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| Colecção Arquipélago - Uma Trilogia de Exposições Inauguração dia 10 de Junho |
sexta-feira, 9 de junho de 2023
quinta-feira, 8 de junho de 2023
quarta-feira, 7 de junho de 2023
Quatro Haikais de Rui Machado
Degraus tu e eu
metade da escada só,
orvalho em versos
...
Latem ao longe
os cães, as nuvens choram:
ninguém à porta!
...
Rouxinóis e rãs
as noites solitárias
são muito estranhas
...
Os filhos partem
Nem melhor, nem menos bem,
o sol desponta.
in Um Pouco da Alma, edição Núcleo Cultural da Horta, Abril, 2023.
Sobre a arte da montagem de Urbano Bettencourt
Quanto o técnico do estúdio
os reuniu na foto, lado a lado,
já tinha havido uma guerra,
algumas batalhas perdidas, outras
nem tanto;
as tropas tinham feito e desfeito cravos,
tão cedo idos desta vida como a via
original para o socialismo.
Mas eles não podiam sabê-lo ainda
nesse momento em que desfitavam o fotógrafo
e inscreviam no futuro o olhar cruzado
com que não me olham agora
muitos anos depois.
A pequena glória do técnico
será mesmo essa,
a de inventar-lhes uma história,
anulando a distância que vai de um natal dele
sobre o Sado, em 70,
à ilha dela e a um outro estúdio
que o tempo baniu do mapa da cidade.
Falemos, então, de ficção
a propósito de foto & cine,
os planos, a montagem, as elipses
- motivos para uma conversa, oh mon dieu!, com Eisenstein
na Escola de Cinema de Moscovo.
os reuniu na foto, lado a lado,
já tinha havido uma guerra,
algumas batalhas perdidas, outras
nem tanto;
as tropas tinham feito e desfeito cravos,
tão cedo idos desta vida como a via
original para o socialismo.
Mas eles não podiam sabê-lo ainda
nesse momento em que desfitavam o fotógrafo
e inscreviam no futuro o olhar cruzado
com que não me olham agora
muitos anos depois.
a de inventar-lhes uma história,
anulando a distância que vai de um natal dele
sobre o Sado, em 70,
à ilha dela e a um outro estúdio
que o tempo baniu do mapa da cidade.
a propósito de foto & cine,
os planos, a montagem, as elipses
- motivos para uma conversa, oh mon dieu!, com Eisenstein
na Escola de Cinema de Moscovo.
terça-feira, 6 de junho de 2023
Da Emoção
Não há flor silvestre que não seja motivo, não existe amanhecer ensolarado que não tenha razão."
Eduardo Bettencourt Pinto, in "Emoção", 1978.
sábado, 3 de junho de 2023
quinta-feira, 1 de junho de 2023
Chá nos Açores Uma Tarde na Gorreana
quarta-feira, 31 de maio de 2023
segunda-feira, 29 de maio de 2023
sexta-feira, 26 de maio de 2023
Poema de Jorge Sousa Braga
Na espessura do bosque
o que a minha mão procurava
era um mirtilo
o que a minha mão procurava
era um mirtilo
in "Fogo Sobre Fogo", da colectânea "Poeta Nu", Assírio & Alvim, 2007.
quinta-feira, 25 de maio de 2023
Da Resignação
"-Eu adoro os portugueses. Amo os portugueses. Mas quando falo dos portugueses, simplifico muito a questão, claro, porque os portugueses são muito diferentes. Há, no entanto, certas coisas que odeio nos portugueses. Aquela atitude permanentemente resignada. A falta de sentido de humor. É uma coisa horrível. Nós os portugueses temos uma falta de sentido de humor, que é paralisante. É terrível, prejudica tudo. Outra coisa terrível que os portugueses têm é a importância que dão a si próprios. Acham mesmo que são os defensores da civilização, que é tudo muito sério que não dá para rir de certas coisas, que há coisas sagradas. Isso é muito debilitante. Prejudica muito. A ideia de que não se brinca com isso, de que se tem uma missão importante. Qual missão importante? Se fores atropelado amanhã, qual é diferença para o mundo? Nenhuma. O que é que interessa? A morte não ensina isso? Que as pessoas morrem e depois são esquecidas?"
Miguel Esteves Cardoso, entrevista de João Pedro George, Visão, 8 de Dezembro de 2022.
terça-feira, 23 de maio de 2023
Muito Obrigado, Eduarda Dionísio!
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| Eduarda Dionísio (1946-2023) |
Leio a notícia do seu falecimento nos jornais do dia: doença oncológica. Aproveito para dizer que li uma boa parte dos seus livros publicados, acompanhei muita da sua atividade pública na "Abril em Maio" e, depois, no Centro Mário Dionísio, Casa da Achada. Votei, inclusive, influenciado por algumas das suas opiniões firmes e convicções inabaláveis, pois sempre gostei de ver gente idealista, sem temor a bater-se por aquilo em que acreditava. E, a partir daí, convidei-a para encontros, debates, colóquios, porque gostava de a ouvir discorrer sobre cultura, a memória ou ainda sobre o período em que o Portugal democrático se abriu numa leda participação de associações, cooperativas, cineclubes e outros colectivos. Cheguei mesmo a participar em leituras da obra do seu pai, Mário Dionísio, tal como ainda me convidou para dizer poesia com o José Nuno com o "Movimento Diplomático do Outono" ou apresentar filmes ("Il Sorpasso", de Dino Risi, 1962), "A Polícia da Estrada" de Robert Blake, 1973) nos espaços da sua Associação. Foi, através dela, que conheci o Jorge Silva Melo, o Miguel Castro Caldas, o Vítor Ribeiro ("o adorável Maçariku"), o Vitor Silva Tavares, a Tereza Arriaga, entre tantas outras pessoas com quem me cruzei na Rua da Verónica, no Regueirão dos Anjos ou na Achada. Ou como passei a parar em Lisboa antes de rumar ao norte, nas viagens dos Açores de regresso ao continente. A Eduarda era minha amiga e eu tenho muito orgulho nisso! Muito obrigado, Eduarda!
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