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| A cantora Bia |
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
O Doce Canto das Caldeiras
Quatro Poemas de Karmelo C. Iribarren
Ya Está
Ya poseemos
casi todo
lo que nos
iba
a hacer
felices
Puede
decirse
que lo hemos
conseguido
Ya está.
Ahora solo
nos queda
comprovar
hasta qué
punto
fuímos
sinceros
conostros
mismos.
Retratos del Poeta Adolescente
Un paquete
de tabaco
un libro de
poemas
cuarenta
duros
para tomar
unas cervezas.
Poca cosa,
es verdade:
pero para mi
era
suficiente.
Y entonces
aparecieron las mujeres.
Conviene no olvidarlo
No hay nada
Grátis. Ni
siquiera
lo que es
grátis es grátis de verdad.
Siempre
te lo
descuentan
de algun
sítio.
Lo Difícil
Enarmorarse
es fácil
Uno pude
enamorarse
-sin
demasiado esfuerzo –
varias veces
al dia,
a nada
que se lo
proponga
y se mueva
un poco por ahí;
y si es
verano,
ni te cuento
Enamorarse
no tiene
maior mérito
Lo realmente
difícil
-no conozco
ningun caso-
Es salir
entero
de una
história de amor.
60 Cêntimos e Pouco Sono
É aqui o fim da noite
crepitam linhas no papel
a insânia do teu esgar
devastado e danoso
como se anunciasse ao longe
o fogo das castanhas de Novembro
Os Dias Normais
Chegam
e vão-se
sem deixar rasto
e tu ficas a vê-los
a afastarem-se sobre os telhados
-e com eles, os anos-
e apenas sentes nada
ou sentes algo, vago,
que não sabes decifrar
são os dias
normais, os de sempre,
os que parecem que passam
à distância,
os assassinos
do amor.
Karmelo C. Iribarren
e vão-se
sem deixar rasto
e tu ficas a vê-los
a afastarem-se sobre os telhados
-e com eles, os anos-
e apenas sentes nada
ou sentes algo, vago,
que não sabes decifrar
são os dias
normais, os de sempre,
os que parecem que passam
à distância,
os assassinos
do amor.
Karmelo C. Iribarren
domingo, 11 de outubro de 2015
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Capítulo B
A criação de colectâneas
corresponde a uma vontade de dar a conhecer um leque alargado de autores. Há, por
isso, neste Capítulo B um conjunto de poetas bastante diversificado e ainda
uma variedade de poemas para vários gostos, ideias e estéticas, o que por si só
é salutar e extremamente enriquecedor. As perguntas de hoje são evidentemente as mesmas de
sempre: quem são hoje os leitores de poesia? Que eco tem a poesia na sociedade
em que vivemos? Independentemente das respostas que possamos dar, o que há de
importante neste impulso editorial é o facto de ser portador de uma ideia comum
de comunidade poética. Estes autores surgem a partir de encontros semanais,
quinzenais e mensais em actividades públicas de poesia: o Poetry Slam de Ponta
Delgada, as quintas de Poesia na Travessa dos Artistas ou na TASCÀ, da Rua de
Lisboa. Muitos destes poemas foram lidos em público, obtiveram timbre e diferentes
ressonâncias junto dos seus ouvintes. Existe por aqui, tal como não podia deixar de ser, uma
enorme cumplicidade entre os autores destes Capítulos, sendo este um bom motivo
para uma maior divulgação desta compilação junto do público. É que a poesia é
um género com pouca divulgação em Portugal e nas ilhas, os poetas editados são, na maioria das
vezes, detentores de editoras, isto é, editam os seus próprios livros e editam
os seus parceiros e amigos. São, portanto, poucos os poetas editados que não
pertencem aos círculos da poesia amical, o que por um lado é sinal de
cumplicidade e qualidade garantida, mas denuncia, não poucas vezes, sinais de
estagnação ou cristalização estética. Ninguém quer, pois, arriscar uma edição
de poemas se não conseguir pagar os custos da mesma. Deste modo, saúde-se a edição de colectâneas e, esta em particular, que conseguiu assim reunir dois poemas de Carla Veríssimo, Eleonora Marino
Duarte, Fernando Nunes, João Malaquias, João Morais, João Quental Oliveira,
José Soares, Júlio Ávila, Leonardo e Luís Augusto. Boa leitura!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Capítulos B – Poesia nos Açores
A edição é de 150 exemplares e
tem o preço simbólico de 2 euros. Luís Andrade coordenou, organizou e fez o
grafismo deste projecto apoiado pela Direcção Regional da Juventude, através do
programa "Põe-te em Cena". A colectânea reúne dois poemas dos
seguintes autores: Carla Veríssimo, Eleonora Marino Duarte, Fernando Nunes,
João Malaquias, João Morais, João Quental Oliveira, José Soares, Júlio Ávila,
Leonardo e Luís Augusto. Os pedidos deverão ser feitos para: capitulospoesia@gmail.com
Furnas
“Diz-se que certos indivíduos, que ao chegarem às Furnas parecem
montanhas de carne, no regresso a suas casas vão de tal modo magros que quase
os desconhecem os seus amigos. O processo consistiu em permanecer de molho umas
horas por dia em águas muito quentes, deixando depois que por espaço de mais
uma ou duas horas se opere o suadoiro de expurgo, para o que o paciente se
embrulha em grossos casacões de lã e envolve a cabeça e o pescoço em toalhas.
Os banhos produzem nestas pessoas um desgaste de reservas corpóreas semelhante
ao que a fome no Inverno causa num arganaz hibernante.”
in Um Inverno nos Açores e Um Verão no Vale das Furnas, de Joseph e Henry Bullar, edição do
Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, 1986.
Cantar com a Patti Smith…
“Talvez seja uma utopia do contra,
mais uma para a oposição do que para um governo, mas votar também é dizer não (como
não votar pode ser) e, ainda que eu não votasse neles para o governo, vários
candidatos, do Livre ao PCP, passando pelo Bloco, me parecem óptimos para essa
resistência: zero retrocesso na lei do aborto, direitos plenos para os
homossexuais, defesa do Estado Social, barreira contra os desmandos da Banca, a
antítese de uma cultura agradecida, decorativa, ufanista. A propósito, Pàf
assenta como uma bofetada nesta coligação. Portugal à frente de quê e para quê?
Da quantidade de portugueses que esta coligação fez sentir a mais? Será a
diferença entre patrioteiros e patriotas, mas sobre isso não me alongo. A ideia
de pátria não me interessa, o nacionalismo não ama mais, confina e distingue.
Interessa-me a ideia de amor a um lugar que se liga aos outros por isso mesmo,
não tem medo de se perder, está em toda a parte: partir porque é bom, ficar
porque é melhor. A vontade é que faz a casa. E aí podemos todos cantar com a
Patti Smith "people have power". Somos nós e não há outros.”
Alexandra Lucas Coelho in P2, dia 4 de Outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
As Charlas...Versão Itinerante.
Tiago Vouga em "As Charlas Quotidianas
do Doutor Mara" (Agosto de 2015) |
O meu amigo, Tiago Vouga, regressou hoje ao continente português. O Tiago Vouga é o actor das "Charlas Quotidianas do Doutor Mara", excelente representação, por sinal. Sim, sou suspeito para dizer que este teve uma brilhante representação nas três vezes que a peça foi apresentada no Auditório ao Ar Livre da Biblioteca Municipal da Horta, durante o mês de Agosto. O Tiago Vouga e a Aurora Ribeiro actuaram para cerca de cento e cinquenta pessoas e, à semelhança de elementos do Teatro de Giz, também ele leu as Charlas na rádio Antena 9.
Agradeço-lhe, por isso, a generosidade, a humildade e simplicidade com que de forma voluntária, gratuita e empenhada se dedicou a este trabalho, a este texto e encenação colectiva. Durante este último mês, dedicámo-nos também a enviar propostas para dezenas de lugares que se ocupam destas coisas do teatro, da cultura e dos apoios a itinerâncias culturais. Gostaríamos, deste modo, que mais pessoas possam ainda assistir a este trabalho conjunto que nos deu tanto trabalho a realizar e levar adiante. O teatro tem este lado efémero, vive do momento em que assistimos e, por isso, tem que ser apoiado, divulgado, compreendido, valorizado. Em breve, contamos dar conta desses palcos em que terão lugar as Charlas do Doutor...Mara! Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=0m_9pwmHtqc
Da Brumal Estação das Aves
Eis o marítimo Outono das aves,
Desfeitos elos envoltos
iluminado ócio da humanidade.
seca noite da cidade fria,
nuvens viajantes até ao infinito,
por rotas dos ventos e do mar,
As flores nas águas sorvendo,
teu perfil de ardente utilidade,
A infância de frente: envelhecendo,
convenção presente esclarecida
agora habitada.
agora habitada.
Desfeitos elos envoltos
iluminado ócio da humanidade.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Tudo o Que é Novo é Belo
De tudo o que é novo nasce um novo prazer,
mas eu sei que não é boa a jovem morte,
Ela fere pelas costas, e não é doce como o açúcar,
nem é como o vinho, nem como o sumo das uvas.
(Al-Hountay`a)
in Quatro Poemas Árabes, "O Bebedor Nocturno" - Versões de Herberto Helder.
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