sexta-feira, 7 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Nasceu no dia de hoje há 95 anos

Sophia de Mello Breyner Andresen por Eduardo Gageiro


Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar




Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Volta do FAZENDO


      O FAZENDO está de volta e com esta nova volta vai ter que chegar aos cem. Número redondo. Lá chegaremos, sem pressas. Com muita gente a desenhar, outras tantas a escrever, a imaginar e a fotografar. Um barco cheio de gente no mar. E há quem vá lê-lo com o nome de Fazendinho, leitura para pequeninos agentes das artes futuras. O FAZENDO agradece, coração grande. O FAZENDO talvez necessite de sementes, de deixar lastro quando os graúdos se cansarem, se é que um dia isso irá acontecer. Novembro é, portanto, o mês da sua chegada. Ou partida, talvez para muito longe. O Tom Waits, sim, esse que disse que o piano tinha bebido, cantou um mês de Novembro sem sombra, estrelas e lua, mas cá estaremos nós para alumiar esta possível escuridão, este negrume e líquida invernia por vir. Fazendo assim os possíveis e os impossíveis para chegar luminoso a cada vez mais gente. Conseguiremos? Até já.

domingo, 2 de novembro de 2014

tu que viste...

tu que viste fiordes e corais,
que chegaste das palavras
subterrâneas e do que fica
por dizer, que aprendeste o silêncio
em várias línguas e atiraste um dia
a moeda ao ar para enganar
a morte, quantos verbos
queres mais para percorrer
esta narrativa inútil?
Renata Correia Botelho, in Um Circo no Nevoeiro, 2009.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O espanto é não querer avançar.

        O espanto é naturalmente zetético. E viver espantado pode não significar avançar. Adiantar um passo que seja é diligenciar reboliço, convidar à inquietação, ao seu próprio alvoroço, atrair o individual temor perante qualquer movimento em falso. O espanto é este tumulto imóvel, desejar somente contemplar, e assim não determinar a finalidade de um gesto repetido quotidianamente. Olhar e unicamente experienciar a vida pelo interior de nós a deslizar.
       Não querer avançar pode ser também um ato de erudição. Pura sapiência. Evocar os seletos sábios ou o que fomos lendo deles. Permanecer prostrado perante tão delicada planta no corredor da existência serôdia. E de tão alta, tão esguia, tão bela e discreta que o seu nome é só aquilo que a natureza guarda. De gáudio fascinante. Enquanto me curvo é-me concedido um sorriso, o avistar do semblante, o despertar daquela presença concreta e cheia de graça. E de forma vegetal flui a seiva no apelido, já o sabemos. Queremos, por instantes, admirá-la. Essa exibição fresca de movimentos, o fausto e prazenteiro deleite do perfil diariamente visível. E que secretamente escapa, foge, regressando por vagas. É a fina delicadeza em figura, quase sem expressão, como num sonho muito antigo, concedendo apenas aqui e ali um esgar, um minúsculo devaneio de luz e deslumbramento. E a frágil certeza de que o digno de espanto é não querer avançar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

No meu país

No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
só há estâncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos lábios
a um metro e sessenta e tal
do chão amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos lábios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
à flor da possível
geografia
um frémito cinde
as estações do ano.

 Sebastião Alba, in 'O Ritmo do Presságio'

domingo, 26 de outubro de 2014

Queria que me acompanhasses

Queria que me acompanhasses
vida fora
como uma vela
que me descobrisse o mundo
mas situo-me no lado incerto
onde bate o vento
e só te posso ensinar
nomes de árvores
cujo fruto se colhe numa próxima estação
por onde os comboios estendem
silvos aflitos.

Ana Paula Inácio, in Vago Pressentimento Azul por Cima, Ilhas, 2000.

A Estação

Fotografia de Tiago Rodrigues.
(Ilha das Flores)

Ontem escrito numa parede da cidade.

"Quando a hora mudar, prometes não falar mais do último verão?"

sábado, 25 de outubro de 2014

Lucas e Medeiros esta noite no Music Box

       A reunião da dupla no concerto do Experimentar Na M´Incomoda, Junho de 2011, que esta pequena imagem dá conta, anunciava já que aquele encontro em palco não poderia ter ficado por ali. E a verdade é que não ficou. Todos os que assistiram ao momento único e celebrativo sabiam que a dita "partilha" era já sinónimo de algo  novo por vir e da absoluta rendição em curso. São, portanto, eles que anunciam esta noite a mudança da hora no Music Box e, não há que ter medo de dizê-lo, que se trata do disco e das canções mais aguardadas deste estação incaracterísitca e avariada. Por sinal, concluído nesta semana de temperaturas elevadas. Aguardemos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Música d´Outono

Sharon Van Etten - Are we there (Maio 2014)
Faixa: "Afraid of Nothing"
"I can't wait
Til we're afraid
Of nothing
I can't wait
Til we hide
From nothing
Nothing
And you decide
You throw me a lame "wait shit out"
You're a little late
I need you
To be afraid of nothing"