![]() |
| "O Olhar de Ulisses" de Theo Angelopolous |
domingo, 25 de janeiro de 2015
sábado, 24 de janeiro de 2015
Um Postal de Miriam Manaia
Caro Doutor, como tem passado
este sol de Inverno com temperaturas amenas e agradáveis?
Nem imagina o quanto amei saber
que se encontra de novo a viver junto de um vulcão adormecido. Passou tanto
tempo desde o nosso último encontro e sei que nunca mais transmiti nada da
minha parte, típico desta minha personalidade errante, bruxuleante e ondulante. Durante os
últimos meses viajei sem cessar, corri mundo, fartei-me de viajar até cansar.
Regresso agora de uma viagem ao sudoeste asiático onde, pela primeira vez, nadei
com crocodilos, e, talvez por isso, tenha tido necessidade de lhe escrever com esta brevidade. É
um impulso estranho nadar com animais de grande porte, rodeá-los sem que
estes nos mordam ou apanhem, sempre com esta sensação imanente de "toca e foge". É preciso muito treino, evidentemente.
Soube, por voz amiga, que o agora (Professor) Doutor tem tido contactos
recentes com o mui amigo Janeiro Alves. Que bom seria ter a vossa companhia no recém-renovado Solar dos
Manaias.
Até breve na caixa dos correios,
com imensas saudades suas
Miriam Manaia
O Quarto
Quem te pôs
a mão no ombro,
a faca que
te atravessou o coração,
são feridas
alheias, talvez algo que leste;
entretanto
partiste
para lugares
menos iluminados
e corações
menos vulneráveis,
pode
perguntar-se é o que fazes ainda aqui
se já cá não
estás.
A hora havia
de chegar em que
nos
perderíamos um do outro.
E
acabaríamos necessariamente assim,
mortos
inventariando mortos.
Morrer,
porém, não é fácil,
ficam
sombras nem sequer as nossas,
e a nossa
voz fala-nos
numa língua
estrangeira.
Apaga a luz
e vira-te para o outro lado
e acorda
amanhã como novo,
barba
impecavelmente feita,
o dia um
sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.
Manuel António Pina, in Como se Desenha
uma Casa, Assírio & Alvim, 2011
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
O Maçariku!
![]() |
| Fotograma de "Jaime"de António Reis (1974) |
A Casa da Achada, Centro Mário Dionísio, dedica o mês todo da sua actividade ao Vitor Ribeiro, mais conhecido pelo "Maçariku". Incentivo e agradedecimentos à Casa da Achada por mais este gesto, simples homenagem, evocação de um sócio que ajudou a fundar e a erguer aquele espaço em pleno coração da Mouraria, em Lisboa. O Vitor Ribeiro desapareceu bastante cedo, sendo ele um, entre muitos outros, que ajudava a dinamizar aquele espaço de cultura, de partilha, de práticas e intervenções plurais. Permitam-me que vos diga que terei sempre saudades do Maçariku, um verdadeiro amigo. Há alguns anos atrás, numa das passagens pela Achada, falei em plena na sala de trabalho do filme "Jaime", do cineasta António Reis, enquanto ele cirandava de um lado para o outro, envolvido em dezenas de tarefas e coisas por tratar. Eu não me continha de recordar o entusiasmo numa das sessões do Fantasporto, em pleno Instituto Francês, a lembrança de ter visto um filme poético e bonito com apenas meia dúzia de pessoas e a forma estrondosa como aquele filme passou a povoar o meu imaginário de amador de filmes. Contava então aos presentes o quanto tinha gostado daquele filme e o quanto o gostaria de o rever. Dito e feito, o Maçariku não descansou enquanto eu não pudesse revê-lo pois, passado algum tempo, lá estava ele ali com o filme na mão para me oferecer e a dizer que o fosse ver. E a verdade, é que fui mesmo para casa à procura do écran do computador para assim o poder visionar. Obrigado, Maçariku!
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Encostas a Face à Melancolia
Encostas a
face à melancolia e nem sequer
ouves o
rouxinol. Ou é a cotovia?
Suportas mal
o ar, dividido
entre a
fidelidade que deves
à terra de
tua mãe e ao quase branco
azul onde a
ave se perde.
A música,
chamemos-lhe assim,
foi sempre a
tua ferida, mas também
foi sobre as
dunas a exaltação.
Não ouças o
rouxinol. Ou a cotovia.
É dentro de
ti
que toda a
música é ave.
Eugénio de Andrade
domingo, 18 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
Herberto Helder
se um
dia destes parar não sei se não morro logo,
disse Emília
David, padeira,
não sei se
fazer um poema não é fazer um pão
um pão que
se tire do forno e se coma quente ainda por entre as linhas,
um dia
destes vejo que não vou parar nunca,
as mãos
súbito cheias:
o mundo é só
fogo e pão cozido,
e o fogo é
que dá ao mundo os fundamentos da forma,
pão comprido
nas terras de França,
pão curto
agora nestes reinos salgados,
se parar não
sei se não caio logo ali redonda no chão frio
como se
caísse fundo em mim mesma,
a mão dentro
do pão para comê-lo
-disse ela.
-disse ela.
Herberto Helder "A Morte sem Mestre", 2014, Porto
Editora (p. 29)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Tempos Modernos no Auditório da BPAJJG
O filme "Tempos Modernos", de Charlie Chaplin, será exibido amanhã, sexta-feira, dia 16 de Janeiro, às 21 horas, na Biblioteca Pública e Arquivo João José da Graça, na cidade da Horta, Ilha do Faial. Trata-se de um ciclo de três filmes, sempre às sextas-feiras, sobre este realizador inglês, nascido em Londres, em 1889, e que se viria a tornar uma referência importante na História do Cinema do século XX. O filme, com o título original de “Modern Times”, foi realizado em 1936 e é uma crítica mordaz e rábula inteligente “à industrialização e às máquinas que passaram a tomar conta da vida e do tempo dos seres humanos à escala planetária”.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






