"Todas as coisas dignas de
atenção são tão difíceis quanto raras"
domingo, 21 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
Tráfico do Dom
“A relação exige um desprendimento muito grande. Como a liberdade. Hoje estamos nos lugares, e amanhã deixamo-los. Hoje estamos aqui, e amanhã partimos de viagem. Nessa arte do desprendimento o que fica é o que demos e o que recebemos dos outros. Fica o momento, fica o ressoar. O resto é para a grande história. Acredito muito no tráfico do dom.”
José Tolentino Mendonça
sexta-feira, 19 de abril de 2013
A Utrapassagem (ou Aquele que Sabe Viver)
![]() |
| Cartaz (retirado de www.ivid.it)i |
Anos sessenta italianos: os filmes do pós-guerra e o cinema povoado de nomes como Antonioni, Rossellini, Fellini, Pasolini, Visconti, no auge da sua máxima força. Eis que surge "Il Sorpasso" - primeiro road movie mundial, antes de Easy Rider, com os actores Victorio Gassman e Jean-Louis Trintagnant no elenco e no pleno da sua juventude. A direcção de actores Dino Risi é excelente. Il Sorpaso, título italiano, é um documento essencial daquele período da história de Itália bem como importante obra cinematográfica que não fica nada atrás de todo o conjunto italiano. Curioso, o título francês- Le Fanfarron e não deixa por isso menos interessante o nome que este já teve na língua portuguesa - "Aquele que Sabe Viver".
O que será (À flor da Terra)
O que será que
será/ Que andam suspirando pelas alcovas/ Que andam sussurrando em versos e
trovas/ Que andam combinando no breu das tocas”.
Chico Buarque, 1976
quinta-feira, 18 de abril de 2013
A insatisfação é uma dor
“Hoje entendo a vida como um lugar para termos a maior fome que
pudermos, a maior sede que formos capazes. A vida é uma máquina de construir
desejo. Bem-aventurados os que têm um desejo tão grande, tão grande que nada
pode responder. Isso faz-me procurar outras respostas. Pessoa também diz:
“Triste de quem está contente.”, não é? A insatisfação é uma dor. Mas essa
ferida torna-se fecunda, criativa!”
José Tolentino Mendonça, entrevista de Anabela Mota Ribeiro ao P2,
Jornal Público.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Um estado de imperfeição
Na rugosa
espiritualidade de Angra aberta. Não estava ninguém. Só solidão, silêncio e
dragoeiros fechados. Voltaria amanhã se estes se cobrissem de brisa e de seiva.
Quando se acerta em cheio no sulco da terra eis a devida recompensa. Presta-se
ao sofrimento, dilui-se na bruma, nunca merecida. E no entanto o aconchego
apresentava-se em linha, num tronco por rasgar, num carreiro indefinido. Nada é seguro. Tudo
me faz querer voltar a cada momento a essa desenvoltura, como um segredo que
nasce e o sol fosse breve e subtil na sua incandescência que se compõe de
eloquência hábil e transbordante. Enganas-me sempre com a convulsão infinita
pois espero que a mensagem seja fugaz e legível. É pomba morta e a língua
deixasse de existir entre nós. Recomeçávamos sempre de um requinte inventado e
sofrido pela involuntariedade sentida: o padecimento e a esperança. Queríamos
acreditar. Nada me levanta as certezas a não ser agora a tradução de um
manifesto vivido a correr. Aos prantos. Numa aflição súbita. Entretanto,
satisfaço a curiosidade formigueira e aceito por agora a mágoa. Instinto ardente e
aliciante sem que alguém traduza este eterno desencanto. A chama apagou-se e
não me sinto capaz de me oferecer em geometrias variáveis e confusas aos novos
caminhos do vento. Já nada faz sentido e viajo até investigar a possibilidade
que cabe num pequeno bolso, o resto é difícil apreender do mundo, em
desconfiança completa, a felicidade gerada a desilusão de haver esquecido o
gesto em si. E assim a dor bate à porta. Outra vez. Vento despedaçante, água
que cobre, neblina que cega. O mal já foi feito. E ainda há o vinho que é um
amigo das noites sem nuvens, o encanto da cidade adormecida, ausente,
despovoada. Nos membros espessos, extenuados, sinto já o peso da viagem que é
um ensejo e é um templo de carência que pede há tanto tempo povoamento. Quanta
beleza, quanta riqueza e pobreza conjugadas. Não sei porque me rio e deixo
transparecer uma cândida nostalgia. Saudades de uma coisa que nunca vivi sem
consequência do desespero habitado e secular. A pensão do desamor é já ali e a
mente escorrega, desliza, e permite dizer que vão estar cá todas em plena
comunhão da luz quando partir. Amanhã ainda é invernia e à noite iremos
percorrê-la em farândola aventura. Basta. Estou cansado demais para que isto
talvez possa ser uma forma simples de existência e ficam escolhas e letras numa
madrugada de chuva que cai incessantemente. Esmoreço a pensar demais e a
escrever tão pouco e raramente me adianta esperar nem desesperar ao revés de
tudo aquilo que me foge como um pássaro e devagar acreditar. Como se lentamente
viesse a morte numa suave contagem decrescente e assim aumentasse de feição o
desespero de nada ter conseguido e continuar serenamente idêntico ao meu ponto
de partida este estado de contínua imperfeição.
PS - Escrito a partir
do mote dado por um aprendiz de arquitectura da Old School.
Povo que Canta
“O mundo é sempre assim: uma surpresa. As pessoas...ou melhor, os
princípios e as verdades não podem ser tomados como coisas a priori. Pode-se
sempre dar a volta, são sempre diferentes daquilo que pensamos. O problema é
que é sempre preciso um espírito de criatividade e aventura. É preciso saber
aproveitar o que a vida nos traz. Aproveitar uma paixão quando ela surge, como
aconteceu comigo em relação à música. De facto, não posso viver sem música.”
Francisco D´Orey (produtor musical do Povo que Canta) in Filmografia
Completa de Michel Giacometti. Coordenação geral de Paulo Lima.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Lanterna Mágica (VIII) Baía
É preciso fazer um poema sobre a Baía...
Mas eu nunca fui lá.
Carlos Drummond de Andrade
O olfacto
“Dos cinco sentidos, o
olfacto é o que melhor transmite a ideia de imortalidade.”
Salvador Dali
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Eremitonauta
O inédito sucedeu-se agora quando
nos deparamos neste momento com o Doutor Mara, em pleno aeroporto e de malas prontas
para demandar viagem. Ele está com o semblante carregado de quem dormiu menos
do que as oito horas habituais. O inefável Doutor Mara traz consigo um canudo
muito branco, com uma camélia dentro, e transporta consigo um jornal com as
folhas bem amarelas, com notícias muito, muito atrasadas, crê-se do ano
anterior. A sala do aeroporto, porém, pára de cada vez que o Doutor Mara pega
no jornal para ler o rol de notícias do ano anterior.
DM: Doutor Mara, soubemos que irá partir, por que é que nos abandona
num momento tão crítico como este?
Doutor Mara: Não vos irei abandonar, meus caros, simplesmente vou
para um lugar muito pequeno, aconchegado do mundo, a meio do oceano atlântico.
Preciso de ler a poesia portuguesa contemporânea, aquilo a que chamam agora os
novíssimos da poesia portuguesa, pretendo lê-los de uma assentada bem como dedicar-me
com afinco à produção de vinha e à moagem de cereais de forma tradicional. Quero
concretizar um sonho antigo do período em que me considerava um digno
representante do socialismo acrata ou anarquismo, como lhe queiram chamar, isto
é, o período em que pretendia ideologicamente tornar-me auto-suficiente e
recusar qualquer intromissão do aparelho estatista e da sua presumida ordem.
Terei pão, vinho e poesia…o que é que um homem pode pedir mais?
DM: Fecha assim as portas a
uma intervenção política e quem sabe vir um dia a honrar um compromisso público?
Doutor Mara: Nos próximos tempos está fora de questão uma
intervenção púbica. Quero por agora viver coisas que não a coisa política.
Continuarei de forma honrosa a defender todos os métodos participativos e
comunitários: o associativismo, o sindicalismo ou as agremiações de bairro. Estou
e vou continuar sem chefias, sem vaidades, sem “status”, sem partidos. Por
agora, o que eu quero essencialmente é ler poesia e ter pão à mesa...
DM: Mas doutor hoje não ninguém lê poesia, os poetas editam trezentos exemplares
por cada livro, no entanto somos neste momento auto-suficientes e excedentários
no que ao vinho diz respeito. Há mais alguma razão para além destas evocadas,
doutor? Decididamente, não compreendemos…
Doutor Mara: Hmmm…é certo que recuperei uma casa rural, uma adega e
um moinho do século XVI que não posso recusar. Os donos estavam falidos e entregaram
aquilo às finanças locais, por isso espero passar lá umas temporadas valentes,
longe do mundo e sem acesso a qualquer tipo de informação ou contacto com o mundo
exterior. É, sem dúvida, um retiro, um retiro desejado, como podem imaginar e,
neste caso, certamente respeitar. Pode ser?
DM: Claro que pode, doutor. Não deixa de ser estranho, caríssimo Doutor
Mara, num momento em que acabamos de saber que em caso de encerramento de
fronteiras conseguiríamos que ninguém morresse à sede, pois sabemos o quanto o doutor gosta de um bom
copo. É certo que não abandona Portugal, mas porquê este súbito desapego à
pátria e ao seu destino, este afastamento inédito da sua comunidade de
pensamento. Não declare que ficou ofendido ao saber da nossa grande dependência
de produtos da indústria de pesca?
Doutor Mara: Se fosse só por isso e…esqueceram-se novamente dos
cereais? Meus amigos, vocês sabem tão bem como eu que o mais importante é aquilo
que é distribuído por todo e tem que haver um equilíbrio entre a economia e o
bem-estar dos cidadãos dos países. E como poderei aceitar que num país de dez
milhões a tiragem de um livro de poesia seja de trezentos exemplares, às vezes,
nem isso? E que haja filmes portugueses reconhecidos nos festivais de cinema
que não tenham o eco devido bem como o reconhecimento merecido junto da
população indígena. Ou que um jornal de referência venda apenas vinte mil
exemplares? Não me digam que é por falta de incentivos…um livro de poesia, um
jornal, um conto pode ler-se numa viagem de autocarro, de avião, ou mesmo de
riquexó…que semidiâmetro de país é este que condena à fome os seus cineastas,
poetas, os seus editores, os seus melhores escritores ou mesmo jornalistas???
DM: No entanto, há boas notícias, doutor, em caso de calamidade,
conseguiríamos sobreviver sem grandes sobressaltos com aquilo que produzimos em
termos de hortícolas, carne, ovos, leite,
frutos frescos e conservas de peixes. Não fica feliz por isso?
Doutor Mara: Claro que fico. Sempre gostei de uma boa lata de conservas num parque de campismo e sempre que realizava um inter-rail municiava-me das mais variadas conservas com os seus magníficos rótulos. Certo é que se esqueceram que continuamos a consumir muito bacalhau vindo do exterior, muitos congelados, secos e salgados. O que nos vale são os moluscos que pescamos em grandes quantidades, mesmo que seja a agricultura e a indústria as nossas maiores fontes de riqueza alimentar. Agora para o sítio onde vou levo apenas comigo uma lata de polvo em calda, mas não tenciono comê-la, é só para me lembrar no que estamos metidos quando atingir o ponto máximo do saudadómetro.
Doutor Mara: Claro que fico. Sempre gostei de uma boa lata de conservas num parque de campismo e sempre que realizava um inter-rail municiava-me das mais variadas conservas com os seus magníficos rótulos. Certo é que se esqueceram que continuamos a consumir muito bacalhau vindo do exterior, muitos congelados, secos e salgados. O que nos vale são os moluscos que pescamos em grandes quantidades, mesmo que seja a agricultura e a indústria as nossas maiores fontes de riqueza alimentar. Agora para o sítio onde vou levo apenas comigo uma lata de polvo em calda, mas não tenciono comê-la, é só para me lembrar no que estamos metidos quando atingir o ponto máximo do saudadómetro.
DM: Saudadómetro?
Doutor Mara: É um medidor da saudade…comprei-o há muitos anos numa
dessas romarias populares conjuntamente com três lençóis vendido pelo preço de
dois. Aproxima-se o objecto da mão direita e espera-se que o ponteiro indique o
estado de saudade em que se encontra. Houve um momento em que estava de tal
modo apaixonado que o ponteiro ficou colado no lado direito…tive que esperar
uns dias até que a saudade ficasse pelos 96, 97, 98 por cento.
DM: É pena esta saída extemporânea do Doutor Mara, sobretudo agora que se
fala na criação de um bom cartaz de teatro na televisão, vários campos de golfe
bem drenados e uma panóplia variada de restaurantes japoneses. É, sem qualquer
dúvida, um momento muito triste para todos nós a sua partida, doutor.
Doutor Mara: Para ser franco, nunca gostei muito de sushi. Depois
vocês sabem que não vejo televisão e quanto ao golfe é certo que vi durante muitos anos mas sobretudo em
dvd...bastavam duas tacadas para adormecer…ficava, sem qualquer dúvida, mais
barato que um calmante.
DM: Doutor, se não é indiscrição gostaríamos de saber qual foi o lugar
escolhido para este retiro, ao qual, muito sinceramente, esperamos que seja
breve?
Doutor Mara: Se não me levam a mal, não posso revelar.
DM: Muito obrigado, doutor. Boa viagem!!!
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
A Melhor Juventude
"O filme termina como uma espécie de elogio à beleza. Também no meu
filme precedente “Os Cem Passos”, falo desta beleza. Por que é que para mim é
importante afirmar o valor da beleza? Porque ela pressupõe uma série de outras
coisas como a justiça, a economia, a política. Estas coisas são muito
importantes, mas o seu fim é a beleza, de outra maneira são coisas que existem
por si só e não têm nenhum valor. Têm valor porque levam à beleza. Deste modo,
a meu ver, elogiá-la, defendê-la, tutelá-la, insistir que existe, que é
perseguida e procurada, é digamos, presumir de todas as outras coisas que são
muito importantes para concretizar este objectivo. E…o que posso dizer mais?"
Marco Tullio Giordana, realizador de “La Meglio Gioventú”(2003)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Tarantoterapia
Ninguém acredita no que está
neste momento a ver pois contra todas as probabilidades ali temos o incrível
Doutor Mara, numa sexta-feira à noite, em discoteca bem conceituada, por sinal e, em plena
coluna no centro da pista de dança a agitar-se desabridamente, feito exímio e
excêntrico dançarino, com uma camisa às flores (julgamos ser hortênsias), encharcado
em água e suor, sendo que este se encontra permanentemente a ser agraciado com
baldes de cerveja que, ele simpática e educadamente, vai sucessivamente recusando.
De qualquer modo, convém dizer que tem sido difícil para nós obtermos o seu
depoimento e aproximarmo-nos até bem perto dele. Vamos, certamente, fazer a
dita charla impossível, o que pedimos aos nossos leitores a máxima desculpa por
algum baloiço e oscilação.
DM: Doutor Mara, será que podemos ter a nossa charla habitual consigo?
Doutor Mara: Neste momento, não posso. Vocês não vêem que me
encontro em pleno acto dançante. Que chatice…
DM: Sim, já reparámos. Você está frenético…está tudo em ordem?
Doutor Mara: Sim, à parte que neste momento padeço de Tarantismo
súbito.
DM: Tarantismo súbito?
Doutor Mara: É um impulso frenético de dançar e a consequente
incapacidade de suster e estancar os movimentos da dança. Eu estou,
definitivamente, infatigável… mesmo que queira, não consigo, já houve gente
internada por este dito achaque contemporâneo e também houve muitas pessoas que
emagreceram muitos quilos depois disto. É também uma coisa interna, uma busca
incessante da nossa verdade interior e da verdade colectiva na forma como os
outros nos vêem. Posso garantir-vos, que durante o período da minha juventude,
perdi uma ou outra namorada devido a este meu estado súbito de
tarantismo. Peço-vos imensa desculpa, mas necessito continuar a dançar...o
tarantismo quando chega nem sempre é para todos e...tenho que aproveitar.
DM: Mas, doutor, isso parece-nos muito grave, muito grave mesmo…não
consegue mesmo parar de dançar?
Doutor Mara: É verdade…isto não tem explicação segundo os médicos
nem a ciência moderna. Os músicos dizem que isto acontece quando um disco
jóquei actual passa mais de três músicas seguidas com grande nível, o que é
raro nos dias que correm. Por outro lado, quanto mais danço mais vontade tenho
de fazer amor, desculpem, quando mais danço mais vontade tenho de fazer a
revolução, desculpem outra vez, quanto mais danço mais vontade tenho de
dançar…assim é que é…será? Tirei a noite para dançar…não sei, portanto,
quando é que isto irá parar.
DM: Mas, Doutor, você é bom é a escrever, a produzir obras de grande
valor estético, você está ao nível das grandes celebridades da literatura.
Doutor Mara: Isso é o que vocês críticos dizem… e como vos agradeço,
tenho uma imensa dívida para convosco ao me ajudarem a pagar as contas da electricidade,
da água e do gás. No entanto, escrever bem, como diria o velho Freud, é ser
capaz de contar histórias, isto é, de se interessar pelo homem, pelo seu
destino individual e colectivo. Vejam estes jovens que quase dançam aqui à
minha volta, cada um traz consigo uma estória mas são muito poucos os que se
interessam por eles…quem escreve sobre eles? A antiga sociedade de produtores
só lhes consegue arranjar lugar como consumidores e é talvez por isso que eles
ficam neste estado letárgico, ludibriando a incerteza do tempo em que vivem e
atirando-os para a anomalia de não saber o que fazer com o mundo que têm pela
frente. Alguns deles não dançam pois estão mais interessados em transmitir
pequenos esgares e olhares furtivos ao mesmo tempo que tentam ser retribuídos
nessa ânsia de serem desejados. E, por favor, se não se importam, vão-me desculpar, mas tenho que
continuar a dançar...isto é uma verdadeira terapia.
DM: Doutor, pedimos desculpa pelo incómodo, estamos eternamente
agradecido por esta charla impossível. Esperemos, entretanto, que consiga
travar esse baloiço bailador em que está metido. E que não seja preciso camisas-de-força
para tirá-lo daí. Até um dia destes.
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