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| Apresentação dia 6 de Novembro, 18h30, na Tipografia Micaelense |
sábado, 3 de dezembro de 2016
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Penúmbria no Teatro Micaelense
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| Fotograma de Penúmbria de Eduardo Brito |
Penúmbria
venceu a edição deste ano do Arquitecturas Film Festival. O filme de
Eduardo Brito será exibido, dia 7 de Dezembro, às 21h30, no Teatro Micaelense.
Escolhemos o fim de Novembro para conversar com o autor do filme antes da tão
aguardada exibição.
Douta
Melancolia: No início escutamos na narração: “A
verdade é que Penúmbria sempre fora um fim de terra desde a sua fundação, há
cerca de duzentos anos. O lugar ficou a dever o nome à sombra permanente,
provocada por uma montanha alta e circundante no seu extremo sul.” Que sombra é
esta que poderá habitar no espectador deste teu filme?
Eduardo
Brito: É a sombra
de um local que foi um erro. Ou seja, de Penúmbria, uma cidade imaginada como
muito triste: má localização, atmosfera e clima; mas também cidade onde nada
floresce. Daí que - premissa inicial do filme - a sua comunidade decide ir-se
embora dali, assinalando o lugar como uma distopia. Noutro plano, talvez esta
sombra seja o desafio do espaço e da sua leitura - de uma das suas possíveis
leituras: como falhanço histórico, antropológico, arquitectónico.
DM:Acabaste
de receber o Mikeldi de Oro para melhor ficção no 58º Zinebi de Bilbao...como foi que tudo isto aconteceu?
E.B: Receber esta
distinção é uma grande honra: pelo facto de acontecer logo na estreia
internacional do filme, por acontecer num festival mítico como o Zinebi e,
claro, pela inegável qualidade de outros filmes a concurso. Dá-me muito alento:
o reconhecimento do trabalho é também uma forma de continuarmos a crer no que fazemos
- neste caso, a crer em imaginações de cidades.
DM:É sabido que tens vindo com regularidade aos Açores, sobretudo a São Miguel. O que tens andado a fazer por estas paragens? E o que esperas desta projecção?
E.B: Como argumentista, a trabalhar num projecto chamado Hálito Azul, do realizador Rodrigo Areias que tem como ponto de partida Os Pescadores, de Raul Brandão e que decorre na Ribeira Quente. Da projecção, espero que corra bem em termos de som e imagem e que quem a veja, disfrute e compreenda a cidade imaginária de Penúmbria, pese embora a sua tristeza.
DM:Até
onde pode ir este filme?
E.B: A proposta de Penúmbria passa,
antes de tudo, pela imaginação de um lugar - de uma finisterra. Cria-se-lhe a
geografia, a história e as histórias, o som, a arquitectura e a memória. As
finisterras são um tema que tenho trabalhado e imaginado muito, seja na
escrita, com As Orcadianas, na fotografia, com Passing Place, Sob A Luz Quase
Igual e Terras Últimas e agora no cinema. Com Penúmbria quis também debruçar-me
também sobre a relação entre texto (narração) e imagem. Mas no início e no fim
de tudo está sempre o gosto por uma história, o gosto pela ilusão do cinema.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Uma Janela para o Fim de Novembro
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| Fotografia Germana Eiriz |
De cabeça e corpo na brecha que dá para a cidade
insular e, como tal, não há qualquer regresso possível às ruas da infância onde,
por sinal, ainda há quem nos aguarde. A luz do tempo é serena. A acritude foi substituída pela
esperança e, talvez por isso, é como se nunca tivesse havido partida para longe
ou para sítio algum. A haver errância seria de resignação e permanência. O olhar
pousa agora sobre o cinza da paisagem e dos telhados citadinos. Desta feita são as
memórias que evitam que o desencanto se instale. Parte-se assim pelo interior dos dias adentro até à indagação de cantos e vozes deste tempo confuso, difuso, repleto de
oportunidades por cumprir. Outro tempo é também enviado pelo Alexandre, exímio
guitarrista, que aprendi ouvir desde muito cedo, revelador de trilhos e veredas, que
nos esclarece em suplemento de espectáculos as vias com que agora se cose
as malhas da sua criação: “Quanto mais
avançamos no tempo, mais recuamos também, porque conseguimos ler melhor,
descobrir mais informação sobre as coisas que já passaram há muito tempo, como
se elas ficassem mais próximas.” Exagera-se, é certo, e assim talvez se acredite que é fora
de portas que escutamos o clamor do mundo, que pressentimos esse coro inquieto
de um universo criativo partilhado.
Em suma, prometemos não recalcitrar do estado
das coisas, incutiremos loas à encantadora noite de sons e luzes que se avizinha. Promete-se ligar os sentidos, todos sem excepção. Respiraremos mornas, prolongando sabor de cocadas e o verter do "quentão" e do "grogue" num
auditório com nome de excelso poeta quinhentista. É testamento e herança de uma cultura
que se vive de forma misturada, alegre, intensa. A cidade, essa, vai descendo o seu cenário até
ao mar. E anoitece...
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
La Voz a ti Debida
Para vivir
no quiero
islas,
palacios, torres.
¡Qué alegría
más alta:
vivir en los
pronombres!
Quítate ya
los trajes,
las señas,
los retratos;
yo no te
quiero así,
disfrazada
de otra,
hija siempre
de algo.
Te quiero
pura, libre,
irreductible:
tú.
Sé que
cuando te llame
entre todas
las gentes
del mundo,
sólo tú
serás tú.
Y cuando me
preguntes
quién es el
que te llama,
el que te
quiere suya,
enterraré
los nombres,
los rótulos,
la historia.
Iré
rompiendo todo
lo que
encima me echaron
desde antes
de nacer.
Y vuelto ya
al anónimo
eterno del
desnudo,
de la
piedra, del mundo,
te diré:
«Yo te
quiero, soy yo».
Pedro Salinas (1933)
sábado, 19 de novembro de 2016
Morte ao Meio Dia
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer.
Ruy Belo
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Bilhete
Fui-me embora, não esperes por
mim.
Se alguém der pela falta, diz
apenas
que estou bem, continuo a fazer o
mesmo
de sempre, trabalho, casa,
trabalho, casa.
Só não mintas às filhas, diz-lhes
que fui
procurar na distância outra forma
de solidão,
talvez convencido de que longe de
tudo
poderei vir a sentir falta do que
já tenho.
Henrique Manuel Bento Fialho in Estação 2012
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
domingo, 13 de novembro de 2016
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