A Anda &Fala-Associação Cultural, em articulação com o Walk&Talk
e com o apoio da EFA-European Festival Association, promoveu, no passado dia 14
de Abril, o seminário “Periférica – Brainstorming Art”, na Biblioteca Pública e
Arquivo Regional de Ponta Delgada. Durante o dia foram oito as intervenções à
volta das relações entre centro e periferia, incidindo a discussão sobre a
emergência de um novo mapa geocultural e a criação artística contemporânea nos
Açores. Parabéns, portanto, à organização por ter dado a conhecer o trabalho de
Luís Ferreira, do Festival Bons Sons. Um exemplo extraordinário de como a
partir de um festival de música se envolve uma pequena comunidade, dessacraliza
a cultura, e faz com que esta seja alavanca e motor de desenvolvimento
económico e humano!
sábado, 16 de abril de 2016
Progresso
“No Centro de Saúde Mental e Infantil, tínhamos dez ou onze equipas e
fazia uma reunião por semana com cada uma delas, e uma vez por mês uma reunião
geral com toda a gente. Essas reuniões eram às nove da manhã; das nove às onze.
E as pessoas chegavam sempre atrasadas. Fiz várias coisas até que simplesmente
escrevi num quadro,“Quem chegar depois da nove e dez é favor não interromper.”
Começaram a ir a horas. As pessoas protestam quando é imposto, mas se for dito
com jeito acabam por colaborar. E há outra coisa: a ideia do nosso governo
anterior era a de que as sociedades progridem por competição. Não, as
sociedades progridem por colaboração. Não é nos períodos de guerra que se fazem
as grandes descobertas, é nos períodos de paz.”
Entrevista de Carlos Vaz Marques a Coimbra de Matos,
in Jornal Público, dia 21 de Fevereiro 2016.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
da Divina Comédia
Por mim vai-se à cidade que é dolente
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor:
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterno duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Dante, excerto inserido na "História da Curiosidade", de Alberto Manguel.
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
Moveu justiça o meu supremo autor:
divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor
Antes de mim não houve cousas mais
do que as eternas e eu eterno duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais.
Dante, excerto inserido na "História da Curiosidade", de Alberto Manguel.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Humor nos Jornais
“Há treze
anos, como há dez, como há quatro, como há um ano, como sempre, o palavreado é
o mesmo, as mentiras, as intrujices, as patacoadas, todas as mesmas!
Bandalheira vergonhosa, de
partidos, de grupos, de gamela, de barrigas, de politiquice baixa, acusações
uns aos outros, casacas voltadas a todas as horas, d´este para aquele sol-e-dó,
muita miséria moral, muita estupidez, muito analfabetismo, muito patétola a
fingir de alguém e a insdisciplina, a desordem, a imoralidade, o desaforo, a desgraçarem
a sociedade portuguesa que já está sem conserto nenhum.”
in …Etc…, Jornal
Humorístico de Ponta Delgada, 1924.
“Ora se é…mas
não podem haver tolos, sem primeiro haverem discretos.”
in “A Calva À Mostra”,
Sábado 5 de Janeiro de 1889.
-Exposição de Jornais Humorísticos desde 1868 até 1974 na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
"Mar" de Tiago Miranda
![]() |
| Tiago Miranda, Pianola, 2013. |
O mar em grego é uma palavra do género feminino e foi assim que os antigos helénicos começaram por tratar desta força da natureza. Uma potência geradora e aglutinadora de vida. “O mar é”
disse-me um dia o meu pai para calar aquilo, sobretudo com que o mar nos dá mas que também nos
tira. O mar é, foi e será sempre, fonte de riqueza e inspiração neste país com
tanto de mar como de lua, daí "o país de lunáticos" do Alexandre O´Neill. Para lá do peixe, dos recursos marinhos e da frota
pesqueira, a nossa costa está repleta de praias e locais para nos dedicarmos ao
sol, aos mergulhos, aos passeios, ao desporto, ao namoro, à contemplação. Foi
isso que Tiago Miranda, repórter fotográfico do Expresso, quis fixar de forma
quase diarística, num périplo costeiro de onde resultaram as imagens deste “Mar”.
Ao longo deste particularíssimo e pulcro objecto, encontramos muitas
praias, algumas bem conhecidas e outras menos, mas todas de igual relevância
para o respectivo conjunto. A beleza
deste objecto é tanta que aumenta o desejo de viajar pelas praias da nossa
infância e adolescência.
Este livro de fotografias de Tiago Miranda contém
ainda um poema de Rui Miguel Ribeiro (“Fez-se
chamar com a fúria cava/ de uma onda ou a táctil cobertura/ de uma espuma”), sendo a revisão de Mariana Pinto dos Santos, tendo sido composto e paginado por
Eduardo Brito. A tiragem, com a chancela da Pianola, foi
de trezentos exemplares.
Michelangelo Antonioni
Visione del
silenzio
Angolo vuoto
Pagina senza
parole
Una lettera
scritta
Sopra un
viso
Di pietra e
vapore
Amore
Inutile
finestra
Caetano Veloso
Romance de Nós
Estou à beira do mar,
estou à beira de ti.
Ardem no meu olhar
os sonhos que não vi.
Tudo em nós foi naufrágio,
não quisemos saber:
fizemos nosso adágio
do que não pôde ser.
Que resta do amor
a quem é como nós?
Envergonha-me pôr
em verso: «somos sós;
sós como amanhecer
às avessas do mundo;
sós como podem ser
as areias no fundo;
somos sós e sabê-lo
é negar o pronome
que de nós fez novelo
e por nós se consome». Luis Filipe Castro Mendes, in "Modos de Música".
Linda Martini: “Sirumba”
Quando neste
Portugal contemporâneo, alunos do ensino secundário e seu professor encontram temas em comuns na sala de aula sobre canções rock e um filme do tempo do cinema novo português, é
caso para afirmar que nem tudo se perde mas que tudo se transforma. Os Linda
Martini conseguiram tal feito, que vai desde o período em que ensaiavam numa casa
ocupada dos anos noventa, passando pelos concertos hardcore, até encherem há dias
o Coliseu, acumulando um capital de simpatia e comunhão como poucos conseguem.
“Sirumba” está já em escuta e é também o tema de abertura deste novo disco de 2016. É uma canção em forma de hino, caracterizando-se pelas guitarras de forma dançante à procura de encontrar os diferentes espaços para cada um no sentido e vida presente: “Segundo
toque/ E eu não vou Amor/ Faço gala/Eu quero é ser cantor/ Se eu chegar ao
outro lado/ E voltar tudo para trás/ Não quero ser doutor/ Não quero ser
doutor/ Não quero ser doutor/ Não quero ser doutor.”
domingo, 10 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
Sala de Embarque (Caderno de Apontamentos)
Velho: Sim, sobre barcos. Se o assunto for futebol, não sei nem
consigo dizer nada. Nadinha. Se pretenderem falar de barcos, estou disponível
para falar convosco a noite inteira. (Puxa
pela memória) Por vezes, também ia comendo amendoins. (Recordando-se) Entretanto, levantei-me e...comecei a caminhar. Foi
aí então que dei conta que não tinha comigo o caderno. O meu caderno de
apontamentos onde eu apontava tudo o que me ia acontecendo, histórias,
rascunhos de poemas, textos evocativos, memórias. Naquele caderninho azul celeste
estava a minha vida dos meus últimos três anos. Sim, é verdade...os meus
últimos três anos estavam ali, bem como aquilo que eu pretendia fazer nos
próximos três anos seguintes. Estarei a exagerar? Consegue perceber isso?
Consegue entender o que é que se passou?
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