quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Down By Law : 30 anos.

"Vencidos pela Lei" filme de Jim Jarmush
Podia parecer uma homenagem aos Irmãos Marx, podia, mas não é, anda lá perto. Antes deste filme, já se tinha avistado no cineclube Octopus o filme “Para além do Paraíso”, a recordação duma pequena audiência extasiada e uma outra contida na afirmação do entusiasmo. Para lá do John Lurie, Tom Waits e Roberto Begnini havia também a estranheza, a escuridão, a música e a melancolia. Ninguém ficou indiferente ao ambiente sujo e negro de uma América por descobrir. Jarmusch só ele sabia como ironizar com a natureza humana em “Down By Law” e apercebemo-nos que não há injustiça sem humor, ainda que nos doa. A raiva e a incompreensão podem e devem ser contidas, diz-nos, dado que há sempre uma escapadela ou outras formas "imaginárias" de contornar a lei e a iniquidade de tratamento. Um filme para rever se a chuva voltar. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

クラウド

Fotografia de André Almeida

Rabo de Peixe – Viver de “costas voltadas para o mar”

(retirado do sítio da FAUP)
“Ao longo de vários ciclos de investimento público – e um deles no valor de 23 milhões de euros, levado a cabo com fundos do Espaço Económico Europeu, há alguns anos -, os poderes públicos tentam resolver alguns défices, como o do saneamento básico, equipamentos e o da habitação, mas na leitura de Inês Rodrigues nem este foi plenamente resolvido nem foi dada atenção suficiente ao espaço público. Isto numa comunidade cujas sociabilidades se fazem, muito, na rua, usada como prolongamento do espaço doméstico, facto que não terá sido, diz, valorizado nos projectos.
Muitas das habitações sociais construídas não tiveram em conta os hábitos dos seus moradores e mesmo a estrutura dos seus agregados, muitos deles famílias numerosas, e o edificado acaba por ser modificado pelos próprios, numa tentativa de o adaptar a necessidades como, por exemplo, a de áreas para arrumo de apetrechos de pesca, explica Inês Rodrigues. E as ruas, na parte mais densa da localidade, continuam essencialmente a servir essas ligações locais, fechando esta zona da vila, e os respectivos moradores, sobre si próprios, numa guetização assumida no próprio nome do projecto financiado pelos fundos do EEE – Velhos Guetos, Novas Centralidades – que, na perspectiva da arquitecta, não chegou a ser resolvida.”

Abel Coentrão, in Jornal Público, 6 de Novembro, a propósito do livro “Rabo de Peixe – Sociedade e Forma Humana”, de Inês Vieira Rodrigues.

Ontem, escrito numa parede da cidade

Procrastinar agora não...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Novembro com a Yuzin

Conhecer e calcorrear uma ilha é querer fazer parte da sua actividade e movimento, deixar-se levar pela sua pequena “movida”cultural, participar de forma intensa nos seus lugares de transmissão e fortalecimento dessa mesma seiva, mantê-la viva, exercitá-la. No fundo, desenvolver esse gosto por usufruir dos bens ilustrados deste tempo presente, confiar nessa dinâmica e espelho.
Dom La Nena no Teatro Micaelense
A Yuzzin do mês de Novembro aposta numa capa onde sobressaem as cores azuis e roxa provavelmente a condizer com a meteorologia, muito também porque estamos a caminho de mais um inverno longo e húmido. Neste número e serviço público que presta à comunidade micaelense, a agenda vai descobrindo mensalmente vários artistas e criadores, desta feita foi o croata Petar Šćulac, um artista plástico que gosta de usar tintas e pigmentos reciclados. A oferta musical é sempre bastante grande e variada, basta por isso constatar que este mês há Rafael Carvalho (dia 4, no restaurante Alcides), Lafayete Harris JR. Trio na edição deste ano do Jazzores, no Teatro Micaelense (dia 5), Dom La Nena (dia 12) no mesmo teatro ou Flak no Arco 8 (dia 19). Este é também o mês do teatro regressar em força ao palco e são vários os espectáculos que fazem parte da programação do festival da Juvearte no Teatro Micaelense. O Grupo de Teatro Alpendre, Ilha Terceira, irá apresentar “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, com encenação de Valter Peres. A programação do festival encerrará a 19 de Novembro com “Revista à Portuguesa”, pelo Grupo de Teatro A Jangada, Ilha das Flores. O Festival de Artesanato Prenda recebe também honras de destaque, lá para o fim do mês, pois o seu programa é rico e diversificado, contando na sua programação com espectáculos de teatro de marionetas, música, oficinas de escamas de peixe ou folha de milho, cerâmica e macramé. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

3 x Teatro na Galeria Arco 8

"Charlas Quotidianas do Doutor Mara"
Cartaz de Aurora Ribeiro
"Sala de Embarque"
Cartaz de Júlia Garcia
"Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?"
Cartaz de Miguel Carvalho

En Sky, en Sky...

Fotografia de André Almeida 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Da Mentira

          “O lugar ocupado pela mentira na vida humana é bem curioso. Os códigos da moral religiosa, pelo menos no que diz respeito às grandes religiões universalistas, sobretudo aquelas que emergiram do monoteísmo bíblico, condenam a mentira de um modo rigoroso e absoluto. O que, de resto, se compreende: sendo o seu Deus o da luz e do ser, forçoso é que seja também o da verdade. Mentir, isto é, dizer o que não é, deformar a verdade e velar o ser, é portanto um pecado; e mesmo um pecado gravíssimo, pecado de orgulho e pecado contra o espírito que nos separa de Deus e nos opõe a Deus. A palavra de um justo, tal como a divina, não pode e não deve ser outra senão a verdade.”

Alexandre Koyré, Reflexões sobre a Mentira, edições Frenesi.

domingo, 30 de outubro de 2016

Aline Frazão: Cálida Certeza!

A sala do Teatro Micaelense estava bem composta para escutar, em final da tournée, a cantora Aline Frazão. No culminar de quase duas horas de concerto, o público presente rendeu-se à cantora angolana que provou em palco, a razão porque cantar para si, é sinal de vitalidade e expressão, imprescindível, portanto, para seguir vivendo, não terminasse ela o concerto em encore com “Minha Voz, Minha Vida”, tema de Caetano Veloso, escrito para Gal Costa. Aline Frazão soube criar conexão com o público, percorreu com as canções os seus três discos e, claro, deu enfoque especial a este último “Insular”, editado em 2015 e gravado no estúdio "Sound of Jura", na Ilha de Jura, na Escócia. A cantora demonstrou não ter medo de assumir em palco as suas posições sobre o mundo e, em particular, sobre a vida política e social do seu país tal como ainda teve o condão de nos embriagar de encanto com os temas “O Homem que Queria um Barco”, a partir do conto de José Saramago – “Conto da Ilha Desconhecida” e " A Louca", a partir de um texto da cantora de rap Capicua. Como sinal de descoberta e pura criatividade ainda  o bonito desenho da capa e restantes aguarelas no interior do disco “Insular”, pois são da autoria de António Jorge Gonçalves, mentor e responsável, conjuntamente com a actriz Ana Brandão, do espectáculo “Barriga de Baleia”, que uns quantos  afortunados, bem como demais criançada, puderam também assistir, nesta mesma sala, a meio deste mês de Outubro.

sábado, 29 de outubro de 2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Eu quero é correr mundo...

Eu quero é correr mundo
Longe de janelas e portas fechadas
Barcos e faróis ao vento
Voo e lenço no corpo e documento
Eu quero é correr mundo
Asa-nuvem aventura
Livre leme sem amarras
Eu quero é correr mundo 
Solta uma canção em protesto
Vida sem amos, prisões
Fado triste, ilusão, fechaduras
Apagados, inertes, secos corações
Eu quero é correr mundo
Oráculo e fonte
Energia e luz
Evasão e rasgo
Esperanças ao alto
Eu quero é correr mundo.

Rapariga Aluada in Sala de Embarque, Setembro de 2016.