sábado, 20 de maio de 2023

Verso de Tim Bernardes e Rodrigo Amarante

 No arco do olho entre os cílios do sol, pavão 

"Que Lugares Queremos Criar?" no CAC

           
Teresa Oliveira e Beatriz Barbosa 
Foram apresentados, nesta última quinta-feira, o mural e o fanzine elaborados pela turma do 10ºD, alunos da Escola Secundária da Ribeira Grande, sob a orientação do artista plástico, André Laranjinha, inserido no projecto - "Que Lugares Queremos Criar?", proposto ao longo de oito meses pelo serviço de mediação do Arquipélago, Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande.

      Esta mediação do Centro de Artes Contemporâneas e as escolas visa sobretudo a criação e fidelização de novos públicos tão necessários à afirmação e consolidação deste espaço na região e no lugar onde está inserido. Como aproximar o público local da dita arte contemporânea? Esta e outras questões tornam-se de tal modo pertinentes que tem levado a uma relação dinâmica e assídua com o público mais jovem oriundo das escolas ao mesmo tempo que estabelece uma relação de compromisso e valorização do ensino e da educação pela arte nas circunstâncias e contexto existentes.
       Desta feita, o resultado deste encontro com André Laranjinha e os alunos da Escola Secundária da Ribeira Grande pode ser apreciado  num mural à entrada do edifício assim como a materialização de um fanzine que reúne uma súmula profícua e estimulante de trabalhos relacionados com o desenho, a colagem, a pintura, num conteúdo em que se misturam sonhos, desejos, desabafos poéticos ou mesmo gritos interiores.

Matilde Gonçalves e Matilde Pacheco 
  Aproveite-se, assim, para saudar mais esta iniciativa, sobretudo o lançamento deste objecto gráfico por uma geração pouco ou nada habituada a estas andanças  - vive nas redes digitais – e, certamente,  pouco ou nada dada a manuseamentos gráficos e disposições visuais, o que pode ser despertador de algum entusiasmo e curiosidade num futuro próximo. Por tudo isso, os mais que justos parabéns aos corajosos autores e autoras assim como aos promotores e facilitadores  desta importante iniciativa.

Fanzine: A Viagem

Fanzine A Viagem 
Que Lugares Queremos Criar?
CAC (Centro de Artes Contemporâneas, Arquipélago)
num projeto com alunos da ESRG e André Laranjinha

Da Pobreza

        “Não gosto da narrativa de que Portugal é e sempre será um país de pobres porque me parece existir nela um conformismo que me recuso a aceitar. Mas é inegável que, de alguma forma, a pobreza nos moldou o carácter. Fingir que não é verdade e que nunca aconteceu é o pior que podemos fazer pelos que nos antecederam, por nós mesmos e pelos que nos sucederão.
         Os avós e bisavós de Portugal caminharam na escuridão para que hoje pudéssemos ter luz. E depois transformaram-se num bosque com árvores como as do quintal do homem da história. Cada um deles está vivo nas raízes que nos prendem profundamente à terra. Ignorar isso é ignorar um país. Ignorar isso é ignorar quem somos.”  
                                                                         
                                            Carmen Garcia, in Raizes, Público, 30 de Abril de 2023.

Thanks, Andy Rourke!

Andy Rourke  (17-01-1964 -19-05-2023)
                     (à esquerda dos The Smiths)

Almanaque Emocional

          
in"Wether There Be Shine or Gloom"
Susana Aleixo Lopes
(Centro de Artes Contemporâneas, Arquipélago)
     Francisco Afonso Lopes elaborou um Almanaque Emocional, no fundo um "guia prático para o cultivo de sentimentos e afetos", editado enquanto programa paralelo de "Wether There Be Shine or Gloom", exposição da artista plástica Susana Aleixo Lopes, que teve lugar no Centro de Artes Contemporâneas, Arquipélago.
           No interior deste almanaque há leituras e chispas para todos os gostos e feitios. Há, por isso, o "Canteiro da Poesia", o "Pluviómetro Sonoro", o "Suplemento para Estaquia", a "Publicidade Institucional" e ainda uma curiosa "Homenagem Póstuma", onde reza o seguinte: "Encham-me de palha e deixem-me embalsamado no Museu Carlos Machado".
          Por variadíssimas razões, aconselhamos a aquisição deste Almanaque Emocional, pois trata-se de uma divertida pedrada no charco na modorra sentimental e apatia cultural e afetiva em que mergulhamos no pós-pandemia. Estamos todos muito carentes destes almanaques predicativos, sobretudo destas hilariantes desconstruções dos modos e usos da vivência insular. Haja, portanto, gente que queira ler e desfrutar do prazer da sua leitura.