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| Ilustração de André Carrilho Auto-Psycografia en trente autres Poèmes de Fernando Pessoa e George Monteiro. Dilúvio, outubro de 2025. |
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Mar Português
Mer Portugaise
Ó mer, pour que tes eaux
soiente si salées
Que de larmes le Portugal
a dú verser !
Pour t´avoir croisée, que
de mères émues,
Que de prères de leurs
fils déçues !
Que de fiancées
restièrent célibataires
Pour que tu nous
appartiennes, ô mer !
Si tant est que l´âme n´en soit pas vaine.
Qui le cap Bojador veut traverser
La douleur se devra dépasser.
Dieu conçut la mer de péril et d´abime,
Mais du ciel en fit le reflet sublime.
Fernando Pessoa,
“Mar Português” – Auto- Psychographie en trente autre Poémes, tradução Miguel
Lopes, editado por George Monteiro.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Arquitectura do Desejo
até dos seios irradiar uma luz suave
- essa iridescência é o amor
Pereirar diamantes na areia do momento
para depois os lapidar entrre as tuas coxas
Assim construo ogivas de prazer
assim me entrego ao gume do desejo
Paulo Ramalho in Manual de Sobrevivência para Náufragos, Douda Correria, 2020.
Origem do Museu
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
domingo, 7 de dezembro de 2025
Da Polarização
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
A Razão de Sonho Alucinado dos WE SEA
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
A Vida do Homem de Giusepe G. Belli
por entre crostas, beijocas, lagrimonas,
depois à trela, na andadeira, em camisinha,
pára turras na testa, cueiros por calções.
Depois começa o tormento da escola,
o á bê cê, a vergasta e as frieiras,
a rubéola, a caca na cagadeira
e um pouco de escarlatina e de bexigas.
Depois o ofício, o jejum, a trabalheira,
a pensão a pagar, as prisões, o governo,
o hospital, as dívidas, a crica,
o sol no Verão, a neve no Inverno…
E por último – e que Deus nos abençoe –
vem a morte, e acaba no inferno.
Filipe Furtado na FLOP
Filipe Furtado, o músico e autor de “Prelúdio” e “Como se Matam Primaveras”, irá tocar no próximo dia 6 de Dezembro, na Biblioteca Arquivo Municipal, em Ponta Delgada, num concerto ilustrado no FLOP – Mercado da Banda Desenhada e do Fanzine. Há poucos dias falámos com ele sobre a possibilidade deste voltar a tocar em solo açoriano.
DM:
Onde e quando é que gostarias de tocar nos Açores?
FF:
Qualquer contexto para tocar nos Açores é uma espécie de dádiva e divida. É algo
que estimo muito, que só tenho a oportunidade de fazer muito de vez em quando.
Sinto-me muito realizado quando posso tocar para a família e amigos das ilhas.
Tenho a certeza que esse sentimento é comum a muitos dos camaradas que saíram
das ilhas em busca de melhores condições para desenvolver os seus projectos
artísticos. O panorama artístico nos Açores, em particular em S. Miguel, que é
o que acompanho com melhor conhecimento de causa, mudou bastante. Tenho
conseguido tocar em salas bonitas e em contextos que me desafiam. Quando posso
não só apresentar o trabalho que venho a desenvolver com o meu trio, mas, do
mesmo modo, também ter espaço para sair dessa zona de conforto e fazer trabalho
que se insere noutras hipóteses multidisciplinares. Vou puxar a brasa à tua
sardinha, monsieur Fernando, e relembrar a banda sonora para o "Três
Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção de Amor para o Areal"; o trabalho
desenvolvido em residência artística com a Juliana Matsumura na In.Fusão #2 da
Vaga, em 2023, no qual escreve um dos poemas que integram o álbum:
"Transplantar é Possível". O concerto ilustrado no FLOP, no próximo
dia 6 de Dezembro, por exemplo. Interessam-me esses desafios de me colocar como
músico, mas não só. Quero pensar outros objetos artísticos. Fazê-lo nos Açores
é uma forma de apaziguar alguns dos desenraizamentos que se apoderam de mim.
São oportunidades de fazer aquilo me realiza mais em casa.




