Pero no te olvides, por favor
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
sábado, 31 de janeiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Desenho Guia de Sara Chang Yan
Do Poder
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Guarda Rios
dentro de nós
O Céu, a Terra, o Vento Sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...
O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
que não pode ser mais que nomeado.
Do Prazer
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Postal para W.H
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| Autor: isla.art.açores |
Foram muitos filmes, cerca de três dezenas, quase todos eles ligados a estas paisagens reconhecíveis. Dez minutos era o limite proposto com gente ligada ao cinema oriunda de todo o mundo e que aqui aportou durante nove a dez dias. As propostas iam sendo vistas pela audiência que enchia a sala. No final de cada filme, o velho cineasta alemão comentava, elogiava, apontava críticas e caminhos. O seu inglês era fluente, o discurso eloquente, firme e escorreito, a ironia expressiva. Uma honra podê-lo ouvir falar de cinema no Teatro Ribeiragrandense, mesmo que tenha dito que os cagarros se encontram extintos. Um verdadeiro acontecimento que, desconfio, pouca gente da ilha se deu conta. Era ainda muito jovem quando vi o "Fitzcarraldo" pela primeira vez naquela sala do Casino da Figueira da Foz, no seu mítico festival. Não foi preciso que ninguém me dissesse nada para pressentir a beleza e grandeza da obra de Werner Herzog, e que venceu o prémio de melhor realização em Cannes, em 1982. O filme dá conta da loucura de Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) ao edificar uma ópera em plena selva amazónica e que para isso transportou um barco a vapor por um monte, atravessando a selva para materializar esse sonho. É a paixão por Enrico Caruso que leva o protagonista a lançar-se naquela empreitada, transformando aquelas filmagens numa aventura carregada de desafios e intensidade.
Algumas décadas depois, escrevo este “postal” para um cineasta de 83 anos, ao qual nunca cheguei pensar ter esta oportunidade de ouvir falar sobre filmes de jovens cineastas, o facto de pressentir a sua cinefilia, imaginar os modos e visões do seu cinema e ainda presenciar a sua radicalidade. Agradecido, pois que fique bem claro. E, tal, como nos postais, “até um dia destes, um abraço!”
sábado, 24 de janeiro de 2026
Na Língua da Maré
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| Crónicas de mar de de mareantes Hélder Luís (Fotografia) Abel Coentrão (Texto) Mútua dos Pescadores, 2022/2023 |
Vale
a pena perceber a dimensão este projecto ambicioso que percorre a vida das colectividades
piscatórias do norte até ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira. Com texto de Abel Coentrão e fotografia de Hélder Luís é muito raro encontrarmos um trabalho tão alargado e diversificado e ainda tão bem documentado nas suas imagens.
"Na Língua da Maré – Crónicas de Mar e de Mareantes” é uma longa viagem em
torno dos conhecimentos marítimos ancestrais e que evoca o 80.º aniversário da
Mútua dos Pescadores, financiadora do projecto.
Esta obra, editada em 2022,
pretende ainda alargar todos os campos possíveis onde a cultura do mar se tem expandindo nos anos mais recentes, com referências
óbvias à ciência, investigação, inovação e turismo. Um trabalho e leitura dignas!
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Vozes de K. P. Kaváfis
daqueles que morreram, ou daqueles que
para nós se perderam como os mortos.
Por vezes falam-nos em sonhos,
por vezes ouve-as o pensamento.
E em seu som regressam por um instante
ecos da primeira poesia da nossa vida -
qual música distante, apagando-se na noite.
Sobre Gente Feliz com Lágrimas
Não me importo nada de ser o autor de Gente Feliz com Lágrimas, sobretudo agora que o reli. Não voltarei a dizer que não é o meu livro preferido. É um marco no meu percurso que me deixa orgulhoso. É a história da minha vida como ilhéu e açoriano, a história dos que, durante o salazarismo, recusaram o fechamento e saíram em busca do seu mundo.
João de Melo, entrevista a Luís Ricardo Duarte, Ípsilon, 5 de Dezembro de 2025.
Em Escuta
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Eu Cantarei de Amor Tão Docemente
por uns termos em si tão concertados,
que dous mil acidentes namorados
faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente
pintando mil segredos delicados,
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente




