quinta-feira, 18 de outubro de 2018

"Fernando Lemos - Como, não é retrato?" de Jorge Silva Melo

Retrato de Alexandre O´Neill por Fernando Lemos 

    


     "O desejo é a cura do que nos falta. Você só deseja curar aquilo que te está faltando."

Fernando Lemos

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Medeiros/Lucas: Falta um Mês

            
Medeiros/Lucas na Igreja da Mãe de Deus
Pontes I (Março 2017)
(Fotografia de Carlos Olyveira)
             
             

           Já passaram quatro anos desde o primeiro concerto desta dupla, organizado então pelo produtor, João da Ponte, na extinta Tascà da rua de Lisboa, em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel. À altura deram um concerto para apenas duas dezenas de amigos, tendo servido para  alavancar este apaixonante projecto que conta já com três álbuns gravados: “Mar Aberto”, “Terra do Corpo” e “Sol de Março”. A novidade dos últimos dois discos trouxe também as letras do escritor micaelense: João Pedro Porto. Na memória ainda pairam os concertos na abertura do Tremor 2016, no Museu do Trabalho das Capelas, e aquele que abrilhantou a primeira edição do “Pontes – Gramáticas da Criação”, em Abril de 2017, onde estes tocaram na Igreja da Mãe de Deus. O novo regresso está marcado para o dia 17 de Novembro, às 21h30, no Teatro Micaelense, inserido no evento literário: "Arquipélago de Escritores". Falta exactamente um mês e, por aqui, há já quem aguarde com ansiedade o regresso destes príncipes do atlântico. 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A Ofensiva Outonal de Janeiro Alves (Não Tardará pela Resposta)

Caro Doutor Mara,
Ficaria este seu mui amigo descansado, se esta carta o encontrasse na plenitude das suas capacidades intelectuais, sobretudo se orientadas para assuntos belos tais como a divindade na botânica ou a higrometria insular, e não para devaneios anarco-sindicalistas que já o prejudicaram no passado.
Escrevo-lhe no despontar do Outono da varanda do meu quarto, onde pelo meio da folhagem tropical se vislumbram excertos do pátio central desta magnífica casa de saúde setecentista, enquanto com a mão esquerda afago os meus sapatos italianos de cetim afivelados que tantas recordações me trazem da Eslovénia e de Trieste. Queria saber como vai o meu amigo, mas posso desde já assegurar-lhe que bom, bom estou eu. Naquele dia em que corria nu pela Praça D. Pedro V, firme e convicto na minha luta contra certas e determinadas situações contemporâneas que corroem os pilares da nossa sociedade, estaria longe de imaginar que uma camisa de forças me transportaria a este idílico cenário de anjos, concertos de clarins e harpas para coro de pássaros exóticos, ninfas e ninfetas que nos fornecem directamente à boca os mais frescos frutos do bosque como se fossem comprimidos para a inibição das consciências enquanto sussurram palavras de bonomia aos nossos ouvidos, risos de cristal que ecoam nos claustros e balaustradas, e fontanários de água celestial a correr como tónico capilar para o cabelo que me voltou a crescer às golfadas. Isto constitui apenas uma breve impressão desta casa magistral, pois tenho a certeza de que se fosse entrar em pormenores, o meu Caro Doutor Mara estaria aqui já amanhã, de mochila às costas, a pedir que o deixassem entrar. É uma pena que não estejamos autorizados a receber visitas, e digo-lhe desde já que não sabemos bem onde estamos. Ser-lhe-á fornecido um apartado, para o caso de o meu caro amigo ter a gentileza de responder a esta carta.
Termino esta missiva com um excerto de um poema sueco muito bonito, que partilho consigo pois aqui ninguém fala essa bela língua: “Hjälp! Rädda mig från denna tragedi”
Janeiro Alves

Dias Líquidos

Fotografia de Carlos Olyveira

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Associação Cultural Octopus: 40 anos


A Associação Cultural Octopus faz 40 anos de actividade. É com enorme orgulho que fiz parte desse movimento colectivo de organizar sessões de cinema todas as semanas numa pequena cidade costeira do litoral português. Lugar de aprendizagem colectiva da sétima arte, foi sempre um espaço de debate e de afirmação da expressão cinematográfica que se quer diversa e plural. Hoje as sessões continuam no Cineteatro Garrett já que a sala do Estúdio Santa Clara não existe mais. Este verão assisti entretanto a uma sessão de cinema ao ar livre, desta feita no jardim da casa de Manuel Lopes, um bibliotecário-cinéfilo recentemente desaparecido. Recordo, por isso, nesta data redonda a referência às palavras debutantes do grupo fundador da associação aquando do início do cineclube: "Fomentar o diálogo, a opinião crítica e a convivência, sensibilizar para a leitura da imagem cinematográfica, cultivar o cinema como arte e como forma de intervenção social e divulgar o cinema português são os objectivos que o Grupo Octopus pretende alcançar com a exibição regular de películas de autores nacionais, tão mal queridos dos habituais circuitos comerciais de exibição.”

Wine in Azores: 19, 20 e 21 de Outubro no Pavilhão de Exposições da Associação Agrícola na Ribeira Grande

Desde há algum tempo que os vinhos nacionais conquistam estantes noutros países, para além do facto de serem elogiados e terem obtido prémios nos muitos concursos existentes, muito à base dos produtores e promotores que lutam pela qualidade dos mesmos. Seria bom que o mercado mantivesse a qualidade associada ao bom vinho e barato, sobretudo para que estes continuem com um preço acessível, e que assim permaneça a garantia vinícola associada à região onde se dá a vinha e ao carácter do seu produtor. É curioso que somos poucos os que damos valor aos críticos ou então que se valorize de forma excessiva a importância que estes possam ter na "solvência" do mercado vitivinícola. O que é certo é que o vinho português aumentou a sua qualidade tal como se estendeu o seu hábito a uma boa fatia da população portuguesa, mantendo-se assim como um dos produtos característicos e identitários deste rectângulo à beira-mar plantado mais as suas ilhas atlânticas.

Da Raridade

"Todas as coisas dignas de atenção são tão difíceis quanto raras."
                                                                                                                Espinosa

Filme d´Outono: Annie Hall de Woody Allen



       "Voz de Alvy: ...eu pensei naquela velha piada, sabem, daquele tipo que, vai ao psiquiatra e diz: “Doutor, hum, o meu irmão está maluco. Pensa que é uma galinha." E, hum, o médico pergunta: "Bem porque é que não o interna?" E o tipo responde: "Eu internava-o, mas preciso dos ovos". Bem, creio que é mais ou menos isto que penso sobre as relações humanas ou entre as pessoas. Sabem uma coisa? Elas são completamente irracionais e loucas e absurdas e, mas, hum, creio que continuamos a mantê-las porque, hum, a maior parte de nós precisa dos ovos”.

Woody Allen in Annie Hall, 1977.

Verso de Tom Waits

Well I hope that I don't fall in love with you

domingo, 14 de outubro de 2018

Bella Ciao (Goodbye Beautiful) por Tom Waits e Marc Ribot

One fine morning I woke up early
Bella ciao, bella ciao, bella ciao
One fine morning I woke up early
Find the fascist at my door
Oh, partigiano, please take me with you
Bella ciao, bella ciao, goodbye beautiful
Oh, partigiano, please take me with you
I'm not afraid anymore
And if I die, oh, partigiano
Bella ciao, bella ciao, goodbye beautiful
Bury me upon that mountain
Beneath the shadow of the flower
Show all the people, the people passing
Bella ciao, bella ciao, goodbye beautiful
Show all the people, the people passing
And say, "oh, what a beautiful flower"
This is the flower of the partisan
Bella ciao, bella ciao, bella ciao
This is the flower of the partisan
Who died for freedom
This is the flower of the partisan
Who died for freedom

Chegou o Outono

              Chegou o Outono. Com ele avistam-se as primeiras beladonas  mais o seu ar colorido, singelo e festivo. Há neste lugar de tanto verde quem lhes atribua o nome “meninas para a escola”, sendo também conhecidas comummente por  açucenas. Outubro é o mês em que devemos fazer o cultivo na horta de nabos, nabiças, nabo greleiro ou ainda fazer o plantio de verbena, goivos, sálvia entre tantas outras coisas. É também o mês das grandes chuvas, do vento e dos dias líquidos tal como das folhas caídas. Daqui a pouco já podemos comer castanhas e escutar o mar em silêncio. 

Fotografia de Carlos Olyveira

Se tanto me dói que as coisas passem

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo 
Em que as coisas do amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen 

Ontem, escrito numa parede da cidade

Soube dessa história pela tradição nasal