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| Foto da edição nº 0 da FALTA |
sábado, 23 de junho de 2018
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Raízes
"O enraizamento é talvez a mais importante e menos reconhecida necessidade da alma humana."
Simone Weil
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Arco 8: À Flor da Pele
Já
passava da meia-noite e avizinhava-se assim uma madrugada longa e preenchida de sons
distintos e estimulantes. Foi, então, necessário ligar aqueles elementos
musicais díspares e conectá-los pelo fio condutor do sufoco metereológico de Junho, disponibilizar os poros e membranas dum corpo musical alienígena à deriva pela noite dentro, que abarcasse a paleta musical dos Portishead, Shed Seven, Mayra Andrade, Naifa, Jens Lekman, Franz
Ferdinand, Dans Le Sac Vs Scroobius, Memorie Tapes, Tindersticks, Naifa, Miguel
Guia & Tó Ricciardi, Cazuza, Lou Reed, Linda Martini, O´rquestrada, Galundum
Galandaina, Caetano Veloso, Bandarra, Ban, Gaiteiros de Lisboa, etc, para lá da música
marroquina, maliana, cigana, cabo-verdiana, angolana, argentina, brasileira e senegalesa. Em suma, foi montada a carga sonora no seu vigor e amplificação, um grande e variado conjunto de naves musicais
a confluir até à chegada da luz matinal. Enfim...sons e ritmos para sentir e fruir à flor da pele!
domingo, 17 de junho de 2018
Revista Mare
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
A Mare é de origem alemã e tem como director Nikolaus Gelpke e, como mera curiosidade, a directora de arte é Claudia Bock. Esta revista é a celebração em papel dessa força incrível da natureza que é o mar. É uma forma bonita de homenagearmos quem nos dá tanto (por vezes, também tira!) e que nós, à força desta civilização consumista e exploradora, lhe estamos a retirar quase tudo. À semelhança do programa televisivo Bombordo, só que desta feita em papel impresso, toda a revista é composta por temas marinhos e imagens, tanto no fundo como à superfície dos oceanos ou mesmo das actividades que subsistem do mar. E como é entusiasmante e auspicioso percorrer as suas páginas e encontrar o portefólio de fotógrafos como Gianni Berengo Gardin, Yukihiko Otsuka, Sergio Larraín, as ilustrações de Nyoman Suarsa, as pinturas de T. Lux Feininger ou ainda os poemas de Conrad Ferdinand Meyer. Um luxo para os olhos e ainda uma preciosidade maior quando se sabe que os proprietários das respectivas as quiseram despachar para que pudessem encontrar novos e diferentes leitores.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Eterno Retorno
“Todo o prazer da vida está
fundado sobre o retorno dos objectos exteriores. A alternância do dia e da
noite, das estações, das flores e dos frutos, e de tudo o que vem até nós nos
períodos fixos, de que nós podemos gozar, eis os verdadeiros impulsos da vida
terrestre.”
quinta-feira, 14 de junho de 2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
Corpo Triplicado de Maria Brandão
Sentido Único
Na minha
casa não há roupa fora de uso, fotografias antigas, recordações de viagens,
revistas desbotadas, recortes de jornais, bilhetes de amor, recibos de compras,
artigos decorativos, vasinhos de plantas ou animais de estimação. Livro-me de
coisas inúteis como me livro dos amigos hipócritas e dos amantes incompetentes.
Sem remorso e sem saudade.
Maria Brandão, Edição Companhia das
Ilhas, 2018.
Vinho de André Laranjinha
André Laranjinha filma o nosso mundo, esta realidade que nos está próxima e que vai desde o pão, ao vinho, aos muros de pedra, à matança do porco, até à ilha, por vezes pessoal e transmissível, de quem aqui aportou. Neste documentário intitulado “O Vinho”, quase uma hora de imagens em movimento, resultado de várias visitas à Ilha do Pico, o realizador mergulha nessa crosta de lava no meio do oceano Atlântico, à procura das vinhas que estão espetadas na terra e cuidadas pelos seus guardiões.
Num registo demorado, mas escorreito, vamo-nos apercebendo da alteração das
estações, documentando o gelo da grande montanha no inverno, ao surgimento das primeiras folhas e da enxertia necessária sempre com a presença dos homens no tratramento da vinha, que é tudo menos fácil. A uva vingou numa terra difícil que resiste
ao cultivo, demasiado áspera e propensa aos elementos, daí o prodígio do vinho nessa ilha conhecida por homens que bebem e celebram a existência desse precioso líquido. Uma boa parte do filme é
passado em adegas, nessas arrecadações onde se deposita e protege o vinho, a
aguardente, os licores, mas também pontos de encontro com portas escancaradas ao debate, à
reunião e à música, ou somente ao resguardo no final de mais um dia
de canseiras e afazeres. Um documentário com ilhéus dentro.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
domingo, 10 de junho de 2018
Foi no Mar que Aprendi
Foi
no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao
olhar sem fim o sucessivo
Inchar
e desabar da vaga
A
bela curva luzidia do seu dorso
O
longo espraiar das mãos de espuma
Por
isso nos museus da Grécia antiga
Olhando
estátuas frisos e colunas
Sempre
me aclaro mais leve e mais viva
E
respiro melhor como na praia
Sophia
de Mello Breyner Andresen (in Obra Poética - o Búzio de Cós e outros poemas)
sexta-feira, 8 de junho de 2018
A FALTA está na Rua
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Durante
oito sessões foi bonito ver o envolvimento de pessoas empenhadas a realizar
algo de que gostam e acreditam. A pergunta impõe-se: continuaremos a FALTA, rumo
ao número 1? Foram cerca de 15 pessoas que frequentaram de livre vontade as Oficinas de São
Miguel, usaram-se 900 folhas de papel, 5 litros de tinta, contámos com 25
colaboradores: Alberto Plácido, Daniel Blaufuks, Eduardo Brito, Marco Evo, Ana
Paula Inácio, Leonardo, Gregory Le Lay, Igor Boyer, Blanca Martín-Calero, André
Laranjinha, Miguel Castro Caldas, Doutor Mara, Pedro Gaspar, Margarida
Rodrigues, João Amado, Maria Emanuel Albergaria, Nuno Malato, Carlos Olyveira,
Caso, Alberto Borges, Lígia Soares, João Malaquias, Luísa Cardoso, Alice
Borges, Joana Matos, Petar Sculac e Sandra Rocha. Para concretizarmos este
número zero da FALTA discutiu-se muito à volta de almoços, realizaram-se
jantares, tomámos muitos cafés, fumaram-se muitos cigarros, beberam-se algumas
cervejas...e trabalhámos muitas horas à volta da ideia de repetição e superação
de dificuldades. Estas páginas foram maioritariamente impressas em serigrafia
por meio de uma tela de seda e com o uso de diversas cores e tintas. O número
zero envolveu gente de diversas áreas e demais pessoas que quiseram meter as
mãos na massa. Eis chegado o lançamento da FALTA na Galeria Brui, situada na rua d’ água, 46, em Ponta Delgada. A
hora de apresentação é às 18 horas. O grafismo da revista foi da inteira responsabilidade da Júlia
Garcia.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Durruti Column: Melodias aquáticas
“A
este triângulo dourado de que apenas dois lados permanecem em actividade (Gist
e Antenna) devem associar-se também os Durutti Column, aliás, o guitarrista
vocalista pianista Vini Reilly. A sua música é qualquer coisa de terrivelmente
intimo, como um Paul Mauriat dos tímidos, para ser partilhado apenas por
amigos. Os títulos das peças, aliás, dizem quase tudo. “For Mimi”, “For Belgium
Friends”, “Detail for Paul”…são séries, dificilmente distinguíveis entre si, de
pequenas aguarelas difusas e jogos de cores suaves, sequências de acordes e
esboços de melodias aquáticas, repetidas e tornadas a repetir pelo puro prazer
de as ouvir ecoar, pontuadas por uma percussão tracejada. Navegando nas mesmas
águas (embora bem mais próximas da terra), os Felt praticam a difícil arte de
guitarra hesitante e constantemente tropeçando sobre si própria, salmodiando
textos adequadamente obscuros de espantos e fascinação.”
João
Lisboa, “A
Música-Aquário dos Novos Ingénuos” in Jornal Globo, 25/2/1984
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