quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Tempos Modernos no Auditório da BPAJJG

    
      O filme "Tempos Modernos", de Charlie Chaplin, será exibido amanhã, sexta-feira, dia 16 de Janeiro, às 21 horas, na Biblioteca Pública e Arquivo João José da Graça, na cidade da Horta, Ilha do Faial. Trata-se de um ciclo de três filmes, sempre às sextas-feiras, sobre este realizador inglês, nascido em Londres, em 1889, e que se viria a tornar uma referência importante na História do Cinema do século XX. O filme, com o título original de “Modern Times”, foi realizado em 1936 e é uma crítica mordaz e rábula inteligente “à industrialização e às máquinas que passaram a tomar conta da vida e do tempo dos seres humanos à escala planetária”.

Bfachada no Sporting


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Há 30 anos...

     Fotografia dos Madredeus na Ilha do Faial

     A onomástica desse período - há trinta anos - é marcada pela atribuição às raparigas dos nomes de Ana, Carla, Maria, Sandra e Claúdia e dos rapazes por Ricardo, Pedro, Nuno, João e Bruno. O norte-americano Tom Waits lançou o álbum de originais “Rain Dogs”.Na televisão o acontecimento é o Live Aid, organização planetária que apresenta o arrojo de Bob Geldof e a coragem de Bono Vox dos U2 e que é visto por mais de um bilião de pessoas. Às salas chegam dois filmes que chocam a opinião pública: Je vous salue, Marie, de Jean-Luc Godard, com Myriem Roussel e Juliette Binoche e “O Beijo da Mulher-Aranha”, de Hector Babenco, com William Hurt, Raul Juliá, Sónia Braga, José Lewgoy e Milton Gonçalves. No cinema em Portugal surge "Um Adeus Português"do realizador João Botelho, o primeiro filme português de ficção a abordar de forma explícita a guerra colonial e João César Monteiro realiza “À Flor do Mar”, tendo Teresa Villaverde como actriz. José Afonso, bastante debilitado, edita um novo LP de originais intitulado“Galinhas do Mato” com a companhia dos músicos: Júlio Pereira, Luís Represas, Helena Vieira, Janita Salomé, Né Ladeiras e José Mário Branco. Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica) e Rodrigo Leão (teclados) encontram-se para formar um novo grupo musical. Um ano depois gravam "Os Dias da Madredeus" no Convento da Madre Deus, em Xabregas. Até hoje mais nenhum grupo português conseguiu semelhante reconhecimento internacional.

domingo, 11 de janeiro de 2015

O Núcleo da Claridade

        "Numa manhã de Março de 2010, voltei à casa de Queluz, onde Ruy Belo vivera. Aí se encontram actualmente os versos escritos por sua mão e muitos outros papéis, livros, documentos, objectos, ou as fotografias em que se encontra retratado. Elementos em que fora deixada a sua marca indelével. Tencionava voltar a fotografar a casa, na continuidade de Ruy Belo - Coisas de Silêncio, agora dez anos volvidos sobre a publicação desse livro. A casa mantém-se nos seus aspectos essenciais, tal como eu a encontrara dez anos antes, mas tomava agora consciência que não fazia para mim sentido voltar a fotografar esse espaço. A sua escrita, os seus poemas, abriam-me outras linhas de pensamento:"

Duarte Belo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Poemas no Silêncio da Gaveta

Foto da capa de Daniel Curval




Equinócio

 Em Setembro caio sempre
para além dos dias, das noites
e das folhas
e o mar é um acordeão
que vibra por acção do vento
na maré vaza.





terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Já se sabia...





" A cura para o tédio é a curiosidade.Não há cura para a curiosidade."- Dorothy Parker

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

...

o destino deu-me uma frustração
para cada sonho
e em cada uma dessas frustrações
pôs fermento
com um amor não correspondido
ou um desgosto do género
o Benfica perder o campeonato a dois minutos do fim
ou nos pênaltis
ficar sem receber e sem saber quando ia receber
sofrer com a falta de dinheiro
e comer pão com ovos muitos dias seguidos
coisas desse género

o destino pegou nas árvores que tinha plantado
enquanto criança
e fez delas estacas
pediu à sorte para mas espetar
no coração
mas só havia um buraco no lugar do coração
o meu coração engoliu as árvores que em criança
alguém plantou por mim
e cuspiu um caroço pequenino
com a forma de um buraco sem fundo

o destino disse-me que era boa ideia morrer
e eu acreditei muito nele
como quando antes me disse
que era boa ideia ser escritor
ou jogador de futebol
eu acreditava muito no destino
mesmo depois dele ter começado a mentir
era como o melhor amigo
a mãe, a namorada.


Júlio Ávila

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A Melancolia e o Ano Novo


      Na caixa dos correios uma agenda com palavras e frases à solta e à volta das ilhas e dos ilhéus. Obrigado, Diana e João! Os Açores, sempre. As Charlas Quotidianas do Doutor Mara logo no início de Janeiro deste ano no palco da Travessa dos Artistas com o João Malaquias e a Judite Fernandes. Este ano que finda e outro que agora começa. Depois do cinema belo e tocante do Joaquim Pinto e Nuno Leonel, é só deixar tocar as canções das cantoras: Sharon Van Etten, Joana Newson, Márcia  e Angela Olsen. Os Beirut vistos em Coura. As noites de poesia com o Malaquias, o Leonardo e tanta gente. Dois poemas publicados na colectânea do Silêncio da Gaveta. Saudades do Maçariku que partiu no início do verão, a leitura de todos os livros de Paulo Varela Gomes, ainda as crónicas da Alexandra Lucas Coelho e os livros de fotografia do Duarte Belo. As ilustrações do Luís Brum e do Pedro Valim. A poesia da Renata Correia Botelho, Urbano Bettencourt, João Paulo Esteves da Silva, Ana Paula Inácio, Herberto Helder, Heitor Aghà Silva, Rui Duarte Rodrigues e Marta Chaves. A memória, a humanidade, a natureza nos filmes de Agnès Varda, Dino Risi, Paulo Abreu, Mario Ruspoli, Miguel Clara Vasconcelos, Alexander Payne e Luís Bicudo. As fotografias do Eduardo Brito e a escultura de Susana Aleixo Lopes. Os pescadores Isauro Rosa e Jáfoneca. A troca epistolar com Janeiro Alves. O Boletim Cultrural Fazendo.As cidades de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Horta e Lisboa. A Póvoa. Os amigos e amigas que moram no coração. Um futuro 2015 pleno de sábia melancolia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

«Trinta e quatro sonetos e trezentas e cinco redondilhas» de João Paulo Esteves da Silva


Edição da Douda Correria, 2014
                                                                 Dos sonetos:

                                   (...) Se chove muito na calçada, acorda
a sensação de que o país está morto
e que o trabalho acaba, e só o desporto
o fingimento, o jogo, inspira a horda.”

Das redondilhas:

(...) Chovem optimismos
e as coisas ternas,
voluntariosas,
cheias de genica
enchem-se de orgulho
enquanto não chega
a próxima nuvem
a qual tarde ou cedo
acaba por vir
despertar a sombra.”

E deixa-me o azul, o azul profundo...

 
Rever Lisboa no dia em que Alexandre O´Neill, se fosse vivo, faria 90 anos:

E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
 

 

sábado, 13 de dezembro de 2014

95 FA...

"O verão para estar com os outros e o inverno recolher e desenvolver projectos impossíveis em dias de sol." 

Gonçalo Cabaça, in FAZENDO nº95, mês de Dezembro de 2014.

Nota:Ler aqui a versão digital do jornal: http://fazendofazendo.blogspot.pt/