quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Música para um Estio Quente

Uma Canção de Verão - Praia, Campo, Cidade e Montanha, 2025 - Montanha Mágica 
Alewa (Black or White)Alewa, 2020 - Santrofi 
Ka moun Kè - Beautiful Africa, 2013 - Rokia Traoré 
Madalena - Dor de Mar, 2012 -Tcheka 
Mi So - Migrants, 2023 - Mário Lúcio 
Ungdomen, röda kinder - Sex, 2024 - Anna Järvinen
Back to the Old House - Hatful of Hollow, 1984 - The Smiths 
Nothing´s Gonna Hurt You Baby - I. 2012 - Cigarrettes After Sex 
In a Matter of Speaking - Nouvelle Vague, 1998 - Nouvelle Vague 
Fogo Fera - 100% Carisma, 2020 - Vaiapraia  
Fiesta Triste - Dissidente, 2025 - Tó Trips & Fake Latinos 
Espanto - Leveza, 2023 - André Henriques
Fugitivo - Escritor de Canções, 1990 - Sérgio Godinho  
All Flowers in Time Bend Towards the Sun - 1996 - Jeff Buckley and Elizabeth Frazer
The Last Time I Saw the Old Man - Rainy Sunday Afternoon, 2025 - The Divine Comedy 
Smalltown - Songs from Drella, 1990 - Lou Reed, John Cale 
So Goodnight - So Goodnight, 2012 - Pop Dell´Arte 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Do Jornalismo

         
Il Sorpasso de Dino Risi 
«Sembra una vespa (Parece uma vespa)» Rezam as crónicas da época que terá sido essa a exclamação de Enrico Piaggio, filho do fundador da marca, a dar nome a um dos mais icónicos modelos de motas da história, mas também um dos mais bem sucedidos casos de reconversão em termos de crise. Antes disso, a italiana Piaggio, fundada em Génova, em 1884, alimentava sobretudo a indústria aeronáutica, com a construção de aviões e componentes de aviação durante o período que abraçou as duas grandes guerras mundiais. Com o final da II Guerra, numa Itália com a economia e as estradas destruídas, Enrico redireccionou o foco da empresa, criando um meio de transporte simples, económico e elegante que logo ganharia fama mundial. 
        A Vespa é só um dos vários exemplos que podem ser encontrados em manuais sobre inovação em tempos de crise. Também ao jornalismo a necessidade de reinvenção tem levado à experimentação de novas fórmulas, novos projectos, novos modelos de negócio. Por entre o negro horizonte instalado, vão surgindo pequenos sopros de esperança, seja à boleia de projectos independentes, de plataformas colaborativas, de novos formatos (podcast, jornalismo de dados, factchecking....) ou de diferentes  formas de financiamento que sustentem a sobrevivência dos media.  

Rui Frias, in O Jornal, Retratos da Fundação, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Fevereiro de 2025. 

Fétiche Bélico de Sónia Bettencourt

A guerra é desde sempre o maior fetiche do homem
Ele até aposta a sua vida em como um dia matará alguém
que nunca sequer chegou a existir
 
Ah! criatura ensandecida, fascínio dos deuses
sem pactos nem asas!
 
A caminhar nos campos magnéticos do suicídio
como se o fim estivesse à saída de um disparo

 quando tem toda a sua vida por acertar.

sábado, 9 de agosto de 2025

Verso de Sérgio Godinho

Um homem corre na noite  

Burning Summer: Ecos Cinematográficos!

            
Porto Formoso
Fotografia de Frederico Rocha 
fredrocha.net

Agora que Agosto ainda vai no adro começam a aparecer os primeiros ecos do Burning Summer Festival, em Porto Formoso, São Miguel, sobretudo com o cinema na praia, sendo este uma parte integrante do programa. Desta feita, a edição deste ano, nestes primeiros dias do mês, privilegiou o cinema português com os filmes “Phil Mendrix”, de Paulo Abreu, "E Agora? Lembra-me.”, de Joaquim Pinto, "Ama-San" de Claúdia Varejão, sendo o filme “Postcards From Índia”, de Tommaso Dolcetta, o documentário de abertura desta bem pensada actividade cinematográfica ao ar livre na Praia dos Moinhos.  Quanto à sessões musicais, previstas para os dias 29 e 30, o programa é eclético como sempre, no entanto a diversidade musical é o factor diferenciador de um festival que aposta na exploração de distintas sonoridades e de concertos junto dessa força da natureza que é o mar. No primeiro dia, sexta-feira, teremos Rodhalia Silvestre & Mário Jorge Cabral, Anthony B & And The House of Riddim, Mário Lúcio and The Pan African Band, Santrofi e, no segundo dia, sábado, Dino Santiago & Os Tubarões, Bonga e Fattu Diakité. A abrir a contenda bailante, tanto no início, meio e fim, há musica oferecida pelos Dj´s de serviço: Mesquita & Laura, Milhafre, Quaresma, Pedro Tenreiro, Adrian Sherwood, & Omar Perry, Tape e Good in Da´ Hood.                 
Note-se, assim, que, dez anos depois, este festival que se realiza na Praia dos Moinhos continua a dar um destaque especial à música de Cabo Verde, lugar de proximidade cultural, curioso viveiro de músicos, canções bonitas, sentimentos de partilha e interessantes cumplicidades, dado que por aqui já passaram: Tcheka, Princezito, Ferro Gaita, Mayra Andrade, Fogo Fogo e Elida Almeida. Cabo Verde tem, há muito, palco montado em Porto Formoso. 
         Ainda uma recomendação para os primeiros dias Setembro, antes que a vida nos consuma com horários, rotinas e obrigações, desfrutemos de uma proposta deste festival intitulada – “Detetives Marinhos, Conhece os peixes que Comemos”, com o biólogo Luís Rodrigues. Um primor de descobertas dos ouvidos à barriga!

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Do Bom Carácter

        "Enquanto estão vivos, para mim é fundamental, que tenham bom carácter. Agora, o Wagner obviamente tinha um péssimo carácter mas isso pouco me importa: deixou uma obra extraordinária. O carácter de Beethoven tinha lacunas graves. O do Céline, nem falar.Mas é a obra deles que fica, não o que eles foram. O O´Neill, por exemplo, de quem eu estive próximo durante algum tempo, almoçávamos uma vez por semana: era difícil ser amigo dele. Muitas vezes saía de junto dele com a impressão de que ele não gostava de ninguém." 

António Lobo Antunes, Revista LER, 2008.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Verso de A Garota Não

 Os rios juntam não partem metades 

Provérbio

Em Agosto toda a fruta tem o seu gosto

Esperar de Kol de Carvalho

Esperar de Kol de Carvalho 
4 a 8 de Setembro de 2025
Galeria da Ordem dos Arquitectos 
 

Lourdes Castro: Sombras no CAC.

         Lourdes Castro faleceu no Inverno de 2022, com 91 anos. A sua exposição em solo açoriano, no próximo mês de Setembro, é o acontecimento mais aguardado do CAC (Centro de Artes Contemporâneas), na Ribeira Grande, São Miguel. 
"Pelas Sombras", 2010
Catarina Mourão
       Recuemos até 2017, a uma sessão de cinema na Galeria Arco 8 e ao documentário “Pelas Sombras” (2010), filme extraordinário de Catarina Mourão que, à altura, ganhou o Prémio do Público no IndieLisboa. Nessa incursão fílmica de oitenta e três minutos, foi possível perscrutar o universo artístico de Lourdes Castro, artista plástica oriunda da Madeira que foi bolseira da Fundação Gulbenkian, que  viveu em Lisboa, Paris, Berlim e na cidade do Caniço, na Ilha da Madeira. A artista, a determinado momento do documentário, proferiu a seguinte frase :"Às escuras e em silêncio é que se trabalha." As sombras foram o motivo da sua longa presença e seu labor profissional. 
          Quem mergulhou neste admirável filme, conseguiu, por instantes, penetrar naquelas sombras, antever o mistério da sua criação artística. Curiosamente a obra de Lourdes Castro não se fixou na pintura, pois obteve ao longo da sua carreira várias configurações – sserigrafia, plexiglass, desenho, ilustração, colagens, assemblages, peças em tecido, acrílico recortado florescente, etc. Uma obra extensa também na sua diversidade de composições e plataformas. Esta artista fez também parte da KWY (movimento artístico com direito a revista homónima entre 1958/1964 e doze números), sendo que a sua obra encontra-se espalhada por museus nacionais e estrangeiros e colecções portuguesas e internacionais. 
          O CAC (Centro de Artes Contemporâneas) ainda não divulgou o conteúdo da exposição, no entanto esperamos que esta sirva para nos aproximarmos ainda mais de uma das obras artísticas mais consistentes e celebradas da cultura portuguesa e insular.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Enfim...a Canícula!

        O calor abafado, enfim, voltou. A água salgada do mar faz o seu vaivém nas praias de areia preta que, entretanto, amornam e, com as temperaturas do ar cálidas, retornam também os garajaus, essas andorinhas insulares que nos devolvem a visão do seu voo e beleza.
       Abandono, assim, mais uma casa, aquele quarto, mais uma morada (quantas moradas? quinze, vinte?), permaneço com os nomes de bairros e ruas gravado na memória – Casal de Malta, Canal, Calouste Gulbenkian, Jogo da Bola, Senhora do Almurtão, Barão de Roches, Miragaia, D´Agoa, Guilherme Poças Falcão, Laureano, Rua Nova da Misericórdia, Gaspar Fructuoso, Ladeira das Águas Quentes, Pópulo Pequeno, Livramento, etc…a convicção também de que em breve irei encontrar outro destino, outros olhares, novas memórias.
 Todos os verões, eis que regresso às águas gélidas que povoam a minha infância e adolescência, torno às sessões de cineclube às quintas-feiras e aos filmes ao ar livre na cidade vizinha, cidade onde procuro em vão a professora F. – ensinou-me a língua francesa apenas com o seu sorriso – ou visito, quando posso para uma longa charla, a professora M., de Filosofia, tal como ainda provisiono uma ou várias barrigadas de sardinhas para o jejum insular que se seguirá.
         Proclamo, por agora, um até já às minha coisas e às que julgo pertencer, despeço-me dos locais onde repousei o olhar, abraço as pessoas que conheci e as outras tantas que gostei de conhecer. Interrompo, entretanto, as conversas com os mais próximos com quem conversei, relembro os momentos partilhados, os bons e os maus. Aproveito para implorar absolvição pelas ocasiões em que excedi a sua paciência quando exalto o prazer no presente ou a existência de melhores dias vindoiros. Não me canso de referir o peso de que somos feitos, este desconsolo que nos tolhe os movimentos, inclusive, a melancolia a escrever, tão implicada de dor e culpa, e que vejo entrar quarta invasão francesa, já enunciava o Alexandre O´Neill, com assertividade e sem ela. Um poeta maior que nos abandonou em Agosto, pois já não conseguia contrariar o vento, a morrinha, a nortada. E que frequentemente tropeçava de ternura…

sexta-feira, 25 de julho de 2025

A Paixão de Dodin Bouffant: O Napoleão da Arte Culinária!

       
Imagem daquihttps://revistadeguste.com/
Comer é uma actividade essencial do ser humano mas convenhamos que este verbo tem um vasto leque de signficados, com diferentes ligações à existência. No que diz respeito a este filme - La Passion de Dodin Bouffant, de Tran Anh Hung - que obteve em português a tradução de "O Sabor da Vida" - trata-se de uma incursão exclusivamente sensorial a partir do universo de uma cozinha partilhada por dois esmerados cozinheiros. A acção cinematográfica decorre entre tachos, panelas e fogões, degustando sabores, aprimorando paladares e seguindo sugestões de aprendizagens efectuadas aquando da ingestão de alimentos e reconhecimento dos aromas. É um agradável filme de seguir, não só pelo facto de ficarmos sugestionados e com apetite, bem como pelas interpretações competentes dos dois actores em presença:  Juliette Binoche e Benoît Magimel.