quinta-feira, 16 de junho de 2022

"Lúcia e Conceição": A Vida Continua!

Fotograma de "Lúcia e Conceição", Fernando Matos Silva
Aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/lucia-e-conceicao/
Fotografia de Carlos Melo 
    Aquela senhora que sorria e que estava sentada à minha frente num café da Ribeira Grande era a Conceição. Não tinha qualquer dúvida. Tirei a folha de sala da altura da sessão escolar, guardada numa mochila que transportava e, aproveitando para mostrar a uma outra pessoa, logo confirmei: o rosto, o olhar, o sorriso, as expressões eram as mesmas da adolescente que enfrentava a câmara do documentário do Fernando Matos Silva. O fotograma daquele documentário  tem 48 anos e as feições do rosto actual de Conceição pouco ou nada mudou. Aproximei-me e ouvi o que esta me contou do seu regresso para o descanso merecido na ilha que a viu nascer. Aqui ficará durante o verão para acompanhar as festas da sua freguesia. Contou-me, assim, que consumou o seu desejo de partir para o Canadá há meio século, que criou família, fez duas casas com o seu marido, que aprendeu línguas, que aprendeu a gostar de lá estar e viver. A vida, essa, continua.

Versos de Arnaldo Antunes

Pois o mar que nos divide 
Pode nos unir também 

segunda-feira, 13 de junho de 2022

"Lisboa Clichê" de Daniel Blaufuks

“Lisboa Clichê”, de Daniel Blaufucks, é um livro de fotografias. Será? Julgo que este é mais do que um livro de fotografias e é, sobretudo, um livro de memórias de quem viveu e vive a bonita cidade de Lisboa. Como se de um diário de viagem se tratasse. Uma viagem no tempo, pois claro. Não que as fotografias não tenham a devida importância, antes pelo contrário, mas sim porque estas fotografias estão carregadas de significado, testemunhos, histórias. Quem viveu os anos 80/90 neste país à beira-mar plantado irá identificar-se com estas fotografias, ao mesmo tempo que pode ler este texto literário possuído de romantismo e de uma nostalgia de um passado que foi e não volta ser.  
    Esta Lisboa de Daniel Blaufucks está carregada de luz e de referências arquitetónicas, artísticas e morais. Por isso, é um livro de toda uma geração que por ali trabalhou, criou ou vadiou em torno de uma cidade bonita e acolhedora. Às vezes, metido até ao tutano e tantas outras apenas a tocar de raspão. Devagarinho, mas sempre cheia de sentimento! 

domingo, 12 de junho de 2022

FLORA

     "É o coletivo utilizado para indicar o mundo vegetal. Na mitologia romana era a deusa da Primavera e das flores, poder que lhe foi dado pelo esposo, Zéfiro. que igualmente lhe concedeu eterna juventude. 
    Os gregos chamavam-lhe Clóris (de Kloros, verde). Figuravam-na como uma bela ninfa, ornada de grinaldas e com um açafate de flores aos pés." 

Orlando Neves, in Dicionário do Nome das Coisas e Outros Epónimos, Notícias Editorial

An Happy Summer in Azores

     "Não voltou John Walkman a dispor de outro feliz verão como esse nos Açores; a morte atalhou-lhe o passo na primavera imediata, numa tarde em que levava à tipografia as provas revistas do seu livro. Nunca pôde, por isso, saber em que medida o nosso olhar que sobre nós lançou."

Urbano Bettencourt in "Algumas das Cidades", Instituto Açoriano de Cultura, Colecção Ínsula.

Verso de Jorge Ben Jor

 Eu quero paz e arroz 

Porque hoje é Domingo!

Exposição: Festa.Fúria.Femina.
Obras da Coleção da FLAD
Arquipélago-Centro de Artes Contemporâneas


FAUNO/A

    "Fauno era o deus da fecundidade dos rebanhos e dos campos. O seu nome significava "o que deseja o bem". Era uma das divindades itálicas mais antigas e populares que se identificava com o deus grego Pã. Protegia os bosques, os prados, o gado, sendo o representante da vida nômada e pastoril. Foi Lineu quem, em 1746, utilizando o feminino, deu este nome ao conjunto de espécies animais a um território."

Orlando Neves, in Dicionário do Nome das Coisas e Outros Epónimos, Notícias Editorial. 

segunda-feira, 6 de junho de 2022

"Êxodo" de Pedro da Silveira

 A essa terra que não era a tua 
deste o vigor dos teus braços,
deste o teu suor 
e o teu engenho.

Por essa terra que não era a tua 
deste generosamente o teu sangue.
E deste-lhe, povoador de mundos,
os teus filhos.

Agora, fechados os portos à tua entrada,
já o mar não é caminho aberto de emigrantes,
o mar não é mais a estrada livre dos barcos 
de clandestinos...

O Mar...
(você o disse Jorge Barbosa)
é o hoje a nossa prisão sem grades.
Irmão, deixá-lo...
Nas nossas ilhas erguemos o sonho que te negam 
O nosso mundo.

in Jornal Arauto, 23 de Março de 1964. 

Dia 8, 21h00, no Teatro Faialense

"Entre Ilhas" de Amaya Sumpsi
Sessão do Cineclube do Faial
Trailler aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=_O0cDFyBJSI