quarta-feira, 27 de abril de 2016

É hoje na GZDB!

"Terra do Corpo"é apresentado às 22 horas!
“Num corpo sem janela há um quarto vazio
E nele o ar circula de fio a pavio
Num corpo há um quarto vazio

Num quarto sem janela há um corpo vazio
e esse está à espera que lhe puxem o fio
Num quarto há um corpo vazio

Cuidado com o Corpo vazio
Cuidado com o Corpo vazio”


in “Corpo Vazio”- Medeiros Lucas (participação de Selma Uamusse), letra de João Pedro Porto.

terça-feira, 26 de abril de 2016

"Terra do Corpo" na Galeria Zé dos Bois

A dupla Medeiros/Lucas estreia amanhã “Terra do Corpo”, na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Depois da bonita viagem em pleno mar alto, com “Mar Aberto”, regressam a terra para medir o estado do corpo. Este disco é, sem dúvida, uma mensagem bem guardada que agora dá à costa para decifrarmos tema a tema, como quem sorve o líquido de uma garrafa. Pedro Lucas continuará a viajar com a sua guitarra baloiçante, qual Marc Ribot planante, aproveitando-se da magnífica companhia e do vozeirão misterioso de Carlinhos Medeiros.
 Está assim aguçada a curiosidade para este “Terra do Corpo” em público, o disco foi apresentado no início do mês de Abril, com letras do escritor João Pedro Porto. É tempo para ouvir como soam ao vivo:“Sina Saudade”, “Sístole”, "Safra de Gente" e o curioso tema “Corpo Vazio”, num jogo repetitivo de vozes e guitarra, desta feita com a lindíssima voz de Selma Uamusse, que também está convidada.
            Para concerto inaugural, “Terra do Corpo” promete ser mais um momento intenso e musicalmente bem composto deste navio insular, preenchido por diversos instrumentos em pano de fundo, contando ainda com os dignos restantes elementos do grupo para estas celebrações conjuntas: Ian Carlo Mendonza e Augusto Macedo

domingo, 24 de abril de 2016

Chegaram!!!

- Já pensaram em integrar as águas vivas na vossa ementa dos restaurantes locais?
-Sim, há muito tempo. O problema é que as pessoas não gostam.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Carta a Janeiro Alves num Outro Abril

Caro Janeiro Alves,

Acredito que talvez pudesse haver outro destino para cada um nós mas sei agora que isso não foi possível. Os tempos, definitivamente, mudaram. Soube há dias que Janeiro Alves mandou retirar as obras de arte da Galeria onde a nossa amiga comum, Miriam Manaia, se encontrava a expor. Dizem as línguas pérfidas e fétidas que tudo ocorreu quando o amigo Janeiro ouviu pronunciar sob a forma de eco os termos “curadoria” e “curador”. O amigo Janeiro pensou que vinha a caminho um mestre de feitiços e magia negra e, muito antes que ele desatasse a incendiar tudo o que visse, decidiu esconder e proteger as respectivas obras de arte. Dado que estamos na presença de obras bastante valiosas, o amigo Janeiro tratou imediatamente de acautelar o seu futuro e a velhice, ficando assim na posse da obra mais cotada da exposição: “Peregrinos Contemporâneos”, que se encontra já na sua posse numa cave da capital, onde vai semanalmente pôr o colesterol em ordem com um queijo limiano.
Como eu o compreendo, meu caro amigo, todos gostaríamos de ter uma velhice sossegada. Quem sabe: um país de corais e tesouros ao virar da esquina? Uma vasta planície de Camélias Sinensis na Primavera, eu sei lá?  Acredito, isso sim, que talvez pudesse ser melhor o nosso presente. Muito melhor, certamente. Tudo menos este navio que vemos diariamente em plano inclinado. Há muito afundado por ganchos refinados de piratas que agora também escrevem papéis no Hemisfério sul. Sabe, tanto como eu, que sempre que abrimos a goela para esta proferir um testemunho de esperança, cai-nos de súbito uma pevide na garganta. Por isso, demora tanto para que a semente germine e dê flor. Consola-nos, portanto, ter amigos que passam o dia inteiro à beira-mar especados. As lembranças de gente até aos corredores na casa dos pais em dia de aniversário, ou quando tínhamos avós com relógios-bússola ou mapas imaginários. Ou ainda aquele tio que esteve no Ultramar e que agora é perito em filatelia, silvicultura e monocastas.
Acredito sinceramente que talvez um dia nos devolvam o êxtase de andar por aqui. Aquele eterno orgasmo patriótico, o sorriso cândido e gentil das raparigas quando passam ou simplesmente o odor das castanhas quentes no frio de Novembro. O que é um facto é que talvez pudesse haver outro destino para cada um nós. Talvez, mas por agora o que me ocorre é simplesmente comer os filetes de peixe que se encontram neste tupperware que o meu querido amigo enviou recentemente.
  
Com elevada estima e consideração,

Doutor Mara

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sete Bicicletas

Gravura de Nuno Neves (Edições Serrote, 2012)

Ontem escrito numa parede da cidade

Gostava tanto de cinema que partiu para uma ilha. Ao fim de algum tempo, abriu um moinho gigante para mostrar filmes antigos. No final de cada filme oferecia chá de gengibre aos presentes. Conta-se que todos, sem excepção, acrescentavam mais qualquer coisa à obra que tinham visto.

sábado, 16 de abril de 2016

Carlos Medeiros na Miolo


“Periférica – Brainstorming Art”: A Centralidade de Cem Soldos!

          A Anda &Fala-Associação Cultural, em articulação com o Walk&Talk e com o apoio da EFA-European Festival Association, promoveu, no passado dia 14 de Abril, o seminário “Periférica – Brainstorming Art”, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Durante o dia foram oito as intervenções à volta das relações entre centro e periferia, incidindo a discussão sobre a emergência de um novo mapa geocultural e a criação artística contemporânea nos Açores. Parabéns, portanto, à organização por ter dado a conhecer o trabalho de Luís Ferreira, do Festival Bons Sons. Um exemplo extraordinário de como a partir de um festival de música se envolve uma pequena comunidade, dessacraliza a cultura, e faz com que esta seja alavanca e motor de desenvolvimento económico e humano!

Progresso

         “No Centro de Saúde Mental e Infantil, tínhamos dez ou onze equipas e fazia uma reunião por semana com cada uma delas, e uma vez por mês uma reunião geral com toda a gente. Essas reuniões eram às nove da manhã; das nove às onze. E as pessoas chegavam sempre atrasadas. Fiz várias coisas até que simplesmente escrevi num quadro,“Quem chegar depois da nove e dez é favor não interromper.” Começaram a ir a horas. As pessoas protestam quando é imposto, mas se for dito com jeito acabam por colaborar. E há outra coisa: a ideia do nosso governo anterior era a de que as sociedades progridem por competição. Não, as sociedades progridem por colaboração. Não é nos períodos de guerra que se fazem as grandes descobertas, é nos períodos de paz.”
          Entrevista de Carlos Vaz Marques a Coimbra de Matos, in Jornal Público, dia 21 de Fevereiro 2016.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

da Divina Comédia

Por mim vai-se à cidade que é dolente
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.

Moveu justiça o meu supremo autor:

divina potestade fez-me e tais
a suma sapiência, o primo amor

Antes de mim não houve cousas mais

do que as eternas e eu eterno duro.
Deixai toda a esperança, vós que entrais. 

Dante, excerto inserido na "História da Curiosidade", de Alberto Manguel.