quinta-feira, 27 de março de 2025

Dia Mundial do Teatro no Teatro Micaelense

        Foram três representações de teatro escolar no Teatro Micaelense para  celebrar o Dia Mundial de Teatro. Durante duas horas circularam pelo palco os alunos das escolas secundárias Antero de Quental, Domingos Rebelo e da Escola Secundária de Lagoa. 
         A sessão começou com vários quadros da emigração micaelense, a inspiração foi a pintura "Os Emigrantes", de Domingos Rebelo, 1925, com os alunos da Antero de Quental a recriar situações de partida e procura de novos horizontes protagonizados por todos aqueles que um dia deixaram o território insular.Seguiram-se os telemóveis, seu uso e abuso, em modo ruidoso e aditivo, a possível reprodução dos seus efeitos e consequências na juventude hodierna, numa proposta dos alunos da Domingos Rebelo. Por último, a fantasia, sonho e poesia de Sophia de Melo Breyner, através do texto "A Menina do Mar", numa interpretação competente e segura pelo grupo "A Faísca", da Escola Secundária de Lagoa! Foi, sem qualquer dúvida, uma bela manhã de teatro a celebrar a arte de Talma.

Obrigado, José Brandão!

José Brandão
Designer 
1944-2025
 

quarta-feira, 26 de março de 2025

Os Pássaros Nascem na Ponta das Árvores

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se dá bem na poesia
 
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo, in O Homem de Palavra(s), 1969

segunda-feira, 24 de março de 2025

domingo, 23 de março de 2025

O Limite de Elio Pecora

 Ficar aqui, nas estações que mudam,
é a norma comum: o dom extremo e a saída,
A quem galgou o limiar não é dado voltar:
talvez tão só no sonho diga palavras soltas
demasiado parecidas com estas dos nossos percursos.
E seguimos absortos, às vezes surpresos,
cada espera é um jogo,
cada dúvida o encalhar de uma deriva,
e damos números aos dias,
pés aos desejos,
confins ao vaguear
-desprovidos de mapas, desconhecendo o porto.


in Poemas Escolhidos, tradução de Simonneta Neto, Quasi Edições, 2008

Verso de Filipe Furtado

 E se houvesse amanhã era um sol mais lindo

sábado, 22 de março de 2025

...

Mais do que uma vez 
atravessei a Primavera 
com os olhos fechados 

Jorge Sousa Braga, in O Poeta Nu (Poesia Reunida) Assírio&Alvim,2007

No Meu País de Sebastião Alba

No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
só há estâncias
(de veraneio) na poesia
Nossos lábios
a um metro e setenta e tal
do chão amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio
Nossos lábios outonais, digo,
outonais doze meses
No entanto
à flor do possível
geografia
um frémito cinde
as estações do ano

A Constante Cosmológica do Amor

 A flor que pela Primavera se abre para logo fenecer 
o olho múltiplo da mosca pousado nas tripas
do soldado escentrado por uma mina
a estrada que saindo de Azambuja passa em Vale do Paraíso
a fome do leão no pescoço da gazela
um berçário de estrelas na nebulosa de Andrómeda 
as juras dos namorados numa ponte de Paris 
o poema quase perfeito que escrevi num dia de sol
-tudo o que existe pelo amor de existir 
e une fenómenos com cauda de cometa
é da ordem dos segredos e pertence à classe do silêncio

Inútil procurar a fonte dessa evidência numa metáfora

Paulo Ramalho, in Órbitas Elípticas em Torno do Silêncio, Letras Lavadas, 2024. 

Artistas na Fábrica

     

       "Os miúdos eram enrugados, eram enrugados como eu hoje...Miúdos muito enrugados...Porque eles faziam também a desenforma. A desenforma tirava-lhes a água do corpo, desidratavam...Gostei muito daqueles miúdos..."

Tereza Arriaga, 2005

       in "Artistas na Fábrica",  exposição patente no M(i)mo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, aberta ao público até ao final de Junho deste ano. 

*Elas estão presentes aqui e agora

           "Trabalho": Dá prioridade a uma iconografia feminina marcada pela expressão do esforço ou pelo desgaste que tal esforço produz: este núcleo não esconde a relação da mulher com a maternidade, incluindo ainda o raro registo das vítimas do trabalho infantil que Tereza Arriaga (1915-2013) desenvolveu na Marinha Grande em 1945, com retratos dos meninos operários da indústria vidreira." 

          in"Onde Estão Elas? - Mulheres Artistas no Museu do Neorealismo", *artigo de José Luís Porfírio, Revista Expresso, dia 21 de Março de 2024.