"Aceder aos bastidores de um poeta é como visitar as caves dum grande museu. Arrumadas a um canto estão lá algumas tábuas esquecidas que as paredes já não comportam. Em ocasiões especiais vêem a luz do dia e nós então olhamo-las como tesouros que emprestam novo sentido ao que as rodeia. Assim a bagagem secreta dum poeta recompõe as suas letras e põe um raio de luz no que antes era só escuridão. Temos a sorte de possuir a chave que nos permite abrir a porta da antecâmara onde o jovem Mário guardou parte dos seus segredos. Há alturas em que não bastam os poemas dum poeta; é preciso conhecer o que se lhe associou, as leituras que fez, as notas que tomou, as reflexões que cogitou, os autores que correu e que amou, e até as ruas por onde andou e divagou para se perceber como se deu a sua evolução e se processou a génese da sua idade madura."
António Cândido Franco, in "O Triângulo Mágico - Uma biografia de Mário Cesariny", edições Quetzal, 2019.
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