quinta-feira, 28 de março de 2024
Brecht no Museu Vivo do Franciscanismo
quarta-feira, 27 de março de 2024
Das Plantas...
Música para um Fim de Tarde Primaveril
-Preciso me Encontrar - Cartola II, 1976 - Cartola
-Eu Marchava de Dia e de Noite - Coro dos Tribunais,1974 - Zeca Afonso
terça-feira, 26 de março de 2024
nos livros de Luís Xarez
passam a fronteira
da página
e voam
de boca em boca
em conversas em recados em citações
de mão em mão
em bilhetes postais ilustrados
em textos digitalizados e enviados
mas não deixam de estar guardados
nos livros à espera da sua hora
a aguardar uma leitura libertadora
as palavras agora
guardam-se nas nuvens
e a poesia agradece
porque o que se escreve nas nuvens
parece espuma parece algodão doce
mas nunca se esfuma
nunca desaparece
in assim, edição de autor, Dezembro de 2019.
Explicação do Poeta de Daniel Faria
Já cravou muito silêncio
A lâmina contra o cansaço
Um Poema de Miguel Martins
(um belo herbário arbóreo)
mas o tempo que é otário,
o supremo salafrário,
embrulhou-o num sudário
perfumado a incensório,
que a fecha, sim, num armário,
para baixá-la ao crematório
onde crepita, ilusório,
esse conto do vigário
do trabalho meritório,
para acedermos a um empório
que só vende o acessório
e, o que ainda é mais notório
torna o mundo menos vário
e muito mais merencório.
Alter Ego de Cesare Pavese
sul suo petto setoso: una donna rossastra
fittta, come in un prato, nel pelo. Là sotto
rugge a volte un tumulto, che la donna sussulta.
La gioenatta passava in bestemmie e silenzie.
Se la donna non fosse un tatuaggio, ma viva
aggrappata sul petto peloso, quest´uomo
muggirebbe più forte, nella piccola cella.
Un respiro profondo di mare saliva
dal suo corpo di grande ossa salde: era stesso
come sopra una tolda. Pesava sul letto
come chi s`è sveglato e potrebe balzare.
Il suo corpo, salato di schhiuma, girondava
un sudore solare. La piccola cella
non bastava all´ampiezza d´una sola sua occhiata .
A vederrgli le mani si pensava alla donna.
Um Poema de Paulo Campo dos Reis
Gastão Cruz
"Toda a escrita autobiográfica fosse uma solução, escrever memórias, dar conta daquilo que foi a sua experiência. Conheceu os grandes, de Antero a Eça. Mas quem se interessava por eles? O mundo caminhava para onde não sabia, e o que deixava para trás, o país, sumia-se naquela longínqua pequenez que rapidamente se apagava ao percorrer a grande noite espanhola até ao amanhecer, já em França, para trocar de comboio, sem reparar que estava a ser visto por um Mário de Sá-Carneiro que iria contar ao seu amigo Pessoa que o grande poeta afinal era um unhas de fome, a contar tostões."
in Café Lenine, Edições Dom Quixote, 2022.
Rua do Quelhas 35.3º (Valsinha)
onde é depressa a mágoa e a saudade
ó meu amor de longe quem me diz
como a tua sombra na cidade
repetindo o teu nome lentamente
cintura com cintura beijo a beijo
e gritá-lo abraçado a toda a gente.
fica a cinza de um corpo no olhar
ó meu amor a noite se vier
é seara de nós ao pé do mar.
sábado, 23 de março de 2024
quinta-feira, 14 de março de 2024
terça-feira, 12 de março de 2024
Da Leitura
Para além desta nova forma de pobreza, se lhe tiramos o futebol e o Big Brother, o mundo deve ser muito baço. É que ler é entrar em todos os mundos, alegres e sinistros, apaziguadores e violentos, nossos e alheios, e que nunca acabam. No arquivo Ephemera sabemos bem isso, porque cada biblioteca que nos é oferecida tem o retrato do seu doador e por isso não são só livros, mas vidas. Por exemplo, num conjunto de livros oferecidos por Luísa Costa Gomes, havia várias edições dos clássicos gregos e latinos. A gente, sim a gente, pega num e não larga. Pode-se ler todo ou abrir numa página qualquer e depois passar para outra, ou para a capa, e mesmo que já se tenha lido, há ali uma força inicial, que vem das primeiras palavras da nossa civilização.”
Pacheco Pereira, in “Porque é que ler conta, e muito, para a liberdade”, no Jornal Público, sábado, 9 de Março de 2024.


