sexta-feira, 13 de maio de 2016

Una Donna...

Una Donna in Vacanza è bella

Una donna in vacanza è bella
Porta il calendario incerto della bellezza
E i principi disciplinati della passione
A volte a mezzogiorno sulla sabbia si risveglia
L'orologio biologico delle frasi calcolate

Una donna in vacanza è bella
Una donna in vacanza è troppo bella
Racconta storie incredibili, improbabili
Nasconde la schiuma come onde all'alba
E, infine, conserva la cera che brucia durante gli addii.

Una Donna Arrabbiata è Bella

Una donna arrabbiata è bella
Assorbe fiele come onde agitate
Nasconde scatti di luminosità e di calma
Riconosce il piccolo dolore e il grido
Accumula incisioni e forte riluttanza
Incoraggia l'esistenza senza paura
la casa accesa e la fortuna dovuta

Una donna arrabbiata  è bella
Una donna arrabbiata è troppo bella
Impaziente conserva nella memoria le risate
Rischia dall'alto della luce sovrastante
Si prende cura della paura senza rivelare la storia
Dialogo continuo tutta la notte  
E si rafforza nei sogni reticenti
allontanandosi dall'eccessivo  trambusto.

-Versões de "Uma Mulher em Férias é Bonita" e "Uma Mulher em Fúria é Bonita" vertidas para a língua de Dante com a colaboração de Eva Giacomello. 

Regras do Jornalismo

    “Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Carlos Santos Silva e José Sócrates teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável. Mas nunca, desde novembro de 2014, fui questionada, por qualquer dos media que, aos longo de quase ano e meio, me tentaram implicar no caso, sobre o que eu sabia. Nem um pedido de esclarecimento, de entrevista, um questionário. Nada. Como interpretar isto? As regras do Jornalismo (se quisermos fingir que achamos que certos órgãos praticam jornalismo) são claras quanto à obrigatoriedade de ouvir as partes interessadas.”

Fernanda Câncio, revista Visão, 9 de Maio de 2016

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Jorge Kol na Galeria Miolo

exposição de fotografia "Uma Mancheia de Circunstâncias de Independência",  de Jorge Kol de Carvalho, abre hoje ao público, quinta-feira, pelas 18 horas, na Galeria/Editora Miolo, na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel. Trata-se de um conjunto fotografias que tem como referência uma parte recente da História dos Açores, mais concretamente os movimentos autonomistas e independentistas que se lhe seguiram, essencialmente no pós-25 de Abril de 1974. As fotografias, todas elas com a presença de um busto de um homem com a mão ao alto, sob o signo do discurso de independência, mostram essa imagem espalhada por vários lugares: paredes de casas, edifícios oficiais, casas particulares, muros brancos, materiais públicos, etc. O fotógrafo interroga de forma apelativa e estética o discurso revolucionário contido na imagem principal bem como os códigos citadinos associados associados à sua representação. Jorge Kol apresenta-nos uma crítica mordaz e irónica e, por isso, dialoga muito bem e de forma bastante inteligente, com os lugares de todos os dias, evidenciando um campo aberto de perspectivas e sentidos para nos re(vermos) e pensar (mos). A ver e visitar até dia 3 de Junho.

"Fome de Vento" de Medeiros/Lucas (com Tó Trips e Filho da Mãe)

Primeiro tudo é boca
E dela o trago sorvido

Depois o mundo cresce
E nasce o sonho vivido

De pés e mãos andantes
O corpo quer ser vivido

Depois do ventre o norte
E vontade do sentido

Desde o fundo do tempo
O Homem vê-se sofrido

Depois o peito embate
E tudo se faz cumprido

No fim silêncio ouvido
E nele o jogo vencido.

Letra de João Pedro Porto

quarta-feira, 11 de maio de 2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

"Maio" de Raul Brandão

      "Já rebentaram as fontes. Toda a terra se agita, viva, dentando cá fora o seu sonho. Dir-se-ia que sob o chão que pisamos correm rios de tinta que transbordam, subindo nos troncos, cobrindo-os de roxo, de branco, de púrpura e verde…. Vai por esse mundo um deboche de cor. As plantas aparecem-nos na mais linda toilette, os bichos vestem as suas roupas mais ricas. Não há princesa na terra que possua tão maravilhosos tecidos, sedas, oirescências, desenhos, aplicações de igual beleza e juntamente de fragilidade tamanha…. Vi ontem uma vespa a passear numa pétala de rosa…. Tinha caído um desses aguaceiros de Primavera rápidos e precipitados – mas logo o céu correu a jorros, dourando a terra.
(…) O português, que é sempre um poeta, tem esta falha – não ama as flores. Em qualquer canteiro se podem criar obras de prodígio; a mais mesquinha terra é fácil de converter-se em sonho. Pois vê-la-eis estéril e abandonada. Há neste doce país o desprezo da flor – a não ser que ela se possa trocar em moeda corrente. Não é raro vermos numa praça pública abater-se sem protesto uma árvore. É até vulgar!.... Quando uma árvore começa a ser bela, esgalhada e enorme, cheia de ruídos e de sombra, surge o vereador e corta-a, sem imaginar, sequer, que mais vale um simples e humilde plátano do que um conselheiro de Estado. O político é inútil…. Faz mais diferença à natureza o assassinato de uma grande árvore, que dá sombra e frescura, que a alta missão de purificar a atmosfera, do que a morte de meia dúzia de conselheiros de Estado gravíssimos e calvos. Perdoem-me!...
Ah sim! Maio, não era? Era de Maio que eu vinha falando?.... Já rebentaram novas fontes e não há valado, carreiro de aldeia onde não cresçam lírios selvagens, lindas florinhas graciosas e humilíssimas…. As raparigas cortam-nas, enfeitam com elas os cabelos e os seios – e riem, coram, se as olhamos. Só na cidade não há flores. Ontem, ao entardecer, deparei na rua com este caso enternecedor e banal. Nem já se diferenciavam as ressequidas. Uma triste rapariguinha que passava, descalça, de saia rota e cabelos ao vento, apanhou-as da poeira. Sacudiu-as e pondo-as no peito, partiu a cantar numa satisfação imensa, alegre como um pássaro.
Era decerto condão das flores – mas também de Maio que chegou, com a sua magia e o seu sonho. Rebentaram novas fontes, e a terra di-la-eis agitada e viva. Sob o chão que calcamos correm rios de tintas que transbordam e cobrem de árvores de roxo, de púrpura, de verde."

in Brasil-Portugal, Lisboa, 16 de Maio de 1901, pp.125-126- Tb. In Vimaranense, Guimarães, 5 de Maio de 1917, p.1. Retirado do livro A Pedra ainda espera dar flor, dispersos. Raul Brandão (Organização Vasco Rosa).

Sonhos

Dreams de Sten Erland Hermundstad
(imagem You Tube)
          Quanto vale um sonho? Quando custa perder um sonho? E os sonhos todos juntos quanto valem? E perdê-los todos num só dia? E abrir mão deles podemos? Há dias em que podíamos muito bem construir todo um universo à volta deles?A música contribui para esse edifício onírico à volta dos sonhos de olhos abertos.Sonhos que permitem que absorvemos o ar todo do mundo, a respiração dos pequenos gestos quotidianos, o esplendor da vida que ao nosso lado se agita. Por isso quando sonhamos sabemos que há sonhos que são unicamente nossos, que nada nem ninguém nos consegue tirar...

sábado, 7 de maio de 2016

Chet Baker

Amarga coincidência essa de te fotografarem
sentado no peitoril de uma janela tocando
trompete e o modo como morreste. A toada

limpa e morna que se ouvisse se tocavas para alguém
para a cidade ou apenas para a noite são perguntas
com tanto de inútil como de impossível de responder.

Permanece o forte tempero de ironia de que
o jazz é composto esse sorriso à dor uma forma
de unir tudo o que na vida é fuga.
Agora só essa toada de bicho nocturno confirma isso

a ironia a fotografia a forma como morreste e quem sabe
um engano que levasse o tempo de uma queda

de um corpo da janela ao chão da rua.

António Amaral Tavares

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Fazendo 106

      Saiu a edição nº106 do boletim cultural FAZENDO(https://issuu.com/fazendofazendo), mais uma vez em formato online e versão impressa. Ao todo são quinhentos exemplares impressos na Tipografia Telégrafo, na cidade da Horta, Ilha do Faial. Em oito anos de publicação, já lá vão 106 números distribuídos e espalhados pelas mesas e lares das ilhas açorianas. Nos últimos tempos chega com sucesso (e de forma aérea e voluntária!) a cinco ilhas: Faial, Pico, Terceira, São Miguel e Santa Maria. É, desde o primeiro número, livre, gratuito, independente e comunitário. É a experiência participada, informativa, livre e autónoma mais bem sucedida nos tempos mais recentes em todo o arquipélago açoriano. A direcção deste boletim cultural é pertença do Tomás Melo e da Aurora Ribeiro. E todos os anos a revista altera o seu grafismo, renova a constituição dos seus conteúdos, não incluindo qualquer forma de publicidade comercial. Não há memória de nada assim ousada e tão longeva, essencialmente com estas particularidades na história das revistas/jornais nos Açores. Curioso também é o facto de não estar sob a alçada de qualquer instituição governamental ou poder político. 
A edição de Maio do FAZENDO traz consigo a capa do fotógrafo Jorge Barros que continua a fotografar as ilhas e os açorianos de forma sensível e irrepreensível. Caso mesmo para dizer: “Baleias de Barbas e Baleeiros de Bigode”. Há, portanto, no seu interior muitos artigos para ler e fruir nesta Primavera com muito pólen no ar e muitas águas vivas a chegar. Boas leituras! Eis a edição online:https://issuu.com/fazendofazendo/docs/106_zen_impress__o/1

Satie 150 no Teatro Micaelense

Joana Gama por Eduardo Brito
Erik Satie“Sonneries de la Rose + Croix (Air du Grand Prieur)
John Adams“China Gates”
Erik Satie“Gnossienne n.º1”
Carlos Marrecos“Três Prelúdios Sobre o Mar”
Erik Satie“Gymnopédie n.º1”
Arvo Pärt“Für Alina”
Erik Satie“Embryons Desséchés”
John Cage“Dream”
Erik Satie“Sonatine Bureaucratique”
Alexander Scriabin“Vers la Flamme”
Erik Satie“Cinéma

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Erik Satie: o Peripatético!

Cartaz em serigrafia de Luís Henriques
          

         Erik Satie nasceu há 150 anos na Normandia e viveu uma boa parte da sua vida em Paris, falecendo na capital francesa em 1925. As suas composições musicais ficaram conhecidas mundialmente pelo seu minimalismo e simplicidade. Os que privaram com ele disseram que ele era excêntrico e irreverente. Cultivava a poesia, o desenho de caricaturas (inclusive de si próprio) e o esoterismo. Coleccionava guarda-chuvas e cachecóis, pois tinha pouco apreço pelo sol. Foi na cidade das luzes que trocou a Montmartre por um quarto modesto na periferia industrial da urbe parisiense. Na sua biografia constam nove quilómetros diários de dar à sola para tocar. Esteve apaixonado por uma única mulher ao longo da vida: Suzanne Valadon. A pianista Joana Gama aborda a sua vida  e obra às 18 horas do no Conservatório de Música de Ponta Delgada. Amanhã há filmes relacionados com este compositor e na sexta há recital pela pianista.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Direito à Cidade

(…)“Encontramo-nos perante cidades onde o consumo é o motor principal das acções urbanísticas. A consequência é a proliferação de espaços de segregação cultural e económica, que afastam a população da realidade urbana, e fazem com que as cidades se pareçam umas com as outras. Os processos de gentrificação e turistiificação são alguns dos motores desta segregação.
O aumento do turismo provoca grandes expectativas em termos de desenvolvimento económico, mas coloca também a questão dos recursos a afectar à conservação e revitalização dos centros históricos. Na maioria dos casos, as cidades, por causa da pressão exercida pela indústria turística, transformam-se em imagens estereotipadas, ou têm de se adequar ao mercado internacional.
Ao mesmo tempo, os processos de gentrificação e turistificação provocam o deslocamento mais ou menos voluntário das populações locais, colocando em causa o direito à cidade.
A visão teórica da reabilitação na óptica da valorização do património para todos, salvaguarda a diversidade cultural e de um desenvolvimento sustentável permanece na agenda do dia. Porém, as dinâmicas económicas e as transformações urbanas daí resultantes têm vindo a comprometer a coesão socioeconómica e territorial.
Fabiana Pave inGentrificação e Turistificação: o Caso do Bairro Alto em Lisboa”; Le Monde Diplomatique, Abril de 2016.