segunda-feira, 14 de março de 2016

Chegou a Primavera

           (...) Chegou a Primavera. O vale de lágrimas que se espraia à frente da minha janela volta ao verde e floresce. A relva viçosa cobre o chão, esconde lixeiras e a geena tranforma-se no vale de Saron onde crescem, além dos lírios, lilases, rubínias e paulownias.
           Sinto uma tristeza de morte mas o riso alegre das raparigas que brincam, invisíveis, debaixo das árvores, toca-me o coração e desperta-me para a vida. E a vida corre, e a velhice aproxima-se; mulher, filhos, lar, tudo foi devastado. Outono por dentro, Primavera por fora. (...)

August Strindberg (1849-1912) in Inferno (tradução de Aníbal Fernandes)

domingo, 13 de março de 2016

Memória

        “Mnemósine. Mnemósine é a personificação de Memória. É filha de Urano e Geia, e pertence ao grupo das Titânides. Zeus uniu-se-lhe, em Piéria, durante noites seguidas, e, um ano depois, ela deu-lhe nove filhas, as Musas. Havia uma fonte “de Memória” Mnemósine), diante do oráculo de Trofónio.”

Pierre Grimal in Diccionário da Mitologia Grega e Romana, Difel-Difusão Editorial. 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Ontem, escrito numa parede da cidade

         Aproxima-se a Primavera de calendário, constatou o jovem poeta que gostava do cheiro de flores. Entusiasmou-se e vestiu os calções. Passou também a usar camisas de manga cava.

Noites de Poesia

Fotografia: Bruno Gaudêncio

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dead Combo e Tremor:Há Muita Música na Cidade Insular

Dead Combo no Teatro Micaelense
A música irá invadir as ruas e os palcos da cidade de Ponta Delgada na próxima semana. Os portugueses Dead Combo tocam já no sábado, dia 12 de Março, pelas 21h30, no Teatro Micaelense. À semelhança do primeiro disco dos Madredeus e todos os registos sonoros de Carlos Paredes, as cordas dos Dead Combo tornaram-se facilmente identificáveis aos primeiros acordes, denunciadoras de arrebatamento, entrega e paixão. A dupla Tó Trips e Pedro Gonçalves, mais o conjunto de cordas, tudo farão para tornar mais este momento inesquecível.

Cartaz do Tremor 2016
Alguns dias depois, chegará o “Tremor”, uma mostra que dará a ver cinquenta concertos espalhados por escolas, lojas comerciais, salas de espectáculos, espaços institucionais, igrejas, e até numa casa particular, pululando sons pelos lugares públicos e centro histórico de Ponta Delgada. Ao contrário dos anos anteriores, os concertos espalhar-se-ão por cinco dias, há inclusive residências artísticas e conta ainda com concertos surpresa em diferentes estufas. Celebre-se, portanto, a música feita em Portugal e nos Açores, dado que o evento conta com açorianos de boa cepa, casos de Zeca Medeiros, Rafael Carvalho, Medeiros/Lucas, King John, Sara Cruz, Luís Senra, entre outros. Inclusive, nesta terceira edição há música para os mais novos no dia 19, na biblioteca da Escola Secundária Antero de Quental, dia em que se produzirá o maior abalo musical, já que há música non stop que vai até altas horas da madrugada no Coliseu Micaelense. Há quem vaticine que a cidade musical não será a mesma depois deste Tremor, não só pela quantidade de espectáculos bem como pelo impacto e respectivo lastro que esta edição deixará em território insular. Os bilhetes custam 20 euros.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Fellini e Nino Rota

"A minha preferência por Nino Rota como compositor deriva do facto de ele me parecer muito próximo dos meus temas e das minhas histórias e por trabalharmos muito bem em conjunto. Não me refiro ao resultado, mas à forma como trabalhamos. Não me compete sugerir-lhe ideias musicais, porque não sou compositor. No entanto, como tenho ideias muito claras sobre o filme que estou a fazer, incluindo os pormenores, o meu trabalho com Rota faz-se exactamente da mesma maneira que a elaboração do argumento. Fico ao pé do piano a que Nino está sentado e digo-lhe exactamente o que quero. Claro que não lhe dito os temas, só posso guiá-lo e dizer-lhe aquilo que estava à procura. Na minha opinião, Rota é o mais humilde dos compositores que trabalham no cinema, porque compõe uma música extremamente funcional. Não tem a presunção de muitos outros compositores, que querem que as suas músicas sejam ouvidas nos filmes. Sabe que a música de filmes é uma coisa marginal e secundária, que não pode ocupar o primeiro plano, excepto em raríssimos momentos, e que, em geral, se deve contentar em apoiar o resto do que vai acontecendo." 


in “Fellini conta Fellini”, Livraria Bertrand, Tradução de Maria Dulce e Salvato Teles Meneses, 1974.

O Declínio do Cinema

         
"Amarcord" de Federico Fellini
"
Sou muito pessimista porque creio que o público já não tem simpatia pelo grande ecran. Mas não quero continuar a repetir as razões que seriam a causa da desafeição do público: a televisão, o medo de sair à noite, as repugnantes condições do cinema em Itália. O público perdeu o hábito de ir ver um filme porque o cinema perdeu o seu fascínio, o seu carisma hipnótico, a autoridade que outrora teve. A autoridade que outrora teve para todos nós – a de um sonho que sonhávamos de olhos abertos – desapareceu. Será possível que 1000 pessoas possam reunir-se às escuras e fazer a experiência do sonho dirigido por um único indivíduo?"

Federico Fellini - "Sou Um Grande Mentiroso - Uma Conversa com Damian   Pettigrew",Tradução de Miguel Serras Pereira, Fim de Século, 2008.

Roubo de Arte

       "E o roubo de arte é coisa séria: o quarto maior mercado negro mundial, segundo a revista Foreign Policy, depois da droga, da lavagem de dinheiro. E das armas."

João Pereira Coutinho, in Avenida Paulista, Quasi Edições (2005/2007)

terça-feira, 8 de março de 2016

segunda-feira, 7 de março de 2016

Partirás em condição de não saber

Partirás em condição de não saber
a outra já de si desconhecida hesitação
o que de ti escasso veio atesta
ínsula de segredo e fantasia
nunca leveza nem círio de traição
Desvelas um farol à distância
e é como se ao longe o mar devolvesse
a linha do horizonte sem fim à vista.

Ontem, escrito numa parede da cidade

Conheci um homem que um dia me disse:-"Uma rua não começa nem acaba, é lá que está a minha casa".

Os Poetas

           "O dinheiro está em toda a parte, mas a poesia também. O que falta são os poetas. Os produtores dizem que são poetas, é verdade, porque acreditam que têm público. Eu faço o que faço porque é só isso que sei fazer. É como se tivesse sido feito, mais ou menos penosamente, mais ou menos felizmente, para ser realizador. A vida real não me interessa."

Federico Fellini -"Sou Um Grande Mentiroso - Uma Conversa com Damian Pettigrew",Tradução de Miguel Serras Pereira, Fim de Século, 2008.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Capítulo C está Pronto!

O culminar deste projecto literário, tido inicialmente como  uma trilogia editorial, deve ser francamente saudado. Este fecho, agora concretizado, correspondeu a uma vontade genuína de dar a conhecer um leque alargado de autores, isto é, a divulgação de poetas residentes nos Açores. O Capítulo C está, portanto, pronto e reúne novamente um conjunto de poetas e poemas bastante heterogéneo, essencialmente com um lanceiro de registos poéticos para diferentes gostos, ideias e estéticas.
Esta publicação relembra também a importância e o aparecimento de espaços públicos que funcionaram como encontros semanais, quinzenais e mensais de actividades públicas de divulgação de poesia: o Poetry Slam de Ponta Delgada, as quintas de Poesia na Travessa dos Artistas ou da TASCÀ, na Rua de Lisboa.  A vantagem de reunir estes poetas e poemas terá ajudado certamente na criação de novos leitores de poesia, ainda o eventual surgimento de novas vozes poéticas, salientando-se neste impulso editorial só por si, ser portador da ideia de comunidade poética, o que não é de somenos. Fica assim fechada a trilogia editorial com a edição do Capítulos C (nada invalida que o projecto não possa crescer ainda mais). A tiragem, para cada uma das três edições, foi de 150 exemplares e contou com o preço simbólico de 2 euros. O designer Luís Andrade coordenou, organizou e fez o grafismo deste projecto apoiado pela Direcção Regional da Juventude dos Açores, através do programa "Põe-te em Cena". Esta súmula reúne assim dois poemas dos seguintes autores: Artur Falcão, Carla Veríssimo, Dalila Bettencourt, Eleonora Marino Duarte, Fernando Nunes, João Malaquias, Jaqueline Torres, José Soares, Júlio Ávila, Leonardo e Luís Augusto. Todos os pedidos dos capítulos A, B e C poderão ser feitos para: capitulospoesia@gmail.com

Ontem, escrito numa parede da cidade

O pescador ao regressar da faina diz ao filho que o mar é verdadeiramente grande mas maior é a viagem que faz quando olha para ele a partir da terra.