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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

I Know that Feelling...o Adeus a Sam Shepard.

         Sam Shepard deixou-nos neste final do mês de Julho, aos 73 anos. O dramaturgo nasceu a 5 de Novembro de 1943 tendo escrito de mais de 40 peças de teatro, ainda argumentos para cinema tal como "Paris, Texas", filme de 1987 do alemão Wim Wenders, que contou também com a participação de L.M - Kit Carson. Foi amigo da cantora Patti Smith pois chegou a tocar bateria com o agrupamento musical “Holy Modal Rounders”. O seu texto teatral "Burried Child" venceu o Prémio Pullitzer em 1979. Fez parte da cena psicadélica, foi preso duas vezes por conduzir embriagado e há vários anos que sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença que o tornou incapaz de ter uma vida normal. Recordarei para sempre dele este curioso diálogo de “Paris Texas”:


"Travis: I knew these people…
Jane: What people?
Travis: These two people… They were in love with each other. The girl was… very young, about seventeen or eighteen, I guess. And the guy was… quite a bit older. He was kind of ragged in, wild. She was very beautiful, you know.
Jane: Yeah.
Travis: And together they turned everything into a kind of an adventure and she liked that. Just an ordinary trip down the grocery store was… full of adventure. They were always laughing at stupid things. He liked to make her laugh. And… They didn’t much care for anything else, because all they wanted to do was be with each other. They were always together.
Jane: Sounds like they were very happy.
Travis: Yes, they were. They were real happy. And he, he loved her more than he ever felt possible. He couldn’t stand being away from her, uh… during the day when he went to work. So, he quit. Just to be home with her. Then he got another job when the money ran out, then he quit again. But pretty soon, she started to worry.
Jane: About what?
Travis: Money, I guess. Not having enough. Not knowing when the next check was coming in.
Jane: Yep. I know that feeling."

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Que Vergonha, Rapazes!

Fotografia Carlos Olyveira
Que vergonha, rapazes! Nós práqui,
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no “diz que”
e a desnalgar a fêmea (“Vist’? Viii!”)

Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me soergo no meu leito
e vejo entrar quarta invasão francesa.

Desejo recalcado, com certeza...
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(“O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!”)
e desabafo: - Ó Roque, com franqueza:

Você nunca quis ver outros países?
– Bem queria, Sr. O’Neill! E... as varizes?

Alexandre O´Neill

O´Neill, desimportantizar a língua

        Alexandre O´Neill nasceu a 19 de Dezembro de 1924. Anuncia a sua biografia oficial: "Frequentou o Curso de Pilotagem da Escola Náutica em Lisboa, tendo-lhe sido recusada, devido à sua miopia, a cédula marítima". Um dia escreveu um poema para o seu filho intitulado “Chaval”: “Entre o Bem e o Mal,/cresce a borbulha na cara do chaval./O chaval ainda não sabe/que a barba, bem ou mal/feita, é uma banalidade/matinal”. Os seus poemas estão reunidos na Assírio e Alvim em várias edições. 


-Fotografia de Carlos Olyveira a partir da capa/desenho de João Lázaro publicado na revista Pública de 18 de Agosto de 1996.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Camões

Transforma-se o amador na cousa amada,

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.


Luís Vaz de Camões, in "Sonetos".