Diz-me se a dor desvanece
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Dos Gregos
"Não há como imaginar o mundo sem a contribuição da Grécia. Está nos mares, nos céus...Não nos conseguimos livrar dos gregos."
Theodor Kallifatides, in Público, 3 de Julho de 2022
terça-feira, 15 de julho de 2025
Antero de Quental
para ti era a chama e não o fogo,
a arca secreta da verdade,
lugar coberto de dor e pó de lágrima,
onde a memória guarda o sudário do futuro.
a arca secreta da verdade,
lugar coberto de dor e pó de lágrima,
onde a memória guarda o sudário do futuro.
Emanuel Jorge Botelho e Urbano in a vida e uma manhã, Publiçor, 2010.
As Amoras de Sophia de Mello Breyner
O meu país sabe a amoras bravas
no Verão
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seu muros parecem-me brancos
reparo que também no meu país o céu é azul
segunda-feira, 14 de julho de 2025
Ciclo Imaginário de Cinema ao Ar Livre(2)
O segundo filme deste ciclo imaginário
de cinema ao ar livre seria para “Maria do Mar”, uma curta-metragem de João
Rosas, realizada em 2015, seguido de “The Florida Project”, Sean Baker. O
primeiro aborda a adolescência de Nicolau (Francisco Melo), a vida de um jovem que acompanha o irmão mais velho e amigos, num fim de semana
estival até à cidade de Sintra. Esta curta-metragem continua a ser uma delicada
estranheza, muito pela cumplicidade com que o personagem Nicolau vai
estabelecendo com o espectador ao longo do filme. Agora que João Rosas estreou “Vida Luminosa”, e que
completa a trilogia, seria de bom tom mostrar este “Maria do Mar”.
Quanto
a “The Florida Project”, o filme de 2017
do super oscarizado Sean Baker, é um fortíssimo cartão postal para
conhecer a obra deste realizador. Trata-se da história de uma pequena criança de seis anos de idade,
Moonee (Brooklynn Prince), que partilha com a mãe Halley (Bria Vinaite) um
apartamento de um motel a beiras com a fantasia da Disney World. Podemos mesmo dizer
que não há melhor projecto de enfrentamento de uma canícula abafada e lassa.
Este filme é o retrato de uma Flórida à margem, com as contradicções e as
típicas aventuras de um mundo precário e plastificado, em que a Disney World
surge como a glorificação do desejo humano.
domingo, 13 de julho de 2025
terça-feira, 8 de julho de 2025
Citações
É bom ter livros de citações. Gravadas na memórias elas inspiram-nos bons pensamentos.
Winston Churchil (1874-65), in Notícias Editoral.
domingo, 6 de julho de 2025
Quarteirão de PDL: A Energia a Despontar
![]() |
| Fotografia de Carlos Olyveira |
sábado, 5 de julho de 2025
Sobre o Caos
"Em sociedades onde a
ameaça é maior, a expectativa é menor e as pessoas não têm tanto medo. O medo é
psicológico, somos muito medrosos. Agora andamos cheios de medo dos imigrantes.
Têm o mesmo papel que teve os toxicodependentes dos anos 1990, quando andei nos
bairros. É o papel do diabo à solta, que veio provocar caos na nossa ordem. Temos
sempre que polarizar numa figura qualquer algo que não sabemos resolver que é o
caos. Desde o nosso caos interno ao caos social. O nosso caos interno
resolve-se projectando as nossas paranoias em quem temos à nossa volta: no
filho, na mulher, no sogro, no patrão, na empregada doméstica...a projecção
social das frustrações de uma sociedade que não funciona bem, fazemo-la na
figura do outro. Hoje, o outro é o
migrante que vem de longe. Não o migrante europeu, não é o norte americano. Não
é o sueco que compra casa no Algarve. São aqueles indivíduos que vem para
aí e que, coitados, têm de sobreviver
com os os restos que sobram para eles."
Luís Fernandes, entrevista de João Pacheco, Revista do Expresso, 3 de Junho de 2025.
Luís Fernandes, entrevista de João Pacheco, Revista do Expresso, 3 de Junho de 2025.
sexta-feira, 4 de julho de 2025
quarta-feira, 2 de julho de 2025
A Ilha de Almeida Firmino
Sempre o mesmo horizonte
-mar, névoa, a ilha em frente
Dizem os garajaus ao voltar
Que não mais será diferente
Dizem os garajaus ao voltar
Que não mais será diferente
in The Sea Within, Gávea-Brown, 1983.
Crepúsculo na Ilha de Marcolino Candeias
I
O dia morre como se adormecessem vozes
nas bocas dos animais tecidas
num esvoaçar de sons
II
O lavrador vestido de suor
planta no bater da estaca o gesto último
de querer prender à terra toda a sua vida
III
No cheiro a erva
um sonoro subtil soar do silêncio brota um crepúsculo de flores esmagadas
IV
No ar
paira um odor calado a maresia
in The Sea Within, Gávea-Brown, 1983.
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