terça-feira, 12 de julho de 2022

"O Rei da Ítaca" de Sophia de Mello Breyner

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão
Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

FALTA#5: FAUNA e FLORA!

Aqui: https://www.facebook.com/fanzinefalta/
Rodeados de mar e água por todos os lados, imersos na natureza verdejante, seria mais do que previsível uma edição da FALTA dedicada à FAUNA e FLORA! Será uma edição conceptual conjunta porque, à semelhança das artes que se misturam, é tempo de criar sínteses, estabelecer diálogos e fomentar novamente a diversidade. É uma edição estival com previsão de saída para o  Outono!

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Da Emigração

       "Ninguém sai do seu país sem uma razão. Ou porque fomos maltratados, como acontece em muitas ditaduras; ou porque se é extremamente pobre. As razões são sempre muito fortes. Não acredito que ninguém vai por turismo. Jamais sairia da Grécia se conseguisse construir lá familia."

Theodor Kallifatides, in Público, 3 de Julho de 2022. 

sábado, 2 de julho de 2022

Da Luz

     A maior parte da vida do Planeta precisa de luz, a maior parte do peixe depende do fundo e, nos Açores, temos muito pouco fundo com luz. Estes frágeis paraísos da vida marinha, povoados por espécies únicas. são ricos pela biodiversidade, mas muito pobres na quantidade, em parte por possuírem uma área de águas pouco profundas."

Luís Rodrigues, in "Pescar em terra que o mar não quis", Açoriano Oriental, 27 de Junho de 2022.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

quarta-feira, 29 de junho de 2022

"Amoras" de Sophia de Mello Breyner

 O meu país sabe a amoras bravas no
Verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
Mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Verão

Fotografia de Tânia Neves dos Santos 
 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

"Ordem (III)" de Manuel Fernando Gonçalves

Ouvir-te, em casa, quando dizes:
reconheço esta palavra,
foi nesta rota, a meio, perto
de um campo de açucenas, que me faltaste, 
regressar só é possível se o coração recolhe
outro nome. Nesta divisão permanecem,
nítidos, os meus amigos de lá.

in CAOS, frenesi edições, Novembro de 1987

terça-feira, 21 de junho de 2022

Sobre a Falta

     "Uma coisa fique clara: o espanto liga-se ao desejo, não às necessidades. Caímos frequentemente na tentação de pensar que necessidades e desejos talvez não sejam argumentos diferentes, já que refletem a mesma experiência: a da falta. Porém, entre ambos, como explicou Jacques Lacan, existe uma diferencça insuperável: é que "o desejo não tem objecto". A posse de um objecto satisfaz uma necessidade, mas o desejo é de outra ordem. O sujeito sabe o que deseja, mas não sabe o que deseja. O desejo é a forma de existência de um sujeito que é em si mesmo falta. Emerge em nós como percepção profunda de que somos lacuna (ou, na precisa definição de Lacan, de que somos um "aparato lacunar"). Por isso, mais do que oferecer-nos uma flecha, o desejo destapa em nós uma ferida. É uma força que atua por esvaziamento. O desejo desarma-nos primeiro para que possa acontecer o espanto."

José Tolentino Mendonça, in Revista do Expresso, 17 de Junho 2022.