quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Desenho Guia de Sara Chang Yan

Em Quietude, a Sentir o Espaço
Curadoria: João Mourão
Desenho do livro: Júlia Garcia
Edição: Arquipélago, CAC.
 

Do Poder

       Só há uma maneira de lutar contra o poder: é sobreviver-lhe.
Francois de Voltaire (1694 -1778) Citações Famosas, Miriam Martins, Notícias Editorial, 2005.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Mapa Vulcânico

in Vulcões, Araucária Edições, 2025



 

Guarda Rios

É tão difícil guardar um rio
quando ele corre 
dentro de nós

Jorge Sousa Braga, in O Poeta Nu, Assírio&Alvim, 2002.

O Céu, a Terra, o Vento Sossegado...

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
que não pode ser mais que nomeado. 

Luís Vaz de Camões, in Lírica de Camões - Antologia, Expresso, Janeiro de 2026.

Do Prazer

   "O maior prazer que alguém pode sentir é o de causar prazer aos seus amigos."
François Voltaire (1694 -1778) in Citações Famosas, Miriam Martins, Notícias Editorial, 2005.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Postal para W.H

Autor: isla.art.açores

         Aquele postal encontrado no chão de uma rua central na principal cidade insular, era o mote para nova lembrança dos filmes vistos durante a parte da manhã deste sábado invernal. Este estava ainda com o papel de embrulho e a fita-cola a cobri-lo, algumas pequenas gotas de água tinham caído sobre a cobertura, mas não foram suficientes para o danificar. Ainda aguardei algum tempo naquela rua ventosa, mas não apareceu ninguém a quem pudesse restituí-lo. Por esse motivo, alguém, provavelmente, não escreveu para quem devia naquele fim de tarde carregado de nuvens e céu cinzento.
     Foram muitos filmes, cerca de três dezenas, quase todos eles ligados a estas paisagens reconhecíveis. Dez minutos era o limite proposto com gente ligada ao cinema oriunda de todo o mundo e que aqui aportou durante nove a dez dias. As propostas iam sendo vistas pela audiência que enchia a sala. No final de cada filme, o velho cineasta alemão comentava, elogiava, apontava críticas e caminhos. O seu inglês era fluente, o discurso eloquente, firme e escorreito, a ironia expressiva. Uma honra podê-lo ouvir falar de cinema no Teatro Ribeiragrandense, mesmo que tenha dito que os cagarros se encontram extintos. Um verdadeiro acontecimento que, desconfio, pouca gente da ilha se deu conta. Era ainda muito jovem quando vi o "Fitzcarraldo" pela primeira vez naquela sala do Casino da Figueira da Foz, no seu mítico festival. Não foi preciso que ninguém me dissesse nada para pressentir a beleza e grandeza da obra de Werner Herzog, e que venceu o prémio de melhor realização em Cannes, em 1982. O filme dá conta da loucura de Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) ao edificar uma ópera em plena selva amazónica e que para isso transportou um barco a vapor por um monte, atravessando a selva para materializar esse sonho. É a paixão por Enrico Caruso que leva o protagonista a lançar-se naquela empreitada, transformando aquelas filmagens numa aventura carregada de desafios e intensidade.
       Algumas décadas depois, escrevo este “postal” para um cineasta de 83 anos, ao qual nunca cheguei pensar ter esta oportunidade de ouvir falar sobre filmes de jovens cineastas, o facto de pressentir a sua cinefilia, imaginar os modos e visões do seu cinema e ainda presenciar a sua radicalidade. Agradecido, pois que fique bem claro. E, tal, como nos postais, “até um dia destes, um abraço!”

sábado, 24 de janeiro de 2026

Na Língua da Maré

Crónicas de mar de de mareantes
Hélder Luís (Fotografia)
Abel Coentrão (Texto) 
Mútua dos Pescadores, 2022/2023

Vale a pena perceber a dimensão este projecto ambicioso que percorre a vida das colectividades piscatórias do norte até ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira. Com texto de Abel Coentrão e fotografia de Hélder Luís é muito raro encontrarmos um trabalho tão alargado e diversificado e ainda tão bem documentado nas suas imagens.  
   "Na Língua da Maré – Crónicas de Mar e de Mareantes” é uma longa viagem em torno dos conhecimentos marítimos ancestrais e que evoca o 80.º aniversário da Mútua dos Pescadores, financiadora do projecto. 
      Esta obra, editada em 2022, pretende ainda alargar todos os campos possíveis onde a cultura do mar se tem expandindo nos anos mais recentes, com referências óbvias à ciência, investigação, inovação e turismo. Um trabalho e leitura dignas! 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Vozes de K. P. Kaváfis

Vozes amadas e ideais 
daqueles que morreram, ou daqueles que 
para nós se perderam como os mortos.

Por vezes falam-nos em sonhos,
por vezes ouve-as o pensamento.

E em seu som regressam por um instante 
ecos da primeira poesia da nossa vida - 
qual música distante, apagando-se na noite.
(1904)

in Aquele Belo Rapaz - Poesia Completa, Assírio & Alvim, Novembro de 2025.

Verso dos Capitão Fausto

 É sempre possível continuar a fingir 

Sobre Gente Feliz com Lágrimas

       Não me importo nada de ser o autor de Gente Feliz com Lágrimas, sobretudo agora que o reli. Não voltarei a dizer que não é o meu livro preferido. É um marco no meu percurso que me deixa orgulhoso. É a história da minha vida como ilhéu e açoriano, a história dos que, durante o salazarismo, recusaram o fechamento e saíram em busca do seu mundo. 

João de Melo, entrevista a Luís Ricardo Duarte, Ípsilon, 5 de Dezembro de 2025.

Em Escuta

    Will  Butler lançou “Policy” em 2015, o primeiro álbum de originais. Will, quase sempre apresentado por ser o irmão mais novo do vocalista dos Arcade Fire, Win Butler, é dado a improvisações e outras liberdades criativas, sendo também conhecido por tocar guitarra, baixo, percussão. Seis anos depois deste disco, deixaria os Arcade Fire em 2021, para se dedicar a vários projectos, tendo editado o seu terceiro disco de originais, “Sister Squares”, em 2023. Deste primaveril e debutante “Policy”, ficam no ouvido canções como “Take My Side”, uma rockalhada irónica e divertida, “Anna”, tema de fácil e alegre trauteio, a balada sentimental “Finish What I Started” ou a sentimental "Sing To Me". Este disco é música pop de valor acrescentado e  vale bem uma audição repetida e partilhada. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Eu Cantarei de Amor Tão Docemente

Eu cantarei de amor tão docemente
por uns termos em si tão concertados,
que dous mil acidentes namorados 
faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente 
pintando mil segredos delicados, 
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente
 

Camões in Lírica Camões - Antologia, Expresso, dia 19 de Dezembro de 2026.