguara, 2018.
domingo, 1 de setembro de 2024
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
Hoje, na Praia dos Moinhos!
Agora que Agosto termina e antes que Setembro nos consuma com horários, rotinas e obrigações, desfrutemos de uma noite dedicada à música de Cabo Verde, com os músicos Princezito, Ferro Gaita e Mayra Andrade presentes na décima edição do Burning Summer Festival, na Praia dos Moinhos. Estamos, assim, na frequência dum alinhamento sonoro que congregará funaná, coladera e morna, os esteios rítmicos do arquipélago cabo-verdiano. Bem haja, fim do verão.
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
domingo, 25 de agosto de 2024
sábado, 24 de agosto de 2024
Um Poema de Manuel Fernando Gonçalves
Estou quente como uma noite
nuclear. Respiro, na pele, o eco
comum do medo. Vejo
os teu olhos da cor própria a Sul,
misturados no inverso, na imagem.
Fazem-nos a cama, dizes,
e concordo contigo, com o teu desmoronar,
resto do que dizes.
nuclear. Respiro, na pele, o eco
comum do medo. Vejo
os teu olhos da cor própria a Sul,
misturados no inverso, na imagem.
Fazem-nos a cama, dizes,
e concordo contigo, com o teu desmoronar,
resto do que dizes.
in Caos, Frenesi Edições, Novembro de 1987.
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Música para Praias Vazias
-Requiem for the Static King, Pt. 2 - A Winged Victory for the
Sullen, 2011 - A Winged Victory for the Sullen
-Je te laisserai des mots - Je te laisserai des mots, 2010 - Patrick Watson
-I´ll be around - Give me that slow knowing smile, 2009 - Lisa
Ekdall
-I drive my friend - Until Death Comes, 2006 - Frida Hyvönen
-Roads - Dummy, 1994 - Portishead
-La complainte du
soleil - I Lost My Body, 2020 - Laura Cahen
-Amor Desnaturado -
Sara Cruz, 2015 - Sara Cruz
-Maria - Do Princípio, 2020 - Tiago Bettencourt
- Don´t Let Me Go - Cigarretes After Sex, 2023 - Cigarretes After Sex
- Dizem Que Tenho de
Ir ao Brasil - Filipe Furtado,
2022 - Filipe Furtado
-Estrangeiro - Estrangeiro,
1989 - Caetano Veloso
-Manga - Manga, 2018 - Mayra Andrade
-Contramão - Um
fim-de-semana no Pónei Dourado, 2011 - B Fachada
-Je te laisserai des mots - Je te laisserai des mots, 2010 - Patrick Watson
-I drive my friend - Until Death Comes, 2006 - Frida Hyvönen
-Roads - Dummy, 1994 - Portishead
-Maria - Do Princípio, 2020 - Tiago Bettencourt
- Don´t Let Me Go - Cigarretes After Sex, 2023 - Cigarretes After Sex
-Manga - Manga, 2018 - Mayra Andrade
Subscrever:
Mensagens (Atom)

