sexta-feira, 6 de julho de 2018

FALTA: sob o signo da FALHA

  F A L T A é uma fanzine que foi editada nos Açores no início de Junho, em Ponta Delgada, e que reuniu contributos literários e artísticos sob o tema da falta, tendo esta edição sido realizada maioritariamente em serigrafia. Este número de abertura está quase esgotado, pois há apenas quatro exemplares (foram feitos 149) que se encontram na Galeria Brui, rua d´Agoa, 46. O número 1 da F A L T A terá como tema a Falha, pretendendo assim criar em cada edição um novo objecto.

Ontem, escrito numa parede da cidade

Quando as pessoas nos deixam de ouvir é muito triste

"Cortado por todos os Lados, Aberto por todos os Cantos" de Gustavo Círiaco

Fotografia de Fernando Resendes

            Faz agora uma semana que fui voluntário/actor no espetáculo “Cortado por todos os Lados, Aberto por todos os Cantos”, inserido na edição deste ano do Walk and Talk. Rezava assim o texto de apresentação: “Uma performance itinerante, a peça toma o teatro como uma escultura expandida, onde o lugar a partir do qual o espectador é posicionado, constrói-lhe a apreciação e imaginação”, que contou com a direcção geral de Gustavo Ciríaco. Os ensaios culminaram com duas apresentações deste trabalho nos dias 29 e 30 de Junho, no Teatro Micaelense. Depois de uma semana intensa de ensaios e preparação só tenho a agradecer à equipa do"Cortado" (Tiago Barbosa, Sara Zita Correia, Rodigo, Andreolli, Ana Trincão) o cuidado, disponibilidade e dedicação na concretização deste projecto em que tive a oportunidade de participar.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Mare: Gianni Berengo Gardin


               Labutávamos nas Oficinas de São Miguel no número inicial da fanzine FALTA quando nos deparámos com uma mala cheia de revistas da publicação alemã intitulada Mare. Entre elas o número 18 - uma edição dedicada a Veneza.  Ao folhear o referido número dedicado à cidade italiana de Veneza, “cidade estrangeira, cidade familiar”, constatámos a existência de um portefólio a preto e branco do fotógrafo Gianni Berengo Gardin. Até essa altura não o conhecíamos e perguntámo-nos quem seria? Conhecido mundialmente por ser o fotógrafo de Veneza, apesar de ter nascido na Ligúria por acaso, aí os seus pais se encontravam de férias aquando do nascimento.
                  Berengo Gardin conta hoje com 88 anos de idade e uma experiência de vida mais do que interessante. Nesta galeria nas páginas da Mare estão registos fotográficos das construções venezianas sobre o mar, as gôndolas que varrem a paisagem líquida desta cidade italiana, o Vaporetto com gente de todas as classes, os jovens clérigos passeiam pelas avenidas, outros jovens reunidos na praia do Lido  a ouvir música desde uma grafonola...tudo isto envolvido num texto a necessitar de tradutor. Demorou pouco tempo até procuramos a origem e história deste fotógrafo - agora sabemos ter dedicado um livro a esta cidade “Veneza e le Grande Navi”. Estamos fascinados com as imagens de Gianni Berengo Gardin e, por isso, gostaríamos que independente da forma, a haver o próximo número 1 da FALTA, que este estivesse presente.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Arco 8: À Flor da Pele


Já passava da meia-noite e avizinhava-se assim uma madrugada longa e preenchida de sons distintos e estimulantes. Foi, então, necessário ligar aqueles elementos musicais díspares e conectá-los pelo fio condutor do sufoco metereológico de Junho, disponibilizar os poros e membranas dum corpo musical alienígena à deriva pela noite dentro, que abarcasse a paleta musical dos Portishead, Shed Seven, Mayra Andrade, Naifa, Jens Lekman, Franz Ferdinand, Dans Le Sac Vs Scroobius, Memorie Tapes, Tindersticks, Naifa, Miguel Guia & Tó Ricciardi, Cazuza, Lou Reed, Linda Martini, O´rquestrada, Galundum Galandaina, Caetano Veloso, Bandarra, Ban, Gaiteiros de Lisboa, etc, para lá da música marroquina, maliana, cigana, cabo-verdiana, angolana, argentina, brasileira e senegalesa. Em suma, foi montada a carga sonora no seu vigor e amplificação, um grande e variado conjunto de naves musicais a confluir até à chegada da luz matinal. Enfim...sons e ritmos para sentir  e fruir à flor da pele!

domingo, 17 de junho de 2018

Revista Mare

Fotografia de Carlos Olyveira
    
         A Mare é de origem alemã e tem como director Nikolaus Gelpke e, como mera curiosidade, a directora de arte é Claudia Bock. Esta revista é a celebração em papel dessa força incrível da natureza que é o mar. É uma forma bonita de homenagearmos quem nos dá tanto (por vezes, também tira!) e que nós, à força desta civilização consumista e exploradora, lhe estamos a retirar quase tudo. À semelhança do programa televisivo Bombordo, só que desta feita em papel impresso, toda a revista é composta por temas marinhos e imagens, tanto no fundo como à superfície dos oceanos ou mesmo das actividades que subsistem do mar. E como é entusiasmante  e auspicioso percorrer as suas páginas e encontrar o portefólio de fotógrafos como Gianni Berengo Gardin, Yukihiko Otsuka, Sergio Larraín, as ilustrações de Nyoman Suarsa, as pinturas de T. Lux Feininger ou ainda os poemas de Conrad Ferdinand Meyer. Um luxo para os olhos e ainda uma preciosidade maior quando se sabe que os proprietários das respectivas as quiseram despachar  para que pudessem encontrar novos e diferentes leitores.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Eterno Retorno

“Todo o prazer da vida está fundado sobre o retorno dos objectos exteriores. A alternância do dia e da noite, das estações, das flores e dos frutos, e de tudo o que vem até nós nos períodos fixos, de que nós podemos gozar, eis os verdadeiros impulsos da vida terrestre.”
 Goethe

terça-feira, 12 de junho de 2018

Corpo Triplicado de Maria Brandão


                  Sentido Único


            Na minha casa não há roupa fora de uso, fotografias antigas, recordações de viagens, revistas desbotadas, recortes de jornais, bilhetes de amor, recibos de compras, artigos decorativos, vasinhos de plantas ou animais de estimação. Livro-me de coisas inúteis como me livro dos amigos hipócritas e dos amantes incompetentes. Sem remorso e sem saudade.

Maria Brandão, Edição Companhia das Ilhas, 2018.