![]() |
| Concerto de Carla Bley, Steve Swallow e Andy Sheppard em Angra do Heroísmo Fotografia de Margarida Quinteiro (Festival AngraJazz 2013) |
sábado, 6 de maio de 2017
As Mãos da Pianista
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Diogo Fonseca expõe no Hostel Out of Blue
Diogo Fonseca
inaugurou ontem a sua primeira exposição de fotografia no “Hostel Out of Blue”.
Num corredor contíguo à sala de estar deste alojamento local estão expostas
sete fotografias com o título conjunto “A Viagem”. As imagens exploram a ideia
de périplo no perímetro insular, onde o grão adensa o mistério e a dúvida,
marcados pelas intensidade e a textura das paisagens locais, evidenciando a
pujança e tonalidade de formas e cores. Este trabalho fotográfico
revela cuidado e intencionalidade prévias, visível nos suportes e disposição, sendo prenúncio de bons augúrios para promissoras
propostas futuras. PS-As fotografias da inauguração desta exposição foram realizadas pelo fotógrafo Carlos Olyveira.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
"Amarcord" o filme da vida de Zeca Medeiros
![]() |
| Amarcord será exibido dia 27 de Maio no Teatro Micaelense |
Este filme de
Federico Fellini foi realizado em 1973 e retrata Itália dos anos 30, a vida na cidade
de Rimini e de um adolescente daquela altura. Num misto de ficção e realidade, pois trata-se das
recordações do realizador, Amarcord é um quadro pitoresco e fantasmagórico pré-segunda Guerra Mundial e onde se anuncia já a presença de Il Duce.
Federico Fellini convocou para
este filme a sua galeria de personagens extravagantes, dando assim a conhecer
os tempos da sua juventude e a sua visão da Itália daquele período, contando
para isso com a música evocativa, plena de imagens, de Nino Rota. O realizador explicaria alguns
anos mais tarde, numa conversa com Damian Pettigrew, as razões que o levaram a
realizar tal filme: "O Amarcord é uma reflexão sobre a
incapacidade de observarmos criticamente o nosso passado fascista, um passado
que recusamos, mas do qual nunca nos poderíamos separar: o que faz parte do
passado de cada um de nós forma inalteravelmente uma parte íntima de si
próprio. Por isso o Amarcord é mais um exame do presente do que uma nostalgia.
Na realidade, quando foi estreado o Satyricon, muitos viram o filme como um
comentário sobre o Maio de 68. Creio que filmes como Casanova ou O Navio podem
ser interpretados como reflexos de uma certa actualidade, como o jornal da
noite. (...) Muitas vezes simplifiquei o sentido cabalístico da palavra
amarcord, dizendo que é um termo romagnolo e que significa
"Lembro-me". Mas não é bem verdade. Penso que a ideia original me ocorreu
depois de ter lido qualquer coisa sobre o sueco defensor do aborto Hammercord,
e que a sonoridade do seu nome o ponto de partida. Se se juntarem as palavras
amare (amar), cuore (coração), ricordare (lembrar) e amaro (amargo) obtém-se
Amarcord."
domingo, 30 de abril de 2017
Do Fausto
Entendamo-nos bem. não ponho eu mira
na posse do que o mundo alcunha gozos,
O que eu preciso e quero, é atordoar-me
Quero a embriaguez de incomportáveis dores,
a volúpia do ódio, o arroubamento
das sumas aflições. Estou curado
das sedes do saber; ora em diante
às dores todas escancaro est´alma.
As sensações da espécie humana em peso.
quero-as eu dentro em mim; se entranhem
aqui onde à vontade a mente minha
os abrace, os tateie; assim me torno
eu próprio humanidade; e se ela ao cabo
perdida for, me perderei com ela.
in Fausto, Goethe.
na posse do que o mundo alcunha gozos,
O que eu preciso e quero, é atordoar-me
Quero a embriaguez de incomportáveis dores,
a volúpia do ódio, o arroubamento
das sumas aflições. Estou curado
das sedes do saber; ora em diante
às dores todas escancaro est´alma.
As sensações da espécie humana em peso.
quero-as eu dentro em mim; se entranhem
aqui onde à vontade a mente minha
os abrace, os tateie; assim me torno
eu próprio humanidade; e se ela ao cabo
perdida for, me perderei com ela.
in Fausto, Goethe.
sábado, 29 de abril de 2017
Do Inventor do Nefoscópio de Reflexão
![]() |
| Edição do Instituto Açoriano de Cultura Angra do Heroísmo, 2017 (Fotografia do livro sobre o banco-Carlos Olyveira) |
Depois do jantar foi
uma desolação. Os gregos desapareceram cedo. Comeram quase todos na primeira mesa
e deitaram-se logo a seguir. Os passageiros melhores foram ouvir o concerto da 1ªclasse. Eu
assentei-me sozinho, num grande salão, a ouvi-lo num pick-up. Um belo barítono
cantou qualquer coisa que me agradou muito. Disseram-me hoje que é um cantor de
certa fama, que viaja na 1ªclasse. A orquestra – uma orquestra muito mais
completa do que aquela que toca no nosso salão – executou com decência o 1812
de Tchaikovsky. A maior parte dos músicos são criados de câmara. Mas os
italianos são assim, qualquer coisa sempre e mais músicos.”
in "Primeira Parte - Lisboa-Argel-Nápoles-Roma-Bolonha
22/08/1937: 05/09/1937"- Coordenação Carlos Guilherme Riley.
Os Volantes Pés de Tatiana Grenkova
Nada tolherá esta
insuficiência
mácula e decepção à
partida
tal absorto e atento espectador
examina céptico em
pose deslumbrado
o suave e clássico discernimento
dos pés em riste e dos
tiques de cisne
assiste e acusa
gravidade
sopro, silêncio e voo
na aguardada retoma dos gestos
alento do baile na
poltrona de abrigo
as mãos que ondulam
e vogam
à deriva de vagas com sentido
antes da superfície
frontal oclusa.
27 de Abril, Tascá.
domingo, 23 de abril de 2017
Um Poema Vindo de Londres
Enviaram-me um poema de Londres a
anunciar
a comoção dos pássaros à chegada
e demais versos sobre periferias
abandonadas
com raparigas dengosas à janela
num universo cada vez mais
supérfluo
em expansão.
Às vezes acreditamos que o melhor ainda
está para vir
a desenvoltura das ruas, a ligeireza dos
corpos
enganamos a palidez do voo com penas e
asas
ditos por ornitólogos ao
entardecer na amurada do cais
consumidos por mazelas, presságios e
ruínas
arautos de água pouco fértil,
a escorrer pelos campos e veredas
no desfecho de uma primavera que se quis
ausente.
12 de Abril de 2017, na Tascá.
sábado, 22 de abril de 2017
O Tremor dá música por todos os lados
| O Diário Gráfico do Tremor (Coordenação de Marcos Farrajota) |
Uma das noites surpresa da quarta edição do Tremor foi o concerto dos "Circuit des Yeux" no
Auditório Camões. Meia hora decorrida após o início do concerto e o mistério daquela
atmosfera, repleta de dúvidas e silêncios, adensava-se. Aliás, o encanto indagador ia crescendo, o poder daquela voz enigmática, misteriosa, assim o concedia. Voz de homem ou
mulher? Eis que os efeitos, a envolvência e a gravidade desaparecem e é a voz da própria Haley Fohr que se impõe,
que emudece a sala que naquele instante que se encontrava cheia e remete aquela ambiência e atmosfera final do
concerto para algo único, excitante e indecifrável. Valeu claro! Ali estava um momento marcante, poderoso, inesquecível!
A música em sítios inesperados e pouco usuais é a grande marca deste festival musical que se realiza todos os anos por esta altura na Ilha de São Miguel. Outra coisa são os convidados que amaram à Ilha para criar, desenvolver projectos junto da comunidade local. Um deles foi Marcos Farrajota, um dos editores da Chili com Carne, que teve a oportunidade de juntar alunos da Escola Secundária Antero de Quental e construir com eles um diário gráfico do próprio festival.
Assim, durante o interregno
pascal alunos de turmas de artes iam desenhando o que viram/imaginaram ao longo da semana,
tendo as situações dos concertos/espectáculos como mote e tema para explorar e expandir o seu engenho e criatividade. O resultado, tal como podem observar pelos folhetos distribuídos aquando do fecho do festival, é sempre estimulante e até, por vezes, bastante surpreendente. Muito embora, a festa do Tremor seja apenas no sábado, os concertos
surpresa já tinham começado alguns dias antes. Que sábado (o grande dia do Tremor!) viesse e nos trouxesse o
relógio certeiro dos Mão Morta (cada vez mais afinados e directos) ou o semba mágico e alegre do Bonga, já todos sabíamos, mas tudo aquilo que se passa antes, aquelas horas em périplo à procura das músicas e dos concertos, isso sim, é que é quase sempre imprevisto, diversificado e inesperado! Para o ano
há certamente mais música e demais abalos gráficos.
A música em sítios inesperados e pouco usuais é a grande marca deste festival musical que se realiza todos os anos por esta altura na Ilha de São Miguel. Outra coisa são os convidados que amaram à Ilha para criar, desenvolver projectos junto da comunidade local. Um deles foi Marcos Farrajota, um dos editores da Chili com Carne, que teve a oportunidade de juntar alunos da Escola Secundária Antero de Quental e construir com eles um diário gráfico do próprio festival.
Assim, durante o interregno
pascal alunos de turmas de artes iam desenhando o que viram/imaginaram ao longo da semana,
tendo as situações dos concertos/espectáculos como mote e tema para explorar e expandir o seu engenho e criatividade. O resultado, tal como podem observar pelos folhetos distribuídos aquando do fecho do festival, é sempre estimulante e até, por vezes, bastante surpreendente. Muito embora, a festa do Tremor seja apenas no sábado, os concertos
surpresa já tinham começado alguns dias antes. Que sábado (o grande dia do Tremor!) viesse e nos trouxesse o
relógio certeiro dos Mão Morta (cada vez mais afinados e directos) ou o semba mágico e alegre do Bonga, já todos sabíamos, mas tudo aquilo que se passa antes, aquelas horas em périplo à procura das músicas e dos concertos, isso sim, é que é quase sempre imprevisto, diversificado e inesperado! Para o ano
há certamente mais música e demais abalos gráficos.segunda-feira, 17 de abril de 2017
Interrogatório I (Alberto Ai interroga Dr. Álvaro Bruma no Ramiro em Lisboa)
Dr.
Álvaro Bruma é um conceituado meteorologista insular, que ficou famoso pelas
suas polémicas teorias sobre o clima, de onde resultaram sentenças como “O
clima de suspeição que se vive em Portugal é mais elevado no Inverno devido a
factores psicológicos” ou “Altas concentrações de actividade sexual contribuem
decisivamente para o aquecimento global”. Depois de várias tentativas falhadas
por parte da nossa redacção, eis que conseguimos um exclusivo com Dr. Álvaro
Bruma, que assentiu a conversar um pouco com Alberto Ai, desde que o fossemos
buscar a casa e lhe pagássemos a viagem e o almoço. Apesar dos parcos recursos
desta redacção, achámos que valeria a pena o esforço financeiro. Alberto Ai e
Dr. Bruma almoçaram santola no Ramiro, e o resultado foi este:
Alberto
Ai: Antes de começar a nossa entrevista, queria-lhe agradecer o convite que me
fez para ir visitar a sua colecção de répteis. Começaria por lhe perguntar de
onde vem esta paixão?
Dr. Álvaro Bruma: Não diria bem paixão, mas uma volúpia de
trazer por casa. Uma inolvidável volúpia por tudo que tenhas asas ou capacidade
de trepar (os nossos irmãos brasileiros estão já escandalizados com este meu
arrojo linguístico) mas é, sobretudo, isso. É um prazer vetusto, com muitos
anos, sem dúvida, mas convirá dizer que foi muito tempo depois do surgimento da
anestesia.
AA:
Conhecidas que são as suas ideias sobre o clima de suspeição em Portugal,
considera que o clima económico desfavorável é um céu carregado de nuvens
negras, ou apenas neblinas e nevoeiros matinais de um dia radioso de sol?
DAB:
Creio que a suspeição num país de justiça lenta faz parte do ambiente geral. É
parte integrante do estado do tempo e, com frequência somos apanhados, não
pela justiça, mas sim pela instabilidade climatérica e pelas temperaturas
moderadas. Precisaríamos de justiça como de água no vinho mas a malta só tem
sede de justiça na esplanada. Depois, essa mesma malta bebe dois copos de tinto, vê e assiste a um
comentador desportivo e a coisa passa.
AA:
Há quem o chame de “eremita de Santa Maria”, que resulta do facto de viver
isolado no interior da ilha, não criando laços de afinidade com a população
local. Vive como quer, ou vive como pode?
DAB:
Vivo como quero e como quando posso, evidentemente, pois nasci no meio daquela
terra barrenta com odor a vaca por todos os lados. Actualmente, não há nada
nem ninguém que me consiga dar ordens. Produzo aquilo que bebo e como aquilo
que planto, sou mesmo auto-suficiente. De vez em quando, vou às grandes
superfícies ver as oscilações do preço das sementes e começo de imediato a
barafustar com os empregados, o que não é nada saudável. O meu nome já deve
constar das altas esferas da conspiração e espionagem internacional.
AA:
Qual foi a coisa mais surpreendente que viu na sua actividade de observação de
fenómenos atmosféricos?
DAB:
Foram as auroras boreais em Tromsø, ali na Noruega. Estava com a minha
companheira, a Celeste, uma minhota de olhos cor de amêndoa, estávamos na
presença de 230 cm de neve e a média da temperatura daquele Janeiro rondava
os-4 °C. Estávamos completamente gelados, a pingar do nariz e os ossos
petrificados, mas felizes. Não me lembro de mais nada assim.
AA:
Dr. Álvaro, o que faz nos seus tempos livres?
DAB:
Tenho sempre comigo um nefoscópio de reflexão onde vejo a direção e meço a
velocidade das nuvens. Passo horas com picos de ansiedade e quase me esqueço de
jantar. Há dias telefonaram-me para ir dar uma conferência sobre altas e baixas
pressões e eu não ouvi, pois encontrava-me a seguir uma nuvem denominada de
Altocumullus que ia em direção à Ilhéu de Vila Franca mas com um pendor
desviante para o ilhéu das Formigas.
AA:
O que levou o Dr. Álvaro a seguir esta actividade? Corrobora da ideia
generalizada de que para abraçar a profissão de meteorologista é necessário
ser-se um pouco apanhado do clima ou andar com a cabeça nas nuvens?
DAB:
Sim, é um facto. Eu fiquei conhecido na faculdade pelo Professor Doutor
Nefelibata. Cheguei mesmo a criar um conjunto musical intitulado “Bardos &
Nefelibatas”. Nunca ensaiamos na vida, mas fomos capazes de dar doze concertos,
já que havia a premissa de que só tocaríamos quando fizesse bom tempo. Curiosamente a banda terminou num
concerto em que fomos atingidos todos por um raio e sua respectiva trovoada que
deu cabo da mesa de mistura e dos instrumentos. É uma sorte estarmos vivos, é um
facto. Mais sorte tivemos quando soubemos que um dos nossos fãs decidiu pagar os estragos com uma herança de um bisavó,
o que não foi pouco.
AA:
O que pensa da dispensa de meteorologistas da televisão portuguesa, e da sua
substituição por mulheres bem delineadas de roupas leves, que ditam a previsão
do estado do tempo lendo o teleponto ao som de música erótica?
DAB:
Não vejo televisão desde o furacão Alex, achei que aquele embuste foi demais. Quanto às
roupas leves é uma das consequências das alterações climáticas, pois vamos
sendo despojados do essencial e qualquer dia teremos que andar com aquilo com
que viemos ao mundo. Quanto à música erótica, afianço-vos, meus amigos, que esta já teve
também melhores dias.
AA:
Por fim, e agradecendo desde já esta sua entrevista ao Interrogatório,
pedia-lhe que nos desse a previsão do estado do tempo para os próximos dias.
DAB: Alguma chuva, boas abertas, claro. E para vocês também.quinta-feira, 6 de abril de 2017
Sobre a Sala de Embarque no Teatro Micaelense
![]() |
| (Fotografia de Carlos Olyveira) |
Paulo Lisboa
Hoje, às 18h30, na Tipografia Micaelense
![]() |
| Fotografia de Carlos Olyveira |
Os
micro-contos estão prontos. A reunião está feita e o trabalho de tipografia está
concluído. São sete micro-contos efectuados na Tipografia Micaelense sob a orientação gráfica de Júlia Garcia e o trabalho colaborativo de Eduardo Furtado
e Dinis Botelho. Ao todo sete narrativas minúsculas que se lêem de jorro, entre
o café e uma torrada, e que nem por isso deixam de provocar regalo e delícia nos
olhos mais atentos perante a beleza de tal arrojo e empreendimento. Foi oficio prolongado e que
explorou os tipos existentes naquele espaço tipográfico repleto de memórias e
labores. Os autores destas pequenas histórias são: Nuno Marques da Silva, Blanca
Martín Calero, Fernando Nunes, Laura Borges, Francisco Melo Bento, Eduardo
Brito e João Pedro Porto. Mais logo, pela tardinha, há leituras e conversas para
quem quiser aparecer.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







