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| Fotograma de "Clarissas" de André Laranjinha |
sexta-feira, 29 de julho de 2016
O Pulcro Silêncio de "Clarissas" de André Laranjinha
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Walk and Talk: "Bruto" é Rasgar a Intimidade!
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| Bruto de Carolina Rocha (Imagem do sítio do Walk and Talk) |
Carolina Rocha
apresentou, na noite de ontem, no bonito espaço da casa da Academia das
Expressões, sito no Largo de São João, Ponta Delgada, o seu intrigante trabalho
intitulado “Bruto”. A performer/dançarina surpreendeu o muito público presente
ao brindá-lo com uma recepção com pequenos berlindes, convidando assim a segui-la para um
espaço no exterior. A audiência situou-se
de frente para uma parede onde se encontrava o vídeo que projectava a “performance” e com uma “banda sonora” em simultâneo. Enquanto decorria a projecção avistava-se uma imaginária janela de permeio, permitindo à assistência entrar naquela intimidade – um quarto
carregado de folhas enormes de papel a lembrar lençóis e um corpo feminino em permanente movimento - visualizando assim a tensão e o desatino de
quem quer viver, libertar, acalmar e, por fim, recolher esses pedaços e “embrulhos da própria existência". Assim, com uma música carregada de melodia e cadência,
parabéns a Tiago Franco, culminou este momento altamente criativo, carregado de expressividade e imaginação, e que dificilmente se apagará da
memória desta edição do Walk and Talk de 2016.
Clarissas de André Laranjinha, hoje à noite, no 9500 Cineclube
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| Hoje no Cine Solmar, às 21h30 |
Sinopse do Filme:
Esta curta metragem centra-se no
Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, nas Calhetas de Rabo de Peixe, fundado a
2 de janeiro de 1977 por irmãs Clarissas vindas da ilha da Madeira. O mosteiro
terá sido construído a partir da casa e da ermida de Nossa Senhora das Mercês e
dos terrenos que foram doados à Igreja por António Medeiros Frazão e Maria
Leonor Frazão. Antes da extinção das ordens religiosas, em 1832, a Ordem de
Santa Clara teve um importante papel nos Açores, havendo inúmeros mosteiros e
conventos da Ordem Franciscana feminina.Depois de um século e meio de ausência,
a ordem voltou com a criação deste mosteiro, que é agora o único de vida
contemplativa e de clausura nos Açores. Neste mosteiro vivem atualmente oito
irmãs em clausura, que dedicam o seu quotidiano à oração e ao trabalho,
realizam tarefas domésticas, trabalham na horta e no jardim, tratam dos animais
e fazem hóstias para toda a comunidade religiosa católica dos Açores.
Genéro: Documentário. Duração: 28 minutos. Ano de
realização: 2016
quarta-feira, 27 de julho de 2016
A Cultura e o Quotidiano
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| Programação do Centro Mário Dioníso - Casa da Achada |
A título de exemplo, recordo que
sempre que fui ao Centro Mário Dionísio - Casa da Achada, em Lisboa, fiquei sempre com vontade
de lá voltar. Por ali não entendem a cultura como um luxo supérfluo ou mesmo
flor na lapela. Acreditam, isso sim e, sem fazer grande alarido disso, que esta
mesma é parte integrante do desenvolvimento pessoal, que aquele espaço pode ser
de partilha, de descoberta e, inclusive, de crescimento e realização
comunitária. Todos os dias há actividades a decorrer, sinal de quem vive a vida
de forma crítica, atenta e apaixonada. Não evitam, mesmo assim, o conflito, o
debate, a aprendizagem. Mesmo agora, enquanto escrevo este pequeno texto,
atento à experiência de três amigos – um deles de visita turística aos Açores e
a São Miguel, e que frequentaram o interior de um edifício majestático e de rara
beleza: o “Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas”. Um centro feito
supostamente para albergar as artes deste tempo, com uma colecção privada de
arte contemporânea, encontrando-se, em plena época alta do turismo e dos visitantes à Ilha, com as salas
e paredes vazias e ainda com uma livraria exânime. Caso para dizer, que a cultura, ou até mesmo a arte, por vezes, pode estar onde
menos se espera.
Uma Missiva de Janeiro Alves no Jorro de Julho
Caro Doutor Mara,
Tenho estado
envolvido nos meus estudos psico-sociais numa floresta tropical tasmânica que
plantei meticulosamente no jardim da minha vivenda. Se excluirmos os dias de
puro ócio com festas de Black Captain Morgan e mulatas ao som de Trio
Matamoros, têm sido dias árduos de trabalho e isolamento, sangue suor e
lágrimas imprimidas pela sede do conhecimento humano e da descoberta científica
ao serviço da humanidade.
Tudo estava bem, até que num dia
comum, longe das luzes dos holofotes mediáticos da sociedade de consumo, recebi
uma carta oficial registada e com aviso de recepção, para me apresentar para
interrogatório num palácio governamental em Lisboa. Lá, perante três vultos
medalhados, tive de responder a algumas perguntas de índole pessoal.
Perguntaram-me porque não tinha facebook,
porque é que não via televisão, se sabia dos atentados, e se sabia que Portugal
tinha sido campeão da europa. Afirmei que estava ocupado com outras coisas, o
que provocou a ira dos presentes. Disseram-me que fazia parte dos deveres do
cidadão estar atento, participar em comentários online, ver telejornais para ter opinião formada, e participar em
redes sociais, pois caso contrário a minha pessoa poderia estar em perigo e
constituir perigo para os outros por desconhecer procedimentos de segurança por
parte das autoridades, caso eles venham a ser implementados em estado de
emergência. Entregaram-me um papel carimbado e assinado pelo estado-maior e fui
de imediato escoltado por outros dois vultos até ao portão.
A carta
catalogava-me como “Excluído”, referindo que constituía uma ameaça ao interesse
nacional pelo alheamento voluntário dos cenários de terror e flagelo na europa,
e sobretudo, “pela ausência de medo”! Mas a carta não se ficava por aqui.
Referia também a obrigação de frequentar aulas de formação em determinados dias
da semana, em determinado edifício da cidade, a uma determinada hora. Apesar da
obrigação, fui de livre vontade, pois achei que desta forma contrariava o
carácter obrigatório da convocatória.
Numa sala
impessoal e desprovida de cor, num sétimo andar de um edifício cinza uniforme
espelhado num dos lados e dotado de câmaras de vigilância da marca “sorria”, lá
me sentei numa cadeira azul, cor de lápis. Depois de uma breve apresentação por
parte do formador, que trouxe uma folha já escrita e até leu o seu próprio
nome, a luz baixou e o projector ligou-se. O que se passou a seguir, Dr. Mara,
foi um espectáculo de manipulação, com imagens de noticiários do correio da
manhã sobre os atentados, a exaltação orgulho nacional no campeonato europeu,
as sanções da união europeia, e até, imagine-se, uma reportagem da gnr sobre os
perigos de caçar pokemones na via pública. No final tive de preencher um
formulário - Filiação Partidária: sou
de um partido estrangeiro que não há cá; Orientação
Sexual: ultimamente não me tenho orientado muito, ando ocupado com outras
coisas; Conta de Facebook: não tenho
mas mantenho os álbuns de fotografias de família; Remuneração Mensal: não aplicável. Recebo à semana; Tem filhos? devo ter alguns, espalhados
por África; Situação Militar: acho
que está cada vez pior…
Bom, neste
momento tenho a casa escoltada pela polícia, e apareceram-me dívidas
imaginárias nas finanças e na segurança social. Caso o Dr. Mara ainda não tenha
percebido, estão-me a querer fazer a folha, meu caro. Estas cartas ainda
escapam ao controle porque são levadas ao correio pela minha governanta, mas
receio que mais cedo ou mais tarde sejam interceptadas.
Preciso da sua
douta opinião em relação a este assunto, pois ecoa por parte dos alinhados que
poderei estar em maus lençóis. Já pensei em pedir asilo político, mas ainda
estou a escolher um país que melhor se adapte ao carácter exótico da minha
personalidade.
Aguardo assim
que me garanta que desse lado do oceano as águas estão mais brandas, condição
necessária para despoletar na sua consciência a voluntariosa necessidade de dar
uma mão a este velho amigo que lhe envia sinceros cumprimentos.
Janeiro Alves
terça-feira, 26 de julho de 2016
We Came Along This Road
With
my wife's lover's smoking gun
I
don't know what I was hoping for
I
hit the road at a run
I
was your lover
And
I was your man
There
never was no other
I
was your friend
Till
we came along this road
Till
we came along this road
Till
we came along this road
I
ain't sent you no letters, ma
But
l'm looking quite a trip
The
world spinnin' beneath me, ma
Guns
blazin' at my hip
You
were my lover
And
you were my friend
There
never was no other
I
hope you'd understand
Till
we came along this road
Till
we came along this road
Till
we came along this road
Nick Cave & The Bad Seed in “We Came Along This Road” – No More We
Shall Apart (2001)
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Tu Podias Viajar Comigo na Noite
Tu podias viajar comigo na noite
ver como se propaga o ar
não se pode negar a indiferença
enfiaram-te o amor na cabeça
os filmes, os livros e os poemas
que leste
agora vai-te embora com as grafonolas
desampara a loja dos fantasmas da
infância
e não voltes desconfiado
o gelo não se parte,
solidifica ainda mais
solidifica ainda mais
conserva-se para a eternidade
um coração despedaçado não sobrevive
um coração despedaçado não sobrevive
fica desarmado com tanta frieza
Hás-de saber guardar para ti o medo
e o cuidado
a leveza com que desapareces da
fotografia
não sei muito bem onde aprendeste esse
orgulho
esse pequeno ritual do
desprendimento
vale o que vale a saúde e desatinas
uma casa em ruínas e o desapego
uma casa em ruínas e o desapego
quando sofres devagar e logo
adormeces
Repetes o frente a frente
sem nada conseguir expressar
madrugada adentro
até deitar tudo a perder antes da alba nascer
Filme d´Estio
Sob Céus Estranhos de Daniel Blaufucks
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| Imagem daqui: http://www.danielblaufuks.com/ |
O frequentador de bibliotecas terá sempre este prazer que é descobrir coisas ao calhas. Subitamente, este depara-se com um nome de um fotógrafo conhecido, um título curioso e intrigante, permitindo várias leituras. E de imediato essas coisas funcionam como cápsulas que gostaríamos de abrir, desvendar, trazer para o nosso quotidiano. No final do livro, um texto poético que nos faz permanecer agarrado à página, fixar aquele instante, prolongar a existência de vida e uma fotografia que podia também ser parte da nossa memória:“Agora estou deste lado do ecrã, revendo todas as fotografias e velhas bobines de 8 mm e vejo todos os que, um a um, foram partindo, levando um pouco de mim para sempre. Estranhamente, também eu, de certa forma, me tornei num exilado. Onde fica a minha casa? Não tenho bem a certeza. Possivelmente debaixo daquelas árvores de que o meu avô gostava tanto.”
sábado, 23 de julho de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Filme d´Estio
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