sábado, 4 de novembro de 2017
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Poesia na Tascá
Lugar na esquina
A entrada é virada para norte
A porta tem 2m de altura e 1m de
largura
completamente aberta
Apenas 5 mesas
A mesa onde me sento dista 3,45m
da porta
A altura da mesa é de 75cm
A largura é 80cm
O comprimento é 80cm
A cadeira está voltada para a
porta através da qual
posso, numa distância de 3,45m
ver a rua
A rua pela qual passam
transeuntes
Transeuntes que não podes julgar
O julgamento que não podes
concluir
A conclusão que é incompleta
Incompleta porque a porta só tem 1m de largura
Na mesa está:
Um copo
Diâmetro 60mm
Altura 150mm
Uma chávena
Diâmetro 45mm
Altura 70mm
Com um prato com um diâmetro de
120mm
No copo está água
Na chávena está um café pingado
Pingado que está a acordar
curiosidade
A curiosidade que é inviável
Inviável porque não há tempo
Tempo que eu observo sentado
Sentado em frente da porta que
Só tem 1m
Neste espaço estou sentado eu
A minha altura é 1,89m
85kg de peso, mais ou menos 1kg
45 de calçado
Cabelo curto e barba
Cara um pouco longa
Cara que está estática
Estática porque nada distrai a
sua atenção
Atenção que está em todo o espaço
Espaço estou sentado
completamente sozinho
Em frente à porta de apenas 1m
Petar Šćulac, artista plástico.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Outubro
“October/
And the trees are stripped bare/ Of all they wear/What do I care/ October/ And
kingdoms rise/And kingdoms fall/ But you go on...and on...”
Paul
Hewson, U2
Outubro despede-se e todos
sabemos que qualquer adeus pode ser triste sobretudo quando uma das partes faz
questão de lamentar a partida ainda que sem lamúria ou sinais de pranto. O
décimo mês termina agora, comprovando-se que musicalmente ainda mexe. Sem ter
sido convulso, tornou-se, à medida que o tempo meteorológico se foi deteriorando,
algo vivo e secreto. Desse tempo fluido ocorre verificar este concertado de
dias em que o sangue escorreu de forma perpétua e colorida, à semelhança do que
diria Cézanne. Ouvir dizer no final de “Ilusão”, de Sofia Marques, o mestre das
artes de palco, Luís Miguel Cintra, que a realizadora nada sabia de filmes nem
de filmar quando começou e que agora realizou um documentário carregado de belos
enquadramentos e planos reveladores e perfeitos. E ainda assistirmos ao
partilhar desta insatisfação dum homem que viveu do palco, alimentou-se da vida
dos textos e que tanto nos pode ainda ensinar. E dois dias depois, naquele mesmo
palco, uma italiana, Giovanna Barbanti, a dialogar com os sons e o silêncio, naquele
barroco dilacerante ou jogando com loops sincopados de temas contemporâneos, delicados, possuídos de
exaltação e sentido. Fica aqui essa certeza mesmo quando a matemática dos
tempos exige contenção. E logo de seguida a ousadia da Orquestra AngraJazz, com mais de vinte de músicos, homenagear Duke Ellington num registo
inédito nos palcos nacionais. E como se não bastasse, a democracia das palavras
em período crescente com a ilha literária a trazer dois novos livros – “Os
Ossos Dentro da Cinza”, a poesia de Emanuel Jorge Botelho e “A Brecha”, um romance de João Pedro
Porto. E Novembro que não tarda a entrar…
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Do Tempo
“Apanha os botões de rosa enquanto podes
O Tempo voa.
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.”
domingo, 29 de outubro de 2017
Godot, em Balbucio, Antes de Entrar em Cena
para Antero de Quental
quando eu já cá não estiver
para gostar das coisas a que dei um nome
quem lhes dirá que o meu estava dentro delas
como uma folha de tília
desenhada no frio de uma ardósia?
que fique, pelo menos,
na badana de cada noite,
o lume de as ter comigo
e o risco, rubro,
de uma lágrima.
Emanuel Jorge Botelho, edições Averno, Outubro de 2017
O Outro Lado da Esperança
"Posso viver sem o cinema, mas não posso viver sem árvores. Não consigo viver sem um beija-flor numa árvore. Enquanto houver um pássaro continua a haver esperança."
Aki Kaurismäki in Ìplson, Jornal Público, dia 27 de Outubro de 2017
sábado, 28 de outubro de 2017
Da Vida
“Fui
para os bosques para viver deliberadamente,
Para
sugar todo o tutano da vida.
Para
aniquilar tudo o que não era vida,
E
para quando morrer, não descobrir que não vivi.”
Thoreau
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Filme D´Outono: Match Point de Woody Allen
Chris: Acredito que em tudo na vida, é preciso sorte.
Chloe: Não acredito na sorte. Acredito no esforço e no trabalho.
Chris: Oh, o esforço é necessário mas penso que as pessoas têm medo de
reconhecer o quão importante é a sorte. Quero dizer, os cientistas dão cada vez
mais crédito à ideia de que a nossa existência é produto do acaso. Nenhum
propósito, nenhum desígnio.
Woody Allen in Match Point (Crime sem Castigo) Tradução: Luís
Rodrigues
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Outubro no Cangalheiro sem antes uma Missiva de Janeiro...Alves!
Caro Doutor Mara,
Estou ao corrente dos últimos
acontecimentos insulares onde o meu caro amigo está sempre na première como protagonista de várias
peças e peripécias, um fato asas de grilo que lhe assenta sem pregas nem vincos
nessa sua morfologia burguesa, não fisionómica mas em aparência, dois conceitos
que se assemelham, sendo porém quase antagónicos. Mas não observe nestas
palavras qualquer toada crítica, ou ensejo satírico (muito menos deboche). Se o
fizesse, estaria certamente a expor-me a idêntico trato, contrariedade a evitar
devido a outras situações que tenho de resolver até ao natal. Ainda assim, e
considerando até bela e instigante essa sua incursão pelo lado ilusoriamente
iluminado da noite, espero que não ceda nas suas convicções, dada a exposição
potencialmente infecciosa a fenómenos de populismo e inocuidade. Desejo
manifestamente que o Doutor Mara se aguente firme, agarrando-se às pedras do
cais para não ser levado pela onda.
Por aqui, sou este espaço que ocupo.
No sonho, um campo vasto com espécies exóticas e maciços montanhosos ao fundo. No
corpo, apenas uma geografia confinada à velha secret ia ﷽﷽﷽﷽﷽﷽a secrethosos ao fundo. na secretde caminhos que nos
conduzem ária deste covil. Os dias mal dormidos esvaem-se por entre os
dedos que lutam escrevendo. Transformei-me num escaravelho metafórico de
tamanho familiar, e quando penso movo as antenas. A cadeira já tem a forma do
meu corpo. Nos meus extravagantes sapatos italianos crescem agora pequenas
plantas artificiais, e já nem o ar que respiro se renova. A vida orgânica nesta
sala adquiriu um estado geométrico, rígido. Apenas as antenas continuam a
movimentar-se, e a mão a escrever. Compro tudo através do computador, que um
escaravelho deste calibre não pode sair à rua! A ordem sai da minha cabeça, vai
para o computador, passa para a internet, depois para a loja, o banco diz que
sim, e já está. Depois é aguardar, enquanto puxo o lustro da minha carapaça
castanha e abro mais uma garrafa de Macieira. Uma vida descansada e bem
refastelada, dirá o Doutor Mara do alto dessa euforia insular… Mas olhe que
não, Doutor… olhe que não. É certo que tenho a cabeça limpa e arrumada, com os
assuntos devidamente catalogados, com índice remissivo e cronológico, arquivo
morto, sala de estudo, e todo um departamento de novas ideias, onde actualmente
se trabalham os conteúdos para as grandes “Conferências da Fajã”. Mas eu vivo
dentro da minha cabeça, Doutor Mara, o que me causa bastante transtorno. Não
imagina o transtorno que é esta ausência terrena.
Mas enfim, perdoe-me este desabafo,
pois nem sequer era a intenção desta carta. Escrevo-lhe para saber como está de
finanças. Precisa de dinheiro emprestado? Sabe que pode sempre contar comigo,
no que puder ajudar. Bom, provavelmente não precisará, pois sei que sustenta
essa sua vida folgada com uma boa maquia que recebeu de herança familiar. Mas
já que estamos a falar deste assunto, a mim até me dava jeito algum, sobretudo
porque tenho a minha garrafeira praticamente extinta, o que constitui um
cenário desolador. Por outro lado preciso de mandar arranjar o meu fato preto,
pois tenho um tio quase a morrer. E se sobrar pilim, ainda queria comprar um
ventilador de ideias em segunda mão. Poderá enviar o cheque por correio como de
costume, ou se lhe der mais jeito, efectuar transferência bancária. Como forma
de agradecimento prévio, seguiu já hoje por correio azul uma embalagem dos
melhores filetes de peixe da capital. Para além da sua consistência admirável,
poderá esgaravatar à vontade que não encontrará uma única espinha.
Despeço-me por fim sem mais
delongas, pois tenho de ir dar comida ao cágado. Deste seu velho amigo, também palhaço,
desejos de enorme sucesso, e um abraço.
Janeiro
Alves
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
"Ilusão" de Sofia Marques no Teatro Micaelense
![]() |
| Luís Miguel Cintra na Casa da Achada (Centro Mário Dionísio) |
Luís Miguel
Cintra vai estar em Ponta Delgada amanhã, quarta-feira, pelas 21h30, e, um dia depois, quinta-feira, numa sessão destinada às escolas. Ele
vem com Sofia Marques apresentar o filme “Ilusão”, no Teatro Micaelense, que
estreou no Doclisboa’14, na secção Heart Beat, e venceu o Prémio do Público
para a melhor longa-metragem.
A realizadora assistiu e filmou a construção do
espectáculo “Ilusão”, encenado por Luís Miguel Cintra, com a participação de 59 não actores, amadores e estudantes teatro, a partir de textos de Federico Garcia Lorca.
Uma adenda: Luís Miguel Cintra é um dos nomes grandes do teatro português e um
dos melhores leitores de poesia portuguesa – quem já o ouviu recitar o poema
“Muriel” de Ruy Belo? Actor e Encenador da recém-extinta Cornucópia (43 anos de
companhia teatral, com 120 trabalhos e uma centena de autores) e dono de uma técnica
vocal e talento interpretativo irrepreensíveis. Será um orgulho e admiração poder estar presente e saber que ainda é possível vê-lo e escutá-lo nestas paragens!
domingo, 22 de outubro de 2017
"Moçambique", da Mala Voadora no Teatro Micaelense
A peça deu início com todos os actores em palco e
onde um deles começa logo por dizer que nasceu em Moçambique. Esse actor é
Jorge Andrade, o autor e encenador. Este veio para Portugal com apenas 4 anos, regressando
agora a Moçambique para construir uma autobiografia como se tivesse passado lá a
maior parte do tempo da sua vida. Enquanto narra a sua história pessoal mistura
elementos biográficos com factos da vida moçambicana, sempre com o intuito de tornar credível
o enredo. No final daquelas duas dinâmicas horas, o espectador é surpreendido
com um tipo de teatro próximo do documental, onde a ficção interferiu no rumo
dos acontecimentos e daquilo que se pretendia contar. Será isto a obsessão por
um final feliz?
Assistiu-se, assim, a um caleidoscópio “concentrado” de cores e gestos, intenso, com quadros bem ritmados, cenários e figurinos irrepreensíveis e que tocou, não só os que conheceram ou não, a História recente de um país chamado Moçambique.
Assistiu-se, assim, a um caleidoscópio “concentrado” de cores e gestos, intenso, com quadros bem ritmados, cenários e figurinos irrepreensíveis e que tocou, não só os que conheceram ou não, a História recente de um país chamado Moçambique.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






