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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os Dias Fevereiros que se Anunciam

             Janeiro, enquanto mês inicial de um novo ano, promete sempre muito mais do que aquilo que cumpre e, talvez por isso, parece demorar uma eternidade até cumprir as suas demandas e promessas. Por vezes, traz com ele algumas surpresas, inquietudes e demais devaneios meteorológicos, sendo assim incumbido de enxugar de forma irrepreensível os nossos cabides e existências. Janeiro passou entretanto, despedindo-se de forma líquida e cordial, arriscando novos desenvolvimentos no ano impar que ainda demorará a chegar, deixando certamente um lastro de indescritível e húmida saudade. Venha, portanto, Fevereiro, esse mês que nem damos por ele, de tão curto que é, e que quase nos deixamos enternecer pelo seu particular nome volátil e diminutos dias. Como desafio, devia ser possível esboçar um pequeno diário passado todo ele neste mês diminuído e, se possível, explicitando a rapidez da sua passagem, o estado cronicamente frio da sua temperatura, os dias curíssimos e a escassez da luz e de brilho. Um quase mês por completar. É por isso tempo de procurar canções ou poemas que falem da alegria e melancolia de Fevereiro e é tempo agora de anunciar por aqui os versos  de “Caligrafia”, dedicados a este mês num outro calendário existencial: "Numa manhã de Fevereiro/Apaixonei-me pela tua caligrafia/Daí em diante fiquei a saber/Este é o mês em que se sofre menos.”

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Longitude do Amor Embarcado (com o som de fundo de "Cavalo"de Rodrigo Amarante)

Rodrigo Amarante
(imagem do You Tube)
      Talvez o poeta Al Berto conseguisse falar melhor sobre "a longitude do amor embarcado"  antes de ver "como seriam felizes as mulheres, à beira mar debruçadas para a luz caiada, remendando o pano das velas e espiando o mar", pois há tantos dias assim, povoados de uma felicidade miudinha como os pingos de chuva que julgam, assim, não molhar. Uma manhã de luz intensa e variada, muitos mergulhos no azul do mar, ainda uma tarde com o regresso deste melancólico mormaço tão típico da ínsula em que habitamos. A canção "Ribbon" de Rodrigo Amarante em repeat , como se não houvesse ontem, amanhã ou depois. E, à semelhança de "O Céu que nos Protege", escrito pelo Paul Bowles, contaremos pelos dedos as vezes que vimos o nascer do sol ou a lua em noites de céu limpo, já que acreditamos ser tudo isto que existe em redor um poço sem fundo, uma canção interminável. Infelizmente, não é