Não há aqui nada contra os automóveis. O que é um facto é que os carros não deviam ter mais direitos que os cidadãos ou prioridade em relação aos peões e transeuntes, mas têm. Sabemos o quanto os carros são úteis, demasiado até, na forma como diminuem as distâncias e encurtam o espaço e o tempo de um sítio para o outro, tornando a vida e os dias mais aceitáveis com temperaturas aziagas e chuvas persistentes. No entanto, da mesma forma que as praias não deviam servir para colocar bares e restaurantes em cima do areal para não importunarem a vista e o desfrutar do areal e da paisagem de quem ali vive ou gostaria de ali estar, o que é verdade é que não é concebível o estacionamento dos carros em cima de passeios ou a invasão destes no centro histórico de cidades de pequena dimensão, impedindo o passeio e usufruto do espaço e da via pública por parte de quem ali vive e passa. Estacionar carros em cima dos passeios não é, nem nunca será uma situação ideal, não é aceitável, o mesmo se pode dizer dos milhares de carros que invadem o centro num abanar constante da terra e do barulho que torna possível a vivência e o usufruto do espaço citadino. Deste modo, seria desejável que as cidades fossem lugares prazenteiros de descoberta e fruição dos seus espaços arquitectónicos, lugar de encontro com suaves e amenos passeios diurnos e nocturnos, dados à contemplação e observação do comércio, recheado de conversas sobre o passado e o presente, espaços entregues aos passeantes e respectiva contemplação. Para quando?
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A Música Maior que a Vida?
Uma vez para imitar o Miguel Esteves Cardoso e, em plena adolescência, proferi num programa de rádio que havia música preferível à vida. A adolescência dá-nos para isso e para muito mais assim como andar com a capa do disco dos Jesus And Mary Chain (creio que era o Psichocandy) pelas ruas da cidade horas a fio até que alguém perguntasse quem eram os "Jesus and Mary Chain". Satisfeita a curiosidade pouco ou nada religiosa, regressava a casa com o dever cumprido e com a capa do grupo do underground britânico pronta para ir para o lugar de onde não devia ter saído. À distância não é mais possível transmitir a forma crua e fidedigna que a música ocupava para aquele grupo de adolescentes vestidos todos de preto e cabelos em pé, jovens lunáticos que acreditavam piamente na música como a arte que aglutinava todas as emoções à flor da pele.
A música era assim o elo de ligação que acorrentava e funcionava como o estandarte em que se jogava a batalha de diferenciação entre os diferentes grupos e se extremavam posições bem definidas na topografia do estabelecimento escolar ou cafés citadinos. Lembro-me de alguém dizer que tinha chorado a ouvir o álbum "LC" dos Durutti Column e o contágio estender-se aos restantes elementos do grupo e que, por isso, tinham tentado, em pleno quarto fechado e luz apagada, repetir a façanha e o choro derramado. Com estima, recordo também o gesto de um professor de Geografia, também ele treinador da equipe de basquetebol, emprestar cem (ouviram!), uma centena de vinis para ouvir e gravar durante um mês até que as cassetes BASF ou TDK se esgotassem e se cansassem de tantas gravações. Ou ainda de contribuir com uns parcos cinco escudos para que um "jovem hippie" pudesse assistir ao concerto dos "Filhos do Presidente"...será que existiram?!? E o que existiu mesmo foi esse desejo de ter uma banda a qualquer custo, isto é, sem o mínimo de condições e dinheiro para a comprar instrumentos e equipamento de som e, mesmo assim, dar concertos, tocar e encher os lugares que julgaríamos ser coisa apenas de músicos com tarimba e com carreira profissional.
É certo e sabido que crescemos e que, ao avistarmos um bando de flamingos num sapal em Castro Marim, a vida passa a ser outra coisa. Mas ainda assim sabemos que é improvável, mesmo impossível, viver sem música. Como viver então sem músicas, sem músicos ou estórias de músicas e músicos em redor?
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
2013
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| Corto Maltese, Hugo Pratt |
Eduardo Galeano
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
A Estirpe do Sal
Domicílio de madeira coroada de sal
juntam-se cordas e homens-anzóis a levitar
profetas de sismos e trovões
pancada espúria em dolente batida
humanos acordes vociferam clarões
do mendaz grito no desenho de baía
a fagulha eléctrica na voadora guitarra
dedos de sangue no círculo forjado
fiéis apóstolos do musical magma
a negação do elo e da tradição
amanhã não mais celebraremos
amanhã não mais celebraremos
ou cagarros da invernia inventados
Diários de Angra
Ainda sob o efeito de "O Menino Mija", tradição que se prolongará até meados de Janeiro, passa-se à noite pelo Teatro Angrense e é de pasmar perante a beleza deste edifício considerado património de utilidade pública. Data do século XIX a sua construção, remetendo de imediato para o imaginário dos tempos áureos da ópera italiana e do teatro romântico. Hoje a necessitar de obras urgentes de remodelação e recuperação, fala-se de uma verba de oitenta mil euros mas ainda sem data marcada para a sua execução. Imagine-se, portanto, as noites em que a população terceirense invade esta rua (Esperança de nome) e diminui a ventania nocturna que aqui se vive, insuflando vida e animação a este distinto lugar citadino, tão próximo da baixa e dos seus cafés. E quem já viu este teatro aberto, em forma de ferradura, exemplar único em Angra do Heroísmo e uma referência em todo o arquipélago, sabe como é necessária a sua abertura e actividade regular deste espaço para a vivência cultural da Ilha Terceira. É mais que sabido que a diversidade cultural irá diminuir em 2013 perante os cenários negros que se nos apresentam diariamente, basta verificar que os Açores foram a região que mais reduziu o seu investimento na cultura (-23,6%), daí que este velhinho Teatro Angrense, belo e renovado, poderia ser um espaço de resistência e afirmação da cultura e identidade terceirense e açoriana.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Os Flanilhas
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| Ilustração de Pedro Valim |
Cultivavam esse amor antigo pela história ensinada nos bancos de escola que falavam do continente e das ilhas adjacentes. Sabiam desde sempre que o que tinham aprendido era importante mas não era certamente tudo aquilo que precisariam na medida certa para viver. Havia dentro deles um espírito marinheiro, errante, para além de serem amantes do oceano e das profundezas dos mares que rodeavam as ilhas atlânticas. Navegavam com inquietude pelos mistérios das ilhas como os antigos exploradores, absorvendo o espectáculo e a simplicidade da vida insular, absorvendo o rito e a passagem humana por esses antigos montes, vulcões e vales de solidão. No interior das ilhas era comum avistarem-se Flanihas em pleno acção, a flanar, muitas vezes a caminhar pelos seus próprios meios, longe de recusarem a rapidez das máquinas e dos avanços tecnológicos, preferindo, no entanto, o movimento das solas e dos sapatos, das rodas das bicicletas, ainda o vagar lento dos transportes públicos, quando os havia. Há muito que sabiam que a espécie humana nem sempre era bondosa, sendo por vezes ressentida, fechada, dada a visões curtas e circunstanciais, mesquinhices, dependendo muito dos estímulos e cultura em redor e, talvez por isso, os Flanilhas despojaram-se de bens materiais, adquirindo apenas o que a terra e o mar lhes davam, afastando-se o mais que podiam dos bens materiais, ou pelo menos tentavam fazer por isso, retirando máscaras e fingimentos ao quotidiano. Os Flanilhas quiseram ser pele, osso e tráfico desse dom humano que era o corpo aberto ao movimento, à experiência do vento e do sol, da vida ao ar livre, exposta ao coração da mãe natureza. Veneravam dessa forma os traços e os gestos das obras terrenas da vida e da passagem do Homem nas ilhas, os seus sinais de um desejo insaciável e vontade inquieta que se concentravam nas casas, edifícios, arquitectura e jardins. Amavam também as músicas celestiais que das suas vilas e freguesias ecoavam em dias de festa, romaria ou religiosidade. Os Flanilhas ficaram conhecidos por lançar garrafas ao mar carregadas de mensagens secretas que nunca ninguém seria capaz de decifrar, dado que eles há muito diziam desconfiar do valor das palavras. Preferiam a poesia do movimento, do corpo em fuga e sentido ambulante dada pelo nomadismo dos primeiros viajantes. De ilha em ilha, o gosto, o prazer, o amor pela viagem.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Estrela
O artista estava ali a equilibrar o jogo
corre o vício em acesa disputa
sai valete e entra a dama
no plasma de Hollywood
-Quem quer ver?
paga a mini com o desenrolar da fita
vai com murro
o passado é a doer
iões de prata é a chave do presente
na partida só com lousa sobre a mesa
a colecção tem vitrine como afago
matraquilho sentimental em reunião
rico desassossego após labuta
ninguém é nada neste encontro
líquida nave em desassombro
maré de sorte
estrelinha ao fundo.
Diários de Angra
Os cafés de Angra do Heroísmo são uma seguríssima porta de entrada nesta cidade património da humanidade. Os cafés formam a personalidade da Angra convivial, tolerante, conversadora, aberta ao discurso do outro e da boémia, evidentemente. O sítio mais badalado culturalmente é a "Pastelaria Portugália", antigo poiso de jornalistas, músicos, poetas e gente das mais diversas linhas e cruzamentos. Há também uma rua viva e com a preguiça típica das esplanadas, que é certamente a Rua da Palha, sempre movimentada. Ali é só comprar o jornal e seguir o caminho e o cheiro que exala dos cafés até às mesas expostas na rua com o mar ao fundo, com muito comércio e lojas de roupa e artesanato para apreciar. Quem resiste à Menina de Canela ("Cinnamon Roles") feitos com receita pessoal, cartão de visita do "Marquês", confeccionados por quem já esteve e regressou das Américas? Angra é certamente terra de doçaria e com variedade de petiscos para o almoço, lanche ou mesmo jantar, fácil de comprová-lo no Petiskaky, porto de abrigo de estudantes e demais clientes oriundos da escola secundária, tribunal e direcção regional da cultura, dos edifícios citadinos que ali gravitam. Na baixa, há também o "Marcelinos" que anima um centro há muito despovoado e com pouca ou quase nenhuma animação nocturna, sobretudo aos dias da semana. Aos fins de semana, é difícil não dar conta da animação do Dona Amélia, no Alto das Covas, muito bem servido de jornais e livros e sempre com música a condizer, à escolha do freguês ou cliente com gosto ecléctico e aberto às diferentes andanças musicais. E como faz falta uma sala de espectáculos em pleno de actividades e que possa servir de alimento e oxigénio à respiração nocturna destes cafés que à noite estão mais que desertos ou então inundados e entupidos de imagens televisivas de jogos da bola repetidos ad nauseam...
Poema da Adivinhação
Quando os sábios da numerologia
supositório da vida em gabinete
puserem cobro à intrusa travessia
que restará da insigne e devastada nau
e da sua sobressaltada tripulação?
Que canções, émulos e bandeiras?
retrato enviesado das suas veias
presente apropriado à burla e à rapina
rotas algibeiras de insatisfação
melancólico destino assim ultrajado
em mácula dor assim exposta
com letargia e sem convulsão.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Metereopatia
DM: Caro Doutor Mara, fale-nos aos estudos que tem vindo a desenvolver, pois temo-lo visto a passar pelo centro da cidade com muitos livros e, pouco agasalhado, o que não é normal para esta altura do ano.
Doutor Mara: Neste momento, fruto de uma pausa laboral imposta por este governo de sábios da numerologia, dedico-me ao estudo da Metereopatia.
DM: Doutor Mara, estamos atónitos, sinceramente, diga-nos, em primeiro lugar, em que consiste a Metereopatia?
Doutor Mara: Como a própria palavra indica refere-se à alteração que o estado do tempo provoca no comportamento humano - visível e invisível. As mudanças e variações que o estado do tempo provoca no eu individual e colectivo dos povos. Nós, portugueses, somos completamente dominados pelo estado do tempo e raramente temos consciência disso. Os suecos ganharam consciência desse facto e arranjaram formas de lidar com esse problema. É impressionante o número de bandas suecas pop da actualidade que cantam os verões do sul, por exemplo. Há, inclusive, uma banda intitulada "El Perro de Barcelona", já para não ir lá atrás buscar os ABBA. É uma forma de aliviar a pressão de muitos meses de inverno, passados dentro de casa ou fechados no quarto junto de computadores. A social-democracia sueca, por exemplo, foi muito longe porque na Suécia, não só devido à cultura e ética protestante, mas também devido a invernos longos e prolongados, pois as pessoas vivem muito isoladas e desenvolvem formas de autonomia, sobrevivência e independência muito maiores que no sul. A falta de luz no exterior faz com que se procure a luz no interior da comunidade.
DM: Por que é que decidiu dedicar uma boa parte do seu tempo a um estudo, uma parcela do conhecimento, com tão pouca cientificidade no nosso país?
Doutor Mara: Bom, há quem se dedique a estudar a influência da Vitamina B12, uma das componentes da sardinha, na dita melancolia e saudade portuguesa. Mas, foi sobretudo em dia de grande tempestade. Eu encontrava-me no norte do país a mostrar uma cidade do litoral a um encenador lisboeta, chovia imenso, e era impossível caminhar pelas ruas da cidade, quando este me disse que aquele dia de chuva intensa era propício à leitura de romances russos...um dia assim seria para ler na cama os romancistas russos, com Dostoievsky e Tolstoi à cabeça. Foi aí que pensei: "Há aqui uma mina de estudo para desenvolver". A partir daquele momento, revi os meus conhecimentos básicos da psicologia moderna e atirei-me de galochas para o estudo da Metereopatia.
DM: E que dados concretos foi descobrindo?
Doutor Mara: O sério desta questão é que o estado do tempo tem uma influência de forma acentuada no eu, individual e colectivo. Vivemos numa sociedade com um elevado número de metereopáticos. Há pessoas que funcionam muito com a presença ou não da luz do sol nas suas vidas, pessoas que gostariam de não ter que se confrontar com nuvens durante algum tempo ou pessoas que se modificam, se reinventam, com a chegada dos raios de sol. Veja-se, por exemplo, o caso das nossas ilhas e a quantidade de escritores que estas já forneceram ao nosso país. Herberto Helder é o escritor que é, um escritor em tom maior, devido ao sol da Madeira, os Açores tem uma bruma na literatura que não se vê em mais nenhum outro sítio. Ou então, ouçam-se os coros e os corais alentejanos para perceber que são tudo expressões e influência do estado do tempo, em que depois a cultura e a música logo se encarrega de expressar. A Metereopatia devia ser tida em conta na economia e a verdade é que não é. Os povos do norte trabalham e produzem muito mais por uma questão de temperatura e depois bebem mais cerveja para compensar essa dedicação ao trabalho. Os invernos rigorosos e a impossibilidade de andar na rua no Inverno casa obriga a uma outra estratégia para lidar com a natureza e a sobrevivência.
DM: Dizem inclusive que os povos mais felizes são os latino americanos, será que é por não estarem sujeitos à metereopatia?
Doutor Mara: Sim, completamente. Ali combina-se a temperatura e a lentidão do progresso económico e tecnológico. Tudo tem o seu tempo e depois há a música em tons maiores que faz com que qualquer sueco seja o melhor dançarino após a ingestão de uma cuba livre ou dois goles de tequila.
DM: Doutor, uma pergunta muito pessoal: considera-se um metereopata contemporâneo?
Doutor Mara: Sim, dentro do possível e de um quadro clínico ainda por desvendar. Em manhãs de nevoeiro, por exemplo, como sempre uma anona e, por vezes, uma barra de chocolate para aumentar os níveis de serotonina no cérebro.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Belas Artes
Ergue-se à solidão um obelisco
no alto do casulo desarrumado
a fada subtilmente estende a lã
como nuvem distraída sem descanso
implacável é o rumor da ventania
tecer a forma eleger figura
hora a hora o tempo clama
as mãos dão azo ao prumo à fantasia
inquietude sem clemência a perfeição
no decantado algodão se aprimora
triunfantes em leito de caos levitam
em nada em concreto se alimentam
apaziguados do jeito e da formosura.
Diários de Angra
Visita ao Pico das Cruzinhas no Monte Brasil, paisagem protegida, para obter assim uma panorâmica geral da cidade. Há oitenta anos ergueu-se aqui um padrão para assinalar os quinhentos anos da descoberta da Ilha Terceira. E daqui é possível ver a imponência arquitectónica da cidade e absorver Angra do Heroísmo sob a forma nebulosa e melancólica, há muito considerada monumento regional.Passaram trinta e dois anos sobre o enorme terramoto que arrasou com Angra do Herosímo, tendo este destruído a baixa da cidade e uma das suas mais emblemáticas igrejas, a Catedral da Sé (séculos XV e XVI), que teria novo episódio alguns meses mais tarde com a ocorrência de um incêndio que destruiu a talha dourada. A cidade seria reconstruída na sua forma original e reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade. Pela manhã houve também visita ao Mercado do Duque de Bragança, na Rua do Rego, para adquirir bens essenciais e participar no festival de cores ali disponível: anonas, castanhas, laranjas, bananas, ervas aromáticas, peixes vários e legumes com fartura. Longe do frenesim automobilístico das vetustas e admiráveis ruas da baixa, aqui ainda é possível conversar, discutir os preços, os cortes e os impostos, bem como caminhar como quem participa num espectáculo policromático com a banda sonora de palavras amigas e discretas.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Do Medo
"É natural que quem quer "elevar-se" sempre mais, um dia, acaba por ter vertigens? Medo de cair? Mas então porque é que temos vertigens num miradouro protegido com um parapeito? As vertigens não são o medo de cair. É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir nos protegemos com pavor (…) Poderia dizer que ter vertigens é embriagarmo-nos com a nossa própria fraqueza, mas em vez de resistir-lhe, queremos abandonar-nos a ela (…) Embriagamo-nos com a nossa própria fraqueza, queremos ficar ainda mais fracos, cair por terra em plena rua à frente de toda a gente, ficar por terra, ainda mais abaixo que a terra."
in A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera
sábado, 15 de dezembro de 2012
Cinema
Axial compromisso adiado
acre da maresia na respiração
nuvens brancas em movimento
imaginação em câmara lenta
fragmento pobre, gesto imperfeito
líquida atmosfera envolvente
vento acelerado da degradação
exaustiva repetição em desalinho
ferve agora o passado no presente
corre a lava no interior do vulcão
espreita-se o fotograma escorreito
apagam-se luzes de insatisfação.
acre da maresia na respiração
nuvens brancas em movimento
imaginação em câmara lenta
fragmento pobre, gesto imperfeito
líquida atmosfera envolvente
vento acelerado da degradação
exaustiva repetição em desalinho
ferve agora o passado no presente
corre a lava no interior do vulcão
espreita-se o fotograma escorreito
apagam-se luzes de insatisfação.
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