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| Angela Olsen - Faixa "Withe Fire" |
"If you've still got some light in you then go before it's gone
Burn your fire for no witness, it's the only way it's done"
enfia as tuas mãos
não te incomodes
arranca essa coisa que te dói
aprende as artes da mandrágora
nenhum líquido te sobrará
depois de já não haver mais anéis
— nem do meu cabelo, nem do teu —
depois de já não haver mais nada
deixa a marca
dos animais que dormem todo o
verão,
a viseira do cavaleiro andante,
a roca e o fuso,
deixa a marca dos animais
o selo, o número, o uivo, a pega
deixa o rio
a seda, a prata, um fruto seco
a embarcação
Ana Paula Inácio, in «Vago Pressentimento Azul por Cima», Porto:Ilhas, 2000.
O suplemento Ípsilon do Jornal Público dedicou uma capa, seis páginas
e uma recensão crítica ao filme,“Alentejo,
Alentejo”, de Sérgio Tréfaut e, que, saúde-se agora, chega às salas de
cinema portuguesas. O interior do suplemento contém também a apreciação de dois críticos do
jornal – Luís Miguel Oliveira e Vasco Câmara - com duas estrelas ao documentário,
e que é sinónimo de razoável. Quem
escreve a recensão sobre o filme, o jornalista Jorge Mourinha, atribui-lhe a apreciação
de três estrelas, sinónimo de bom. Não
se pode deixar de pensar que houve aqui alguma contenção crítica ou avareza encomiástica
após considerável destaque efectivo, palpável, visível aos olhos de um leitor
assíduo do jornal. Arriscaríamos dizer que talvez tenha havido aqui um pequeno
desacerto com essa celebração do país que canta, com aquilo que há de melhor numa
comunidade que se organiza para preservar e manter viva uma das suas mais
antigas tradições, e que o demonstra com alegria e a disponibilidade representada por todos os que se envolveram neste enorme labor. E, curiosidade das curiosidades, celebra o cante enquanto come, enquanto bebe, ou
em lugares públicos, muitas vezes de braço dado. Por outro lado, ainda bem que nem todos
podemos dizer maravilhas ou ter grandes arrebatamentos após visionarmos este trabalho documental, bem como podemos, inclusive, discordar de semelhante prémio almejado e conquistado em
festival de cariz interno. E que do ponto de vista crítico ou cinematográfico podemos considerar que a razoabilidade é aceitável dentro de um panorama de reconhecimento amplo e merecido. Ou, então, será que estamos sob efeito desse drama social
que nos afecta enquanto cidadãos deste país à beira mar defenestrado e que se trata dessa nossa eterna dificuldade de gostarmos de nós próprios,
simplesmente de nos orgulharmos de sermos quem somos e de nos revermos nessa pertença à alma que julgamos ser portuguesa?![]() |
| Francisco Soares da Silva em Baleias e Baleeiros |
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| Cartaz de Baleias e Baleeiros de Luís Bicudo. |