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| Suécia, 2009 |
domingo, 15 de maio de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Una Donna...
Una Donna in Vacanza è bella
Una
donna in vacanza è bella
Porta il calendario incerto della
bellezza
E i principi disciplinati della
passione
A volte a mezzogiorno sulla sabbia
si risveglia
L'orologio biologico delle frasi
calcolate
Una donna in vacanza è bella
Una donna in vacanza è troppo bella
Racconta storie incredibili,
improbabili
Nasconde la schiuma come onde
all'alba
E, infine, conserva la cera che
brucia durante gli addii.
Una
Donna Arrabbiata è Bella
Una donna arrabbiata è bella
Assorbe fiele come onde agitate
Nasconde scatti di luminosità e di
calma
Riconosce il piccolo dolore e il
grido
Accumula incisioni e forte
riluttanza
Incoraggia l'esistenza senza paura
la casa accesa e la fortuna dovuta
Una donna arrabbiata è bella
Una donna arrabbiata è troppo bella
Impaziente conserva nella memoria
le risate
Rischia dall'alto della luce sovrastante
Si prende cura della paura senza
rivelare la storia
Dialogo continuo tutta la
notte
E si rafforza nei sogni reticenti
allontanandosi dall'eccessivo trambusto.
-Versões de "Uma Mulher em Férias é Bonita" e "Uma Mulher em Fúria é Bonita" vertidas para a língua de Dante com a colaboração de Eva Giacomello.
Regras do Jornalismo
“Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Carlos Santos Silva e
José Sócrates teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo,
eticamente reprovável. Mas nunca, desde novembro de 2014, fui questionada, por
qualquer dos media que, aos longo de quase ano e meio, me tentaram implicar no
caso, sobre o que eu sabia. Nem um pedido de esclarecimento, de entrevista, um
questionário. Nada. Como interpretar isto? As regras do Jornalismo (se
quisermos fingir que achamos que certos órgãos praticam jornalismo) são claras
quanto à obrigatoriedade de ouvir as partes interessadas.”
Fernanda Câncio,
revista Visão, 9 de Maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Jorge Kol na Galeria Miolo
A exposição de
fotografia "Uma Mancheia de Circunstâncias de Independência", de Jorge
Kol de Carvalho, abre hoje ao público, quinta-feira, pelas 18 horas, na Galeria/Editora
Miolo, na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel. Trata-se de um conjunto fotografias
que tem como referência uma parte recente da História dos Açores, mais
concretamente os movimentos autonomistas e independentistas que se lhe seguiram,
essencialmente no pós-25 de Abril de 1974. As fotografias, todas elas com a
presença de um busto de um homem com a mão ao alto, sob o signo do discurso de
independência, mostram essa imagem espalhada por vários lugares: paredes de
casas, edifícios oficiais, casas particulares, muros brancos, materiais públicos, etc. O fotógrafo interroga
de forma apelativa e estética o discurso revolucionário contido na imagem
principal bem como os códigos citadinos associados associados à sua representação. Jorge Kol apresenta-nos
uma crítica mordaz e irónica e, por isso, dialoga muito bem e de forma bastante inteligente, com os lugares de todos os dias, evidenciando um campo aberto de perspectivas e
sentidos para nos re(vermos) e pensar (mos). A ver e visitar até dia
3 de Junho.
"Fome de Vento" de Medeiros/Lucas (com Tó Trips e Filho da Mãe)
Primeiro
tudo é boca
E
dela o trago sorvido
Depois
o mundo cresce
E
nasce o sonho vivido
De
pés e mãos andantes
O
corpo quer ser vivido
Depois
do ventre o norte
E
vontade do sentido
Desde
o fundo do tempo
O
Homem vê-se sofrido
Depois
o peito embate
E
tudo se faz cumprido
No
fim silêncio ouvido
E
nele o jogo vencido.
Letra de João Pedro Porto
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Ontem, Escrito numa Parede da Cidade
-Please, what would you like drink?
-Quero um chá verde, por favor.
-Quero um chá verde, por favor.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
"Maio" de Raul Brandão
"Já
rebentaram as fontes. Toda a terra se agita, viva, dentando cá fora o seu
sonho. Dir-se-ia que sob o chão que pisamos correm rios de tinta que
transbordam, subindo nos troncos, cobrindo-os de roxo, de branco, de púrpura e
verde…. Vai por esse mundo um deboche de cor. As plantas aparecem-nos na mais
linda toilette, os bichos vestem as suas roupas mais ricas. Não há princesa na
terra que possua tão maravilhosos tecidos, sedas, oirescências, desenhos,
aplicações de igual beleza e juntamente de fragilidade tamanha…. Vi ontem uma
vespa a passear numa pétala de rosa…. Tinha caído um desses aguaceiros de
Primavera rápidos e precipitados – mas logo o céu correu a jorros, dourando a terra.
(…)
O português, que é sempre um poeta, tem esta falha – não ama as flores. Em
qualquer canteiro se podem criar obras de prodígio; a mais mesquinha terra é
fácil de converter-se em sonho. Pois vê-la-eis estéril e abandonada. Há neste
doce país o desprezo da flor – a não ser que ela se possa trocar em moeda
corrente. Não é raro vermos numa praça pública abater-se sem protesto uma
árvore. É até vulgar!.... Quando uma árvore começa a ser bela, esgalhada e
enorme, cheia de ruídos e de sombra, surge o vereador e corta-a, sem imaginar,
sequer, que mais vale um simples e humilde plátano do que um conselheiro de
Estado. O político é inútil…. Faz mais diferença à natureza o assassinato de
uma grande árvore, que dá sombra e frescura, que a alta missão de purificar a
atmosfera, do que a morte de meia dúzia de conselheiros de Estado gravíssimos e
calvos. Perdoem-me!...
Ah
sim! Maio, não era? Era de Maio que eu vinha falando?.... Já rebentaram novas
fontes e não há valado, carreiro de aldeia onde não cresçam lírios selvagens,
lindas florinhas graciosas e humilíssimas…. As raparigas cortam-nas, enfeitam
com elas os cabelos e os seios – e riem, coram, se as olhamos. Só na cidade não
há flores. Ontem, ao entardecer, deparei na rua com este caso enternecedor e
banal. Nem já se diferenciavam as ressequidas. Uma triste rapariguinha que
passava, descalça, de saia rota e cabelos ao vento, apanhou-as da poeira.
Sacudiu-as e pondo-as no peito, partiu a cantar numa satisfação imensa, alegre
como um pássaro.
Era
decerto condão das flores – mas também de Maio que chegou, com a sua magia e o
seu sonho. Rebentaram novas fontes, e a terra di-la-eis agitada e viva. Sob o
chão que calcamos correm rios de tintas que transbordam e cobrem de árvores de
roxo, de púrpura, de verde."
in Brasil-Portugal, Lisboa, 16 de Maio de 1901, pp.125-126- Tb. In Vimaranense, Guimarães, 5 de Maio de 1917, p.1. Retirado do livro A Pedra ainda espera dar flor, dispersos. Raul Brandão (Organização Vasco Rosa).
Sonhos
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| Dreams de Sten Erland Hermundstad (imagem You Tube) |
Quanto vale um sonho? Quando custa perder um sonho? E os sonhos todos juntos quanto valem? E perdê-los todos num só dia? E abrir mão deles podemos? Há dias em que podíamos muito bem construir todo um universo à volta deles?A música contribui para esse edifício onírico à volta dos sonhos de olhos abertos.Sonhos que permitem que absorvemos o ar todo do mundo, a respiração dos pequenos gestos quotidianos, o esplendor da vida que ao nosso lado se agita. Por isso quando sonhamos sabemos que há sonhos que são unicamente nossos, que nada nem ninguém nos consegue tirar...
sábado, 7 de maio de 2016
Chet Baker
Amarga
coincidência essa de te fotografarem
sentado no
peitoril de uma janela tocando
trompete e o
modo como morreste. A toada
limpa e
morna que se ouvisse se tocavas para alguém
para a
cidade ou apenas para a noite são perguntas
com tanto de
inútil como de impossível de responder.
Permanece o
forte tempero de ironia de que
o jazz é
composto esse sorriso à dor uma forma
de unir tudo
o que na vida é fuga.
Agora só
essa toada de bicho nocturno confirma isso
a ironia a
fotografia a forma como morreste e quem sabe
um engano
que levasse o tempo de uma queda
de um corpo
da janela ao chão da rua.
António Amaral Tavares
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Fazendo 106
Saiu a edição nº106 do boletim cultural FAZENDO(https://issuu.com/fazendofazendo),
mais uma vez em formato online e versão impressa. Ao todo são quinhentos
exemplares impressos na Tipografia Telégrafo, na cidade da Horta, Ilha do Faial.
Em oito anos de publicação, já lá vão 106 números distribuídos e espalhados
pelas mesas e lares das ilhas açorianas. Nos últimos tempos chega com sucesso
(e de forma aérea e voluntária!) a cinco ilhas: Faial, Pico, Terceira, São
Miguel e Santa Maria. É, desde o primeiro número, livre, gratuito, independente
e comunitário. É a experiência participada, informativa, livre e autónoma mais
bem sucedida nos tempos mais recentes em todo o arquipélago açoriano. A
direcção deste boletim cultural é pertença do Tomás Melo e da Aurora Ribeiro. E
todos os anos a revista altera o seu grafismo, renova a constituição dos seus
conteúdos, não incluindo qualquer forma de publicidade comercial. Não há
memória de nada assim ousada e tão longeva, essencialmente com estas particularidades
na história das revistas/jornais nos Açores. Curioso também é o facto de não
estar sob a alçada de qualquer instituição governamental ou poder
político.
A edição de Maio do FAZENDO traz consigo a capa do
fotógrafo Jorge Barros que continua a fotografar as ilhas e os açorianos de forma
sensível e irrepreensível. Caso mesmo para dizer: “Baleias de Barbas e
Baleeiros de Bigode”. Há, portanto, no seu interior muitos artigos para ler e
fruir nesta Primavera com muito pólen no ar e muitas águas vivas a chegar. Boas
leituras! Eis a edição online:https://issuu.com/fazendofazendo/docs/106_zen_impress__o/1
Satie 150 no Teatro Micaelense
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| Joana Gama por Eduardo Brito |
Erik Satie“Sonneries de la Rose +
Croix (Air du Grand Prieur)
John Adams“China Gates”
Erik Satie“Gnossienne n.º1”
Carlos Marrecos“Três Prelúdios Sobre o Mar”
Erik Satie“Gymnopédie n.º1”
Arvo Pärt“Für Alina”
Erik Satie“Embryons Desséchés”
John Cage“Dream”
Erik Satie“Sonatine Bureaucratique”
Alexander Scriabin“Vers la Flamme”
Erik Satie“Cinéma”
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Erik Satie: o Peripatético!
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| Cartaz em serigrafia de Luís Henriques |
Erik Satie nasceu há 150 anos na Normandia e viveu uma boa parte da sua vida em Paris, falecendo na capital francesa em 1925. As suas composições musicais ficaram conhecidas mundialmente pelo seu minimalismo e simplicidade. Os que privaram com ele disseram que ele era excêntrico e irreverente. Cultivava a poesia, o desenho de caricaturas (inclusive de si próprio) e o esoterismo. Coleccionava guarda-chuvas e cachecóis, pois tinha pouco apreço pelo sol. Foi na cidade das luzes que trocou a Montmartre por um quarto modesto na periferia industrial da urbe parisiense. Na sua biografia constam nove quilómetros diários de dar à sola para tocar. Esteve apaixonado por uma única mulher ao longo da vida: Suzanne Valadon. A pianista Joana Gama aborda a sua vida e obra às 18 horas do no Conservatório de Música de Ponta Delgada. Amanhã há filmes relacionados com este compositor e na sexta há recital pela pianista.
terça-feira, 3 de maio de 2016
O Direito à Cidade
(…)“Encontramo-nos perante cidades onde o consumo é
o motor principal das acções urbanísticas. A consequência é a proliferação de
espaços de segregação cultural e económica, que afastam a população da
realidade urbana, e fazem com que as cidades se pareçam umas com as outras. Os
processos de gentrificação e turistiificação são alguns dos motores desta
segregação.
O aumento do turismo provoca grandes expectativas
em termos de desenvolvimento económico, mas coloca também a questão dos
recursos a afectar à conservação e revitalização dos centros históricos. Na
maioria dos casos, as cidades, por causa da pressão exercida pela indústria
turística, transformam-se em imagens estereotipadas, ou têm de se adequar ao
mercado internacional.
Ao mesmo tempo, os processos de gentrificação e
turistificação provocam o deslocamento mais ou menos voluntário das populações
locais, colocando em causa o direito à cidade.
A visão teórica da reabilitação na óptica da
valorização do património para todos, salvaguarda a diversidade cultural e de
um desenvolvimento sustentável permanece na agenda do dia. Porém, as dinâmicas
económicas e as transformações urbanas daí resultantes têm vindo a comprometer
a coesão socioeconómica e territorial.
Fabiana Pave in “Gentrificação e
Turistificação: o Caso do Bairro Alto em Lisboa”; Le Monde Diplomatique, Abril de
2016.
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