sábado, 15 de março de 2025

Um de Paulo Ramalho

Tenho pressa 
de viver 
até  morrer
porque 
nunca mais existirá
um outro eu
com tanto
que fazer.

in Órbitas Elípticas em Torno do Silêncio, Letras Lavadas, 2024. 

É daqui a pouco...em Lisboa!

Auto Ajuda de Alberto Ai
Lançamento no espaço O Limbo
Lisboa 
(16h30)
    É a estreia nas lides editoriais de Alberto Ai, um conhecido escriba da nossa ágora virtual, ele que é tão próximo espiritualmente de Janeiro Alves, colaborador deste espaço de reflexão. O livro dá pelo nome de Auto-Ajuda e é, quase de certeza, uma narrativa que nos ajuda a ler o nosso mundo interior e que nos ensina a lidar com a realidade em redor. Alberto é, sem dúvida, Ai, já que não nasceu Ui, dado que este não pretende de modo algum assustar quem quiser mergulhar na sua obra debutante. É pois, um relato da vida contemporânea para ler de um só fôlego e, mesmo em modo apneia, dada as profundezas possíveis de atingir. Uns bons ais de leitura!

quinta-feira, 13 de março de 2025

Do Legado

 Herdar é humano.
Millôr Fernandes 

Do Extractivismo

“Este exercício de deslocar-nos para o lugar do outro, recorda-nos que nós, mamíferos humanos, pesamos “mais na biomassa do que todas as baleias azuis gigantes juntas”. E que a nossa ocupação extractivista, permeada por edificações e objetos de uso único, contribui para a “lenta desaparição da vida. Falar disto também é falar de alterações climáticas.” No núcleo da crise do clima está o declínio da biodiversidade, impulsionado por uma economia fóssil que se auto-sustenta através do consumo contínuo.”

in “No Vocabulário do Clima”, os artistas são tão vitais como os cientistas, in Público, fevereiro, 2025. 

Música Pré-Primaveril

 -Save a Prayer Rio, 1982 - Duran Duran
-Close To Me The Head on the Door, 1985 -The Cure
-Songs to the Siren - It'll End In Tears,1984 - Dead Can Dance
-Lorelei -Treasure, 1984 - Cocteau Twins
-The Passenger - Through The Looking Glass, 1985 - Siouxsie And The Banshees
-The Piano Has Been Drinking (Not Me) - Antology of Tom Waits, 1984 - Tom Waits
Cravos - Como se Matam Primaveras, 2025 - Filipe Furtado
-Heaven Knows I am Miserable Now - Hatful of Hollow, 1984 - The Smiths 
- Corpo Fátuo - O Melhor do Clube Miragens, 2025 - WE SEA
-Livros - Livro, 1997 - Caetano Veloso
-Calços da Maia - Romê das Furnas, 2025 - Romeu Bairos
-Hydroplaning Off the Edge of the World - Dan's Boogie, 2025 - Destroyer
-É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo - Carlos, Erasmo - 1971 Erasmo Carlos
-Guericke's Unicorn - A Study of Losses, 2025 - Beirut

Ciclo de Cinema no Cineteatro Lagoense!

  Com a chancela da Câmara Municipal de Lagoa deu inicio  um ciclo de cinema de filmes nomeados para os Óscares de 2025,  sendo que alguns obtiveram mesmo o respetivo Óscar de Hollywood. As sessões dão-se no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, com entrada gratuita, sala que é propriedade da autarquia, antigo desiderato dum homem culto, Francisco D´Amaral Almeida e, que na abertura do século XX, foi republicano e um verdadeiro apaixonado pelas artes, e que desde sempre partilhou com os seus conterrâneos a experiência das artes cénicas e visuais.
Cineteatro Lagoense 
(Fotografia: Carlos Olyveira)
No passado domingo foi exibido “Flow – À Deriva”, Óscar de Melhor Filme de Animação, realizado por Gints Zibalodis, uma co-produção da Letónia, Bélgica e França, que retrata a sobrevivência animal num mundo sob a forma de distopia sem a presença humana, evocando o seu desaparecimento. É uma animação muito pouco infantil e bastante madura, muito pela reflexão e também pela beleza das imagens. Entretanto, o ciclo de cinema continua já a 15 de março, pelas 21h00, com “Ainda Estou Aqui”, premiado com o Óscar de Melhor Filme Internacional, momento para ver ou rever a belíssima interpretação de Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro, bem como relembrar o papel da ativista e cidadã Eunice Paiva, na luta pela transparência e liberdade democrática no Brasil.
        Nos dois fins de semana seguintes há ainda “A Complete Unknown”, filme realizado por James Mangold, interpretado por Timothée Chalamet,  em que este  encarna a figura do músico norte-americano, Bob Dylan e,  por último, “Conclave”, um filme que conta com os actores Ralph Fiennes e Isabella Rossellini e que revela os contornos, melhor, os meandros e os escândalos, associados dos candidatos a um novo papado.

NAPA: Deslocado

   “A letra da canção explora a sensação de estar longe de casa, nesse caso, da Madeira, tendo em conta que a banda se mudou para o continente, mais propriamente para Lisboa. Como é revelado num post no instagram da banda, a letra foi inspirada em parte num espectáculo de comédia do açoriano Miguel Neves, visto há quase dez anos, em que se falava da sensação de vir de uma ilha para o continente, um sítio onde não se tem “o mar como horizonte quase em qualquer lado”. “Tinha chegado há pouco tempo a Lisboa, se calhar aquilo abriu-me a porta”, menciona. Há ainda outros dois momentos inspiradores: outro na mesma rede social feito por por João Borsch, sobre a “identidade insular”, e uma entrevista à entrevista à artista plástica Lourdes Castro, que só sentiu que era bom ter crescido na Madeira quando saiu de lá."

 in as “Saudades de Casa dos NAPA vão levá-los à Eurovisão”, Rodrigo Nogueira, Público, 10 de Março de 2025.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Do Ensaio

 "Se eu não estudar um dia, eu reparo, se eu não estudar uma semana, toda a gente repara.
                                                                   Nicolò Paganini, 1782-1840

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Ainda Estou Aqui: o Brasil Aqui Tão Perto!

        É a película brasileira mais badalada do momento e continua nas salas de cinema portuguesas. Trata-se da longa-metragem "Ainda Estou Aqui", de Walter Sales. Por cá, aumentou também o seu número de sessões diárias e, aguarda-se, portanto, a entrega dos óscares, este ano a 2 de Março, para saber se o filme continuará ou não em exibição. Comece-se, pois, por dizer que o filme "Ainda Estou Aqui" é surpreendente, sobretudo por que todos sabermos que se trata de uma história com um pano de fundo verdadeiro e apoiada em personagens reais. Resumidamente, a narrativa fílmica aborda a família numerosa Rubens Paiva, quando estes viviam no Rio de Janeiro junto da praia e aparentavam aos olhos de todos uma vida entusiasmante e feliz. Subitamente, a ditadura militar brasileira interrompe essa felicidade ao levar consigo o pai de família e deixar os restantes familiares num sofrimento atroz e a incógnita do seu paradeiro. Que papelaço enquanto Eunice, Fernanda Torres!
      "Ainda Estou Aqui" é, portanto, um filme de afectos, o retrato de união de uma família sólida, a leveza e a frescura dos sentimentos das pessoas, os seus laços, os seus momentos  e idiossincrasias, ainda as suas virtudes, as suas falhas e silêncios. Subterraneamente e, a partir de um dado momento, percebemos que estamos perante algo que devemos sempre lembrar: a ditadura. Esta que é implantada para impor uma única voz e pensamento e  assim, vai disseminando a censura, a tortura, a ignomínia, a privação de liberdade, a insidiosa condenação dos corpos e dos movimentos. É urgente defender a liberdade e, essencialmente, a vida em liberdade, que, tal como este líbelo cinematográfico, é a nobre missão de uma qualquer obra de arte!