segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sala de Embarque: o findar da mini-digressão!

    Fechou-se assim a nossa mini digressão. Desta feita, acrescentamos mais duas apresentações e dois palcos à Sala de Embarque. Na noite de sexta-feira já tínhamos estado no Auditório da Escola Básica e Secundária de Vila Franca do Campo e, ainda que sem sala cheia, julgamos ter proporcionado uma  noite teatral cativante e intensa. Na noite de sábado, com a cidade a viver as suas Festas de Santo António, a apresentação decorreu no Cine Teatro Lagoense que, do ponto de vista técnico, tornou possível experimentarmos diferentes recursos proporcionados por aquele espaço bem como contar, pela segunda vez, da presença e conhecimento técnico do Cristóvão Ferreira. A todos os que durante a última semana nos apoiaram nos ensaios, contactos, transporte de cenários, divulgação, e demais logística, aqui ficam os nossos sinceros agradecimentos. 

sábado, 10 de junho de 2017

Sala de Embarque: Daqui a pouco no Cine Teatro Lagoense!

Fotografia de Carlos Olyveira 


         Foi há cinco anos que a Lagoa foi elevada a cidade, os últimos censos apontavam para 14 mil e 416 habitantes com as suas cinco freguesias de Nossa Senhora do Rosário, Santa Cruz, Água de Pau, Cabouco, Santa Cruz e Ribeira Chã. Hoje, sábado,  pelas 21h30, dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas,  iremos apresentar, pela primeira vez, a Sala de Embarque, no Cine Teatro Lagoense. Uma sala com 176 lugares disponíveis. A peça de teatro tem a duração de uma hora e quinze minutos e conta com as interpretações de Joana Matos, Margarida Benevides, João Malaquias, Henrique Santos, a composição sonora de João Luís Macedo e o som e a luz a cargo de Cristóvão Ferreira. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um Olhar Aproximadamente Baço

Fotografia de Carlos Olyveira
Habitamos uma paisagem de cor neutra
O presente não se sustém sem perspetiva
E um homem julga escutar uma mulher
Enquanto desabam pingos e não desarma

Narra-se uma improvável transparência
Ainda que turva, vagamente desalinhada
A confissão de um nativo fascínio 
Nada chega para apartar a neblina

Outras vias chegaremos a discorrer
Até que seja executado o reencontro
Do ar que respiramos sem conhecimento

O cansaço consente aquela partilha
A inadiável brecha tornada visível 
Assim o horizonte a queira clarear?

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Homem da Máquina de Projectar

José Castelo por Carlos Olyveira
Feriado do Espírito Santo, cidade da Lagoa. O fim do dia aproxima-se a passos largos e a praça tem ainda gente nos cafés e na Casa do Povo. Há um movimento sereno, ainda que se julgue terem sido muitos aqueles que foram a banhos para os lados das piscinas e do mar. Na passagem por aquela rua, antes de chegarmos à praça, deparamo-nos com um barulho de acção, objectos em movimento, o constatar de vozes gravadas, uma animação produzida em estúdio. Entretanto, uma voz amigável saúda-nos e até parece que estamos a perturbar aquela calmaria que se sente a quem avista aquela curta escadaria. A pergunta impõe-se:“-Será uma sala de cinema?”. A resposta vem no sentido afirmativo bem como um convite para conhecer o seu interior e uma sala de projecção com uma máquina de 35mm e ainda uma pequena sala de apoio onde se vê o desenrolar da fita do tempo das bobines. É um senhor simpático, de porte baixo e sorriso aberto que nos acolhe, dá pelo nome de José Castelo, possuindo apelido de produtor e exibidor de cinema. Vive por aqui, lagoense, e é ele o projeccionista desta sessão numa sala com oitenta e quatro lugares. E vive disto? Nem pensar pois ser projeccionista é, sobretudo, o que está para além da sua serralharia e de outros trabalhos domésticos, o seu passatempo, portanto. O filme que se encontra a passar no écran dá pelo título de “Logan”, uma história de mutantes vivida no futuro não muito longínquo, com somente um único espectador a assistir e que, dado o pendor trágico da narrativa, soluça com o triste findar da história daquele herói caído em desgraça.
Ali ao lado a alegria do projeccionista mantém-se e é por enquanto uma felicidade que não podemos perder. Isto até parece o “Cinema Paraíso”, digo eu, e por isso até se pensa que terá começado assim, por mera curiosidade, nos idos anos 90 do século passado, já que José Castelo trabalhava na Sinaga, fábrica do álcool. Só depois de se ter reformado, ficou a ser ele o responsável pelo Cine Auditório da Lira, numa cidade que já teve sala de cinema e que ainda tem a funcionar o seu Cine Teatro Lagoense. Com as cadeiras do “Vitória”, antigo cinema de Ponta Delgada, as suas máquinas de projecção montadas sob o seu domínio técnico, continua a dar asas à sua paixão e entusiasmo.  É sim, com ele, que por aqui a sétima arte vive e, por tão pouco fogo de artifício, nos continua a fazer sonhar e acreditar.  

Sala de Embarque: um ano depois!

    Faz agora um ano que começamos a trabalhar nesta ideia teatral da Sala de Embarque. Como naquela altura estávamos (e continuamos a estar) unicamente interessados em fazer teatro, fazedores de teatro que somos, nunca foi a nossa principal preocupação esperar pelos apoios, subsídios ou compromissos institucionais. Daí, até decidirmos avançar em Julho com uma proposta concreta foi um pequeno passo e, por isso, foi tão bom poder contar com o espaço da Galeria Arco 8, a disponibilidade e graciosidade do Pedro Bento. Devemos a este, para lá da simpatia e abertura, o apoio incondicional naqueles ensaios intermináveis e suados do verão passado. Assim, nasceu esta criação colectiva em que se foi juntando gente de tantas áreas e proveniências diversas.
Um ano depois e, após a apresentação no Teatro Micaelense em Março último, esta é a semana em que queremos transformar o Cine Teatro Lagoense no “nosso” teatro de eleição, a nossa casa de ensaios, ao mesmo tempo que pretendemos viver aqui um sonho tornado possível. E caso fosse esta sala de teatro um lugar disponível, propício à invenção e ao progresso das formas? As luzes estão já afinadas e dá para pensar em Francisco D´Amaral Almeida e o seu desejo de um teatro vivo, animado, um lugar perfeito para a aquisição de experiências e emoções. O sítio ideal para um pequeno grupo conhecido de "fazedores"…

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sala de Embarque: Ensaiar!

Fotografia de Carlos Olyveira

Frota Branca

Passavam entre seis a oito meses nos mares da Terra Nova, uma boa parte do tempo enfiados em pequenas dóris, possuíam uma hierarquia a bordo e só comiam carne uma vez por semana, sendo que nos restantes dias da semana alimentavam-se de bacalhau. Eram, maioritariamente, jovens, sendo certo que a partir dos anos sessenta alguns escapavam/desertavam ao serviço militar obrigatório,  à guerra do Ultramar, deixando para trás filhos e família. Estes pescadores eram oriundos dos bairros ou ilhas piscatórias das cidades costeiras portuguesas, pobres, portanto. Houve quem chegasse a fazer dez, ou até mesmo vinte campanhas, tal como o açoriano de rosto duro e tisnado, que se encontra à frente do quadro “A Família Piscatória”, obra icónica de Domingos Rebêlo. Houve mesmo quem avistasse baleias ao lado dos seus pequenos botes ou quem se tivesse perdido naqueles nevoeiros cerrados junto de icebergs, já para não falar dos que por lá ficaram esquecidos e enterrados para não corar de vergonha o regime. O Museu Marítimo de Ílhavo tem sido incansável no resgate dessa memória e dessa incrível epopeia, sendo transversal a uma boa parte do século vinte português. E, só por isso, aqui ficam estes parágrafos em forma de evocação e agradecimento. 
Imagem do Museu Marítimo de Ílhavo

quarta-feira, 31 de maio de 2017

E Se eu Não Te Amar Mais

(cantochão)

E se eu não te amar mais me
caia o mar nos ombros
me caia 
este silêncio pelos ossos dentro.

Me cegue os olhos esta sombra

me cerre 
esta noite num escuro mais profundo
do que a chuva de ti de mãos tão leves.

A figueira do meu sangue se emudeça 

de pássaros à espera dos teus passos
de outra voz por sobre a minha
morta.

E as ruas do teu corpo eu desaprenda

como desaprendi os dedos que me tocam
e se eu não te amar mais me caia a casa 
de costa no teu peito como o vento.


António Lobo Antunes in Letrinhas de Cantigas. 

To Jonny Bridge






"Till a’ the seas gang dry, my dear,
And the rocks melt wi’ the sun;
I will love thee still, my dear,
While the sands o’ life shall run."
A Red, Red Rose"

 Robert Burns

...

como se o vento trouxesse
recados 
que pudesse abandonar
aos serviço do mensageiro

como se o vento te pudesse levar
e as palavras transformar
no milagre da cerejeira

não descuides o vento 
que quem uiva 
é lobo faminto

rodeia-te antes do essencial
faz-te cozinheira, semeia o teu quintal

o que por natureza rola
há-de rolar 
e tu sozinha
o que podes contra o vento?

Ana Paula Inácio in Vago Pressentimento Azul Por Cima, Ilhas, 2000.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Sala de Embarque: Ensaios no Cine Teatro Lagoense

     
Fotografia de Carlos Olyveira
     
  

      Ontem recomeçámos os ensaios no Cine Teatro Lagoense, propriedade da autarquia, situado na cidade da Lagoa. Esta terra micaelense ficou conhecida pelas suas fábricas de cerâmica e do álcool que remontam ao final do século XIX e, foi por essa altura que um homem culto, Francisco D´Amaral Almeida, republicano e verdadeiro apaixonado pelas artes, pensou em edificar este cine teatro, concretizando esse desiderato no início do século XX, e, por isso, agora para lá do centenário de existência. Sabe-se que este tinha interesse e predilecção pela pintura, escultura e fotografia, que gostava de ler e escrever, tendo sido, inclusive, presidente da câmara. Era também um homem preocupado com o progresso e desenvolvimento da sua terra. E, também por isso, aqui iremos nós com a pretensão de honrar o seu legado trabalhar em prol da comunidade e do seu teatro. Assim e, após alguns ensaios, julgamos estar prontos para mostrar esta peça aos lagoenses e restante público que assim deseje ver.