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| Gravura de Nuno Neves (Edições Serrote, 2012) |
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Ontem escrito numa parede da cidade
Gostava tanto de cinema que partiu para uma ilha. Ao fim de algum tempo, abriu um moinho gigante para mostrar filmes antigos. No final de cada filme oferecia chá de gengibre aos presentes. Conta-se que todos, sem excepção, acrescentavam mais qualquer coisa à obra que tinham visto.
sábado, 16 de abril de 2016
“Periférica – Brainstorming Art”: A Centralidade de Cem Soldos!
A Anda &Fala-Associação Cultural, em articulação com o Walk&Talk
e com o apoio da EFA-European Festival Association, promoveu, no passado dia 14
de Abril, o seminário “Periférica – Brainstorming Art”, na Biblioteca Pública e
Arquivo Regional de Ponta Delgada. Durante o dia foram oito as intervenções à
volta das relações entre centro e periferia, incidindo a discussão sobre a
emergência de um novo mapa geocultural e a criação artística contemporânea nos
Açores. Parabéns, portanto, à organização por ter dado a conhecer o trabalho de
Luís Ferreira, do Festival Bons Sons. Um exemplo extraordinário de como a
partir de um festival de música se envolve uma pequena comunidade, dessacraliza
a cultura, e faz com que esta seja alavanca e motor de desenvolvimento
económico e humano!
Progresso
“No Centro de Saúde Mental e Infantil, tínhamos dez ou onze equipas e
fazia uma reunião por semana com cada uma delas, e uma vez por mês uma reunião
geral com toda a gente. Essas reuniões eram às nove da manhã; das nove às onze.
E as pessoas chegavam sempre atrasadas. Fiz várias coisas até que simplesmente
escrevi num quadro,“Quem chegar depois da nove e dez é favor não interromper.”
Começaram a ir a horas. As pessoas protestam quando é imposto, mas se for dito
com jeito acabam por colaborar. E há outra coisa: a ideia do nosso governo
anterior era a de que as sociedades progridem por competição. Não, as
sociedades progridem por colaboração. Não é nos períodos de guerra que se fazem
as grandes descobertas, é nos períodos de paz.”
Entrevista de Carlos Vaz Marques a Coimbra de Matos,
in Jornal Público, dia 21 de Fevereiro 2016.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
da Divina Comédia
Por mim vai-se à cidade que é dolente
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor:
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterno duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Dante, excerto inserido na "História da Curiosidade", de Alberto Manguel.
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor:
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterno duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Dante, excerto inserido na "História da Curiosidade", de Alberto Manguel.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Humor nos Jornais
“Há treze
anos, como há dez, como há quatro, como há um ano, como sempre, o palavreado é
o mesmo, as mentiras, as intrujices, as patacoadas, todas as mesmas!
Bandalheira vergonhosa, de
partidos, de grupos, de gamela, de barrigas, de politiquice baixa, acusações
uns aos outros, casacas voltadas a todas as horas, d´este para aquele sol-e-dó,
muita miséria moral, muita estupidez, muito analfabetismo, muito patétola a
fingir de alguém e a insdisciplina, a desordem, a imoralidade, o desaforo, a desgraçarem
a sociedade portuguesa que já está sem conserto nenhum.”
in …Etc…, Jornal
Humorístico de Ponta Delgada, 1924.
“Ora se é…mas
não podem haver tolos, sem primeiro haverem discretos.”
in “A Calva À Mostra”,
Sábado 5 de Janeiro de 1889.
-Exposição de Jornais Humorísticos desde 1868 até 1974 na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
"Mar" de Tiago Miranda
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| Tiago Miranda, Pianola, 2013. |
O mar em grego é uma palavra do género feminino e foi assim que os antigos helénicos começaram por tratar desta força da natureza. Uma potência geradora e aglutinadora de vida. “O mar é”
disse-me um dia o meu pai para calar aquilo, sobretudo com que o mar nos dá mas que também nos
tira. O mar é, foi e será sempre, fonte de riqueza e inspiração neste país com
tanto de mar como de lua, daí "o país de lunáticos" do Alexandre O´Neill. Para lá do peixe, dos recursos marinhos e da frota
pesqueira, a nossa costa está repleta de praias e locais para nos dedicarmos ao
sol, aos mergulhos, aos passeios, ao desporto, ao namoro, à contemplação. Foi
isso que Tiago Miranda, repórter fotográfico do Expresso, quis fixar de forma
quase diarística, num périplo costeiro de onde resultaram as imagens deste “Mar”.
Ao longo deste particularíssimo e pulcro objecto, encontramos muitas
praias, algumas bem conhecidas e outras menos, mas todas de igual relevância
para o respectivo conjunto. A beleza
deste objecto é tanta que aumenta o desejo de viajar pelas praias da nossa
infância e adolescência.
Este livro de fotografias de Tiago Miranda contém
ainda um poema de Rui Miguel Ribeiro (“Fez-se
chamar com a fúria cava/ de uma onda ou a táctil cobertura/ de uma espuma”), sendo a revisão de Mariana Pinto dos Santos, tendo sido composto e paginado por
Eduardo Brito. A tiragem, com a chancela da Pianola, foi
de trezentos exemplares.
Michelangelo Antonioni
Visione del
silenzio
Angolo vuoto
Pagina senza
parole
Una lettera
scritta
Sopra un
viso
Di pietra e
vapore
Amore
Inutile
finestra
Caetano Veloso
Romance de Nós
Estou à beira do mar,
estou à beira de ti.
Ardem no meu olhar
os sonhos que não vi.
Tudo em nós foi naufrágio,
não quisemos saber:
fizemos nosso adágio
do que não pôde ser.
Que resta do amor
a quem é como nós?
Envergonha-me pôr
em verso: «somos sós;
sós como amanhecer
às avessas do mundo;
sós como podem ser
as areias no fundo;
somos sós e sabê-lo
é negar o pronome
que de nós fez novelo
e por nós se consome». Luis Filipe Castro Mendes, in "Modos de Música".
Linda Martini: “Sirumba”
Quando neste
Portugal contemporâneo, alunos do ensino secundário e seu professor encontram temas em comuns na sala de aula sobre canções rock e um filme do tempo do cinema novo português, é
caso para afirmar que nem tudo se perde mas que tudo se transforma. Os Linda
Martini conseguiram tal feito, que vai desde o período em que ensaiavam numa casa
ocupada dos anos noventa, passando pelos concertos hardcore, até encherem há dias
o Coliseu, acumulando um capital de simpatia e comunhão como poucos conseguem.
“Sirumba” está já em escuta e é também o tema de abertura deste novo disco de 2016. É uma canção em forma de hino, caracterizando-se pelas guitarras de forma dançante à procura de encontrar os diferentes espaços para cada um no sentido e vida presente: “Segundo
toque/ E eu não vou Amor/ Faço gala/Eu quero é ser cantor/ Se eu chegar ao
outro lado/ E voltar tudo para trás/ Não quero ser doutor/ Não quero ser
doutor/ Não quero ser doutor/ Não quero ser doutor.”
domingo, 10 de abril de 2016
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